Comunicação pública não pode estar sujeita a partidos políticos, diz presidente da Public Media Alliance

Comunicação pública não pode estar sujeita a partidos políticos, diz presidente da Public Media Alliance

Para Sally-Ann Wilson, presidente de associação internacional que congrega 104 emissoras públicas de rádio e TV de 54 países, ‘é essencial que tenhamos uma comunicação pública que possa oferecer uma visão alternativa da mídia privada’

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Em pelo menos 150 países, com configurações políticas diversas, existe algum sistema de comunicação pública. “Em geral, onde a democracia está, a comunicação pública também está”, diz Sally-Ann Wilson, presidenta executiva da Public Media Alliance (PMA), maior entidade representativa desse tipo de organização midiática no mundo.

A organização tem um conselho administrativo presidido pela paquistanesa Moneeza Hashmi e composto por executivos de mídia de países como Austrália, Grã-Bretanha, Índia, Namíbia e Botswana.

A PMA congrega 104 emissoras de rádio e TV de 54 países e atua pela manutenção da autonomia e independência dos veículos em casos de tentativas de interferência.

Em um dos casos mais recentes, a PMA se posicionou contrária a medidas adotadas pelo presidente polonês, Andrzej Duda. Por decreto, ele modificou a legislação para que o diretor da organização pública de comunicação, antes escolhido por uma junta independente, passasse a ser indicado pelo ministro das Finanças.

“Mesmo em países em que a comunicação pública é realmente bem-sucedida, há uma tensão constante para se manter esse equilíbrio no que diz respeito às leis de meios, às regulamentações”, disse Sally-Ann Wilson, em entrevista por telefone à Agência Brasil.

Sally-Ann foi por mais de dez anos produtora de TV da britânica BBC, considerada a mais bem-sucedida corporação de mídia pública do mundo, e esteve no Brasil há dois anos para participar de um congresso mundial de emissoras públicas sediado na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A EBC não faz parte da associação.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil: Por que um país deveria investir na consolidação de uma comunicação pública?
Sally-Ann Wilson: Como sabemos, a mídia é poderosa, pois molda a forma como pensamos e agimos. E quem, num país democrático, quer ser moldado pelos interesses de políticos ou interesses comerciais? Entendemos que é um direito humano fundamental ter acesso a uma mídia independente e imparcial. Uma boa organização de comunicação pública vai fornecer um espaço midiático confiável, compartilhado e independente para um país. Isso é essencial para uma democracia eficaz, pois ela depende de cidadãos informados. O público precisa de um espaço livre e aberto à discussão que não seja influenciado por políticos e parlamentares nem por interesses comerciais privados. Um espaço saudável de comunicação pública é bom para a coesão social, para a economia e também para a democracia.

Agência Brasil: Como assegurar essa autonomia?
Sally-Ann: É realmente importante tentar garantir que a comunicação pública seja livre de qualquer interesse. Inevitavelmente, os interesses vão se imiscuir na esfera da comunicação pública, mas o que se deve é assegurar que haja transparência sobre qualquer tentativa de se exercer essa influência. Nós cremos que é fundamental, para isso, assegurar a existência de leis de meios apropriadas e o pano de fundo regulatório adequado para uma emissora pública. Garantir que o mandato do presidente-executivo não coincida com as eleições presidenciais e parlamentares é uma boa medida, pois assim se pode tentar retirar a influência de políticos sobre o que é veiculado na comunicação pública. O mais efetivo é a existência de um comitê indicado pela sociedade e que os diretores dos veículos públicos sejam indicados por ele. Sempre haverá alguma influência política, mas pode ser mantida a um mínimo e equilibrada por outros interesses. Aqui, no Reino Unido, estamos estudando mudanças, pois, agora, temos um novo ciclo eleitoral, de cinco anos, então a BBC vai ter o período de reavaliação [do planejamento estratégico] alterado, para que seja feito a cada 11 anos e não 10 anos, como antes. Uma organização de comunicação pública não pode estar sujeita a partido político. O importante é ter certeza de que a regulamentação seja um processo democrático e manter isso o mais independente possível, mas sempre vai haver tensão.

Agência Brasil: No atual momento de crise econômica e recessão no Brasil, alguns setores da sociedade questionam a necessidade de se manter uma estrutura de comunicação pública.
Sally-Ann: Uma boa comunicação pública deve prestar contas à sociedade e ser transparente para o público. É um equilíbrio bastante difícil. As tensões são frequentes. Mesmo em países em que a comunicação pública é realmente bem-sucedida, há uma tensão constante para se manter esse equilíbrio no que diz respeito às leis de meios, às regulamentações, nesse espaço simbólico onde a mídia é colocada. Os cidadãos são, muitas vezes, mais compreensíveis do que achamos. Mas é importante ter uma cultura de comunicação pública e promovê-la. Aqui, no Reino Unido, temos uma longa história de comunicação pública, mas em países em que o tema é novo, eu acho que deve haver um trabalho de conscientização sobre o seu valor.

Agência Brasil: E como pagar a conta?
Sally-Ann: Há uma grande variedade de meios [de financiamento] em diferentes países. Em muitos, há uma taxa cobrada por domicílio. O importante é que os recursos tenham destinação específica, que as leis estejam lá para garantir que o dinheiro vá para a emissora pública, e também assegurar que as empresas de comunicação pública prestem contas à sociedade. Precisamos poder enxergar se a companhia não se tornou grande demais e não está somente desperdiçando dinheiro. O fato de ser propriedade pública significa que a organização deve ter suas contas abertas para escrutínio. Por outro lado, também é preciso que a empresa tenha dinheiro suficiente para funcionar eficientemente.

Agência Brasil: Como as empresas privadas de comunicação costumam reagir à implantação de um sistema público de comunicação?
Sally-Ann: Vivemos em uma era midiática altamente fragmentada e competitiva e sempre há muita competição por audiência. Em todos os lugares do mundo, companhias privadas veem as empresas públicas de comunicação com uma vantagem desleal. Por serem subsidiadas, são vistas como não sendo obrigadas a lutar pela própria sobrevivência ou que pagar para se manter. Mas, na verdade, é essencial que tenhamos uma comunicação pública que possa oferecer uma visão alternativa da mídia privada. Porque se é patrocinada comercialmente, pode haver distorções nas histórias, distorções na linha editorial. E todos temos o direito, como cidadãos mundiais, a ter acesso a uma mídia gratuita. Precisamos entender que muitos veículos de mídia têm um viés. Precisamos apoiar a comunicação pública e tentar assegurar que ela não tenha viés.

Agência Brasil: Uma outra crítica frequente à comunicação pública é sua baixa audiência.
Sally-Ann: A sociedade precisa entender que o dinheiro investido em uma organização de comunicação pública não se traduz somente pelo tamanho da audiência. Se uma organização de comunicação pública tem uma audiência maior, suas rivais privadas a acusam de concorrência desleal, por ser subsidiada. Por outro lado, se a audiência for muito baixa, as empresas privadas dizem que ninguém está vendo ou ouvindo. Mais uma vez, é tentar manter um equilíbrio entre alta qualidade, que assegure programação para todