Apresentadores de TV levam vantagem na disputa eleitoral

Apresentadores de TV levam vantagem na disputa eleitoral

Em tempos de pouco debate programático nos partidos, é a visibilidade televisiva que parece garantir o prestigio no meio político

Deputado estadual capixaba faz dancinha durante apresentação de programa policialesco
Deputado estadual capixaba faz dancinha durante apresentação de programa policialesco

Com os olhos voltados aos Jogos Olímpicos e com o encurtamento do período eleitoral, alguns podem não ter notado que a corrida eleitoral às prefeituras e câmaras municipais já começou. Os partidos políticos têm até esta sexta-feira, dia 5, para realizar as convenções que vão definir seus candidatos ao executivo e legislativo municipais nas eleições de 2 de outubro. E, embora a campanha ainda não tenha começado oficialmente – ela começa em 15 de agosto – muitos dos prováveis candidatos já largam na frente na disputa. Motivo: são apresentadores de programas de TV ou donos da TV.

Em tempos de pouco debate programático nos partidos, é a visibilidade televisiva que parece garantir o prestígio no meio político. Em São Paulo, dois dos principais candidatos ao executivo municipal são apresentadores de TV. Celso Russomano (PRB), que lidera as pesquisas, apresenta o quadro Patrulha do Consumidor, no Programa da Tarde da Rede Record de televisão, e João Dória Jr. (PSDB) comandava, até junho deste ano, dois programas de entrevistas, o Show Business, na Band, e o Face a Face, da BandNews.

Este último foi obrigado a passar o comando dos programas por conta da legislação eleitoral, que proibiu desde o dia 30 de junho, que emissoras de rádio e TV transmitissem programas apresentados ou comentados por pré-candidatos a qualquer dos cargos em disputa nas eleições 2016, sob pena, além de multa, de cancelamento do registro da candidatura.

Por muito pouco, a capital paulista não teve nesta eleição mais um apresentador de TV. José Luiz Datena, cotado para disputar o cargo de prefeito pelo PP, mas que desistiu da disputa, apresenta o programa Brasil Urgente e tem um programa diário na Rádio Bradesco Esportes FM, ambos do grupo Bandeirantes. Esta é uma realidade que se repete pelo país. Além de São Paulo, pelo menos outras três capitais também têm apresentadores de televisão na disputa do executivo.

Em Vitória, Amaro Neto sai do ar no programa policialesco Balanço Geral ES, transmitido pela TV Vitória, afiliada da Rede Record, para disputar, pelo Solidariedade, o cargo de prefeito da capital do Espírito Santo. Atualmente ele é deputado federal, tendo sido o mais votado nas eleições de 2014 – benesses garantidas pela presença diária na telinha dos capixabas. A pré-candidatura de Neto foi lançada em junho, com um vídeo postado e divulgado nas redes sociais.

Em Teresina, Amadeu Campos se afastou das suas funções na TV Cidade Verde para disputar a prefeitura da capital piauiense pelo PTB; Ely Aguiar também deixou a apresentação de um programa policialesco da TV Diário, emissora local de Fortaleza, onde deve disputar a prefeitura.

A aproximação dos apresentadores de televisão com grupos políticos é apenas um sintoma da falta de regulação da comunicação no Brasil. A Constituição Federal de 1988 traz uma série de princípios nunca traduzidos em um marco regulatório que poderia garantir mais transparência e democracia na organização do sistema de comunicação brasileiro. O resultado disso é a produção de distorções na política com uma maior visibilidade para quem detém o privilégio de entrar na casa das pessoas – via TV e rádio – todos os dias.

Violações de direitos

O que mais impressiona é que muitos dos candidatos que são também apresentadores de programas de televisão e que devem concorrer às eleições de 2016 construíram sua reputação política violando direitos humanos e disseminando discursos de ódio nos chamados programas policialescos.

Um estudo produzido pela Andi – Comunicação e Direitos, com a parceria do Intervozes e do Ministério Públicao Federal, publicado em 2016, lista nove tipos de violações de direitos recorrentes nestes programas. A maioria delas atenta contra a dignidade de pessoas em privação de liberdade – sob tutela do Estado –, que não raramente são expostas a situações grotescas e degradantes.

Não custa lembrar o caso recente do apresentador Marcelo Rezende, que, em junho de 2015, exibiu uma cena de tiros à queima-roupa contra suspeitos de crime, ao longo de uma perseguição policial veiculada ao vivo no Cidade Alerta, da Record.

Santinhos na rua no pleito de 2014: 57 dias não serão suficientes
Santinhos na rua no pleito de 2014: 57 dias não serão suficientes

Além de a exibição ter ocorrido no final da tarde – horário inadequado para cenas de violência –, ela foi “adornada” com palavras imperativas do próprio apresentador, que do estúdio gritava “atira, atira que é bandido!”. O caso reverberou nas redes sociais e foi alvo de representação no Ministério Público Federal de São Paulo. As mesmas cenas foram veiculadas pelo programa concorrente, o Brasil Urgente, da Band, apresentado por Datena.

Felizmente, nenhum dos dois é candidato. Mas se algo deste tipo acontece em programa nacional, imaginem as violações recorrentes nos programas regionais Brasil afora?

Donos da mídia

Além de apresentadores, existem também os candidatos a cargos eletivos que são concessionários de rádio e televisão. Neste caso, ferem de forma clara o art. 54 da Constituição Federal, que proíbe deputados e senadores de serem proprietários ou dirigentes de empresas concessionárias de serviços públicos, como empresas de ônibus, operadoras de telefonia ou emissoras de rádio e televisão.

Segundo dados do projeto Excelências, da ONG Transparência Brasil, 23,5% dos senadores e 8,4% dos deputados federais são concessionários de rádio e televisão. O dado não é definitivo e leva em conta apenas as declarações de bens informadas à Justiça Eleitoral e os perfis informados às casas legislativas.

Um levantamento do Intervozes mostra que na atual legislatura federal, são 32 os deputados e 8 os senadores que são donos diretos de empresas concessionárias de radiodifusão. Este levantamento subsidiou uma série de representações contra estes políticos pelo MPF, que teve início, no Estado de São Paulo, por meio da atuação do Fórum Interinstitucional pelo Direito à Comunicação (FINDAC), uma parceria entre organizações da sociedade civil e procuradores do Ministério Público Federal.

Embora a Constituição seja clara quanto aos deputados e senadores, o Ministério das Comunicações vem insistindo na tese de que falta regulamentação específica que defina, entre outras coisas, se os parlamentares podem ser ou não acionistas das empresas e as punições a serem aplicadas. Além disso, também não há uma legislação que previna o controle de meios de comunicação por ocupantes de cargos do Executivo – o que permitiu, ao longo de anos, que a dona da TV Mirante do Maranhão, Roseana Sarney, ocupasse também o cargo de governadora daquele estado. Ou o mesmo que ocorreu com Antônio Carlos Magalhães, durante décadas, na Bahia.

Com a certeza da impunidade, além de declarar à Justiça Eleitoral que descumprem a Constituição, os políticos assumem publicamente o assunto. Durante as eleições de 2014, o então presidente da Câmara dos Deputados e candidato ao governo do Rio Grande do Norte, Henrique Alves, concedeu entrevista à InterTV Cabugi, afiliada da Globo, e esqueceu da proibição do art. 54 ao anunciar, ao vivo, para todo o estado ter “participação acionária de 20% declarada no imposto de renda” sobre aquela emissora. Mais assustador ainda foi a TV Cabugi, de propriedade de Alves, mediar o debate final da campanha eleitoral entre seu dono e o candidato concorrente ao governo do estado.

Em um país onde 97,2% dos lares têm ao menos um aparelho de TV e 75,7% um aparelho de rádio – para muitos, os únicos meios de acesso a informações e aos debates públicos – a concentração de concessões de rádio e televisão nas mãos de grupos políticos, assim como a permissão de que apresentadores de programas diários sejam candidatos a cargos eletivos, desequilibra a própria democracia e fragiliza a noção de cidadania, que segue incompleta, quando as ideias e visões de mundo das minorias sociais não passam na TV nem no rádio.

* Iano Flávio Maia é jornalista, membro do Intervozes e mestre em Comunicação pela UFRN.

Fonte: Carta Capital

Em 2020, publicidade na internet deve superar investimentos em TV

Em 2020, publicidade na internet deve superar investimentos em TV

De acordo com a sócia da PwC Brasil e líder de Mídia e Entretenimento, Estela Vieira, mudanças na forma de consumir e investir no setor deverão se tornar mais acentuadas em um futuro próximo.

çO mercado global de mídia e entretenimento deverá movimentar US$ 2,14 trilhões em 2020. A receita do setor chegará ao patamar após atingir crescimento de 4,4% ao ano, de acordo com a pesquisa Global entertainment and media outlook 2016-2020, divulgada pela consultoria PwC na última semana. Em sua 17ª edição, o estudo analisa o histórico e projeções de 13 segmentos: Música, Cinema, Livros, Jornal, Revistas, Rádio, Games, Publicidade na TV, Publicidade na Internet, B2B, Midia Exterior, Tv e Vídeo e Acesso à Internet.

A área que apresenta maior estimativa de crescimento anual, de maneira global, é a de publicidade na internet, com 11,1% ao ano até 2020. Em 36 dos 54 países onde a pesquisa foi realizada, o mercado de mídia e entretenimento tem crescido mais do que o PIB, como é o caso do Brasil. Em 2020, pela primeira vez os gastos de publicidade na internet vão superar os investimentos em publicidade na TV, passando de US$ 154 bilhões, em 2015, para US$ 260 bilhões, nos próximos quatro anos. O desempenho é alavancado pelos resultados de mercado dos Estados Unidos, China e Inglaterra.

O segmento de publicidade na TV deverá movimentar US$ 210 bilhões, 26% a mais do que em 2015. No ranking dos países com maiores gastos publicitários em plataformas digitais, com US$ 2,9 bilhões de receitas geradas, o Brasil aparece em 14º lugar e deverá subir uma posição até 2020, à frente da Itália e do México.

De acordo com a sócia da PwC Brasil e líder de Mídia e Entretenimento, Estela Vieira, mudanças na forma de consumir e investir no setor deverão se tornar mais acentuadas em um futuro próximo. “As empresas estão lidando com um ambiente cada vez mais complexo, onde cada mercado desenvolve sua própria dinâmica de crescimento, influenciada por fatores que vão de mudanças demográficas até hábitos de consumo, passando por infraestrutura e regulação”, opina.

Fonte: Comunique-se

Você sabe como resistir aos apelos da publicidade?

Você sabe como resistir aos apelos da publicidade?

Os anúncios de publicidade apelam para as nossas emoções para criar novas necessidades de consumo em nós.

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Você já parou para pensar quantas vezes ficou triste porque não pôde comprar alguma coisa que queria muito? Será que viver sem aquele tênis de marca famosa ou o celular que acaba de ser lançado no mercado pode realmente ser tão importante para nossa felicidade? Ou estamos apenas nos deixando levar pela máquina eficiente e poderosa da propaganda? Isso é realmente uma questão vital, pois se não formos capazes de perceber que nossos desejos estão sendo alimentados do exterior, nos tornaremos como robôs dirigidos pelas campanhas de marketing, e não pessoas livres e autônomas, capazes de decidir o que realmente precisam para viver bem.

Eles nos dão a ilusão de que comprar um determinado produto trará muitos benefícios para nossa vida. E muitas das coisas que prometem são falsas. Nesses casos, se o consumidor sentir-se enganado, tem o direito de reclamar. Esse direito está previsto no Código de Defesa do Consumidor.

Na nossa sociedade a publicidade está em toda parte: na TV, na internet, no rádio, nos jornais, nos outdoors, em panfletos que nos entregam quando paramos no sinal de trânsito, nos supermercados, e em quase todo lugar aonde vamos. É difícil não prestar atenção ao assédio da publicidade ou escapar das falsas necessidades que ela cria em nossas mentes.

Se não tivermos um olhar crítico para esses anúncios que invadem as nossas vidas, onde quer que estejamos, nos tornaremos grandes consumistas ou estaremos sempre infelizes por não poder comprar tudo o que desejamos.

A manipulação das emoções

A publicidade é feita com a intenção de provocar em nós um grande interesse pelo produto ou serviço que ela anuncia e depois nos induzir a comprá-lo, mesmo que até então ele não significasse nada para nós. A linguagem da publicidade é persuasiva e sabe como nos influenciar até de forma inconsciente. Ela associa o produto que quer nos vender a imagens prazerosas, fazendo-nos acreditar que ao comprá-lo alcançaremos alegria e felicidade.

Ao mesmo tempo em que cria falsas necessidades, ela faz as pessoas sentirem-se imperfeitas e insatisfeitas, pois assim fica mais fácil convencê-las de que a solução para os seus problemas é consumir o que ela quer vender. Qual o efeito dessa estratégia sobre as emoções do consumidor?

É fazê-lo acreditar que não poderá mais viver sem consumir aquele produto ou serviço, pois graças a ele ficará mais bonito, será amado e admirado por todos, e sua felicidade estará completa. É incutindo nele essa ilusão que a propaganda consegue seduzi-lo.

Ela faz você sentir-se inferior aos seus amigos se não comprar aquela mochila ou roupa que eles têm, e lhe promete sucesso e prestígio depois de adquiri-la. Se você reparar, a propaganda acaba tirando a sua liberdade de escolher o que realmente é necessário para sua satisfação pessoal.

Uma lei federal determina que a TV pode dedicar apenas 25% do tempo da sua programação aos comerciais.

Assim, a cada hora que você passa diante da televisão, 15 minutos serão de bombardeio publicitário.

Na Suécia a publicidade para crianças é proibida na TV, porque elas são consideradas mais vulneráveis a influência e manipulação da propaganda do que os adultos. Outros países também restringem a publicidade para crianças, como a Austrália, Áustria, Reino Unido e Noruega.

Fonte: Agência Brasil

Pesquisa: 51% dizem que TV incentiva desrespeito e assédio à mulher

Pesquisa: 51% dizem que TV incentiva desrespeito e assédio à mulher

 O estudo aponta, também, que a maioria das mulheres brasileiras têm dificuldade de se identificar com os personagens femininos retratados no cinema e na televisão

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Cerca de 51% dos brasileiros dizem que filmes e programas televisivos incentivam o desrespeito e o assédio a mulheres em ambientes de trabalho. Quase metade deles acredita que os programas de entretenimento têm impacto negativo nas práticas de assédio a mulheres nos locais de trabalho. Cerca de 73% acreditam que as mulheres são mostradas de maneira exageradamente sexualizadas no cinema e na TV, “reduzidas a seios e bundas”, com poucas roupas e pouco inteligentes.

Os dados fazem parte da pesquisa Investigação sobre o impacto da representação de gênero no cinema e na televisão brasileira, divulgada no dia 7 de março pelo Instituto Geena Davis, que há mais de dez anos se dedica a estudar e ampliar a presença da mulher no audiovisual no mundo.

A apresentação do trabalho foi feita na sede do Sistema Firjan, no centro do Rio de Janeiro, e contou com um painel de discussão sobre gênero na mídia e maior participação da mulher na cadeia produtiva do setor audiovisual. Concluído no ano passado, o estudo ouviu cerca de 2 mil pessoas, e foi dividido em dois momentos. Na primeira etapa, foram feitos grupos para elaboração das perguntas e, depois, uma pesquisa quantitativa por todo o Brasil.

O estudo aponta, também, que aproximadamente 65% das mulheres brasileiras têm dificuldade de se identificar com os personagens femininos retratados no cinema e na televisão. Quase 70% dos entrevistados acham que as mudanças positivas no país para a igualdade de gênero, como conquistas profissionais e mais autonomia financeira, são pouco retratadas no cinema e na TV.

Um dos coordenadores da pesquisa, João Feres, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explicou que a população está mais alerta para os estereótipos dos papéis femininos e masculinos que ainda persistem na mídia brasileira.

“Os entrevistados da pesquisa qualitativa veem os personagens femininos ainda muito presos aos papéis tradicionais de dona de casa, doméstica. As mulheres nunca estão no poder, são sempre os homens”, disse. “Os homens também consideram os papéis masculinos estereotipados, de machão”, afirmou, ao destacar que a glorificação da hipermasculinidade foi uma das críticas feitas pelos entrevistados.

Segundo o estudo, quase dois terços (63%) dos brasileiros demonstram preocupação com os padrões de beleza mostrados no cinema e na televisão, que, segundo eles, são irreais. Por outro lado, mais de 60% da população acham que a exposição da violência doméstica no cinema e na TV pode ajudar a reduzir essa prática nos lares brasileiros, mas que é importante mostrar o fim da impunidade em relação aos crimes de violência.

Fonte: Agência Brasil

Podia ser só mais um filme

Podia ser só mais um filme

Quando você deseja que fosse apenas ficção

A violência excessiva nos programas que crianças costumam assistir na TV preocupa muita gente.  Mas, para milhares de crianças que vivem em comunidades sul-africanas como Cape Flats, a violência não tem nada de ficção. O filme “Break the Cycle” não é bem o que parece. E leva o espectador a desejar que a violência fosse só mais um filme. 

A criação é da Saatchi&Saatchi para a Community Action for a Safer Environment (CASE), que apoia crianças vítimas ou testemunhas de violência doméstica e suas famílias. Para “quebrar o ciclo da violência”, a campanha pede ajuda através de doações via SMS para os programas educacionais e de atendimento psicológico da CASE. A instituição também convocou a população para uma discussão pelo Twitter sobre como enfrentar a violência, com a hashtag #breakviolence.

De acordo com as estatísticas de criminalidade da África, a cada mês cerca de 100 pessoas são mortas vítimas de violência em Western Cape, província de Cape Flats. Mais de 80% dos adultos não chegaram ao ensino médio e 20% não concluíram sequer a educação básica.

Fonte: Comunica que muda

O cruel mercado infantil de talentos na TV

O cruel mercado infantil de talentos na TV

A nova tendência brasileira de levar as crianças para campeonatos de talentos, na televisão, sob a ótica da infância, pode ser extremamente perigoso.

Ontem mesmo, uma pessoa veio comentar sobre uma criança de 10 anos, que estaria muito triste porque “ele cantou uma música lá no local e horário marcados para o The Voice Kids, mas não foi selecionado, já que ninguém havia telefonado para ele, embora ele cante lindo, afinado e com um jeito lindo”. Essa é a milésima vez que sentamos no banco da praça refletindo, preocupadas com essa nova tendência brasileira de levar as crianças para campeonatos de talentos, na televisão. E não são poucos. Continuamos atentos depois do caso Valentina – do MasterChef Junior – e as preocupações permanecem intensas. Até agora não sabemos se as crianças recebem algum retorno, no caso de não terem sido selecionadas, o que não resolve, mas ameniza.

Bem, é preciso dizer que entendemos como maravilhoso o fato de as crianças cozinharem e que cantarem, as vezes até ao mesmo tempo, para si mesmos e para os outros. Isso por si só é um ganho enorme para a cultura e para a vida de todos.

É comum encontrarmos crianças talentosas, praticamente vocacionadas desde cedo, aos olhos dos adultos, em diferentes aspectos: música, pintura, desenho, construções com objetos, colagens, costura, bordado e, também, para os esportes em geral. Em tese, essas habilidades precoces – ou ainda, talentos – mantêm-se presentes por toda a vida, podendo ter sido mais ou menos desenvolvidos, o que pode vir a ter relação com sua futura atividade profissional, ou não. Às vezes, o trabalho na vida adulta tem referência direta com esses talentos, às vezes, eles viram um hobby e, também, em alguns casos, infelizmente adormecem e ficam sem expressão.

O que acontece no caso das crianças é que existe um investimento enorme dos adultos para que eles definam desde cedo suas profissões futuras e que ainda, se possível, se tornem um expoente de sucesso e de dinheiro, termos que na nossa cultura são quase sinônimos, como redenção para famílias inteiras que não conseguiram alcançar por si sós o tal binômio que atende ao mercado. Mercado equivocado e frustrante por atrelar sucesso a dinheiro, investindo assim na cultura material da felicidade, apenas e maciçamente. Todos precisamos de muito mais para alcançar momentos de felicidade.

Esse investimento dos adultos aparece em inúmeros aspectos, nas artes em geral, no cinema, no teatro, também quando as crianças têm corpos magros e altura. Essas habilidades expressas ainda na infância, que estamos chamando aqui também de talentos, não devem ter relação com o mercado que transforma tudo em objeto de compra e venda, mas o que a televisão produz é exatamente isso. Sem cuidado e senso crítico, a televisão, mídia que diverte e educa, pode ser devoradora de audiências e assim devorar, de garfo e faca, aqueles que nela trabalham. No caso das crianças, esse sucesso rápido, gerado apenas pela visibilidade em 65% dos lares brasileiros, já pode ser responsável por expectativas e fantasias de grandeza que são cruéis, como já aconteceu com tantas crianças que desde cedo foram sucesso “na telinha”. Não faltam exemplos. A televisão é patrocinada e todos sabem que, no cenário audiovisual, os animais, as crianças e os idosos “vendem”, reúnem público e criam audiência para o mercado adulto. Isso interessa à televisão como indústria do consumo. Não são poucos os adultos que se emocionam diante da Tv, ao saber da vida pessoal dessas crianças e, no caso da música, ao ouvi-las cantar de modo tão singelo. É lindo mesmo.

Sob a ótica das crianças, isso pode ser extremamente perigoso, por várias questões diferenciadas e interligadas. A primeira delas é que crianças têm que brincar e estudar, não trabalhar nem precisar ganhar dinheiro para sustentar as suas famílias. Uma segunda questão se refere ao fato de o carreirismo ter chegado praticamente ao fim, no Brasil e no mundo. O mercado de trabalho hoje funciona com uma nova dinâmica em que o adulto muda o local do seu trabalho e, também, a própria natureza do trabalho durante a vida útil, para acompanhar as mudanças rápidas e avassaladoras do mundo. Assim, quando fixamos as crianças hoje em um futuro “de sucesso”, sob essa ótica enviesada do “que gera dinheiro”, poderá ser triste, problemático e muito frustrante caso o mercado exija adaptações que eles não possam fazer. Ou até mesmo se eles próprios vierem a desejar mudar de vida. Como fica?

Aliás, embora o ponto de partida disso tudo seja um desejo ou um talento especifico de cada uma das crianças que participam desses programas, seja de música ou de culinária, eles precisam ser ouvidos e respeitados no sentido de poderem variar ou, ainda, mudar de vida. Será que eles mesmos, junto com suas famílias, terão o direito de mudar o rumo de suas vidas enquanto ocupam o lugar de quem traz dinheiro, riqueza e conforto para sua família? Acho difícil que as crianças possam ser autônomas e sentirem-se donas de suas vidas quando crescerem, supondo-se que seriam donas de um sucesso perene, o que não se pode garantir.

Como terceira e última questão, vale lembrar que somos todos seres que se constituem por milhões de fatores combinados. Numa determinada fase da vida, cada um desses fatores aparece com maior destaque em detrimento de outros e assim vai. Portanto, que um adulto seja cantor ou cozinheiro e que possa, ainda, tomar banho de rio, colecionar selos, pintar quadros nas horas vagas etc. é compreensível. E é bom. No entanto, será que crianças cantoras ou com os melhores “dotes de mestre cuca”, na cozinha, poderão desenvolver outras dimensões de sua individualidade, além da frequência exigida à escola, para que tenham uma vida com oportunidades diversificadas? Para se conhecerem melhor? Para conhecerem melhor as amplas possibilidades do mundo em que vivem?

Esse é um dos nossos medos mais fortes. Medo de que os adultos de referência dessas crianças tenham nelas, desde cedo, o seu “muro de arrimo”, o seu apoio e sua segurança, quando deveria ser exatamente o oposto. Os pais é que devem mostrar o mundo e as diversas possibilidades da vida aos filhos, não o contrário. Essa inversão tende a ser limitadora e traumática. Cabe aos adultos proteger, cuidar e educar com amor, ser mais amigo e menos o empresário de suas crianças.

Fonte: http://blog.andi.org.br/o-cruel-mercado-infantil-de-talentos-na-tv. Texto de Maria Inês de C.Delorme, professora doutora do Departamento de Estudos da Infância da UERJ e uma das responsáveis pelo blog: www.papodepracinha.com.br. contato: delormemic@gmail.com

Ações visam cassar licenças de rádio e TV de 40 congressistas

Ações visam cassar licenças de rádio e TV de 40 congressistas

Por Folha de S. Paulo

O Ministério Público Federal, por meio de suas sedes estaduais, promete desencadear ações contra 32 deputados federais e oito senadores que aparecem nos registros oficiais como sócios de emissoras de rádio ou TV pelo país.

Entre os alvos da iniciativa inédita -lançada com aval do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e coautoria do Coletivo Intervozes-, estão alguns dos mais influentes políticos do país, como os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, Edison Lobão (PMDB-MA), José Agripino Maia (DEM-RN), Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Entre os alvos da iniciativa inédita -lançada com aval do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e coautoria do Coletivo Intervozes-, estão alguns dos mais influentes políticos do país, como os senadores Aécio Neves (MG), presidente do PSDB, Edison Lobão (PMDB-MA), José Agripino Maia (DEM-RN), Fernando Collor de Mello (PTB-AL), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

No Ministério das Comunicações, todos eles constam como sócios de emissoras.

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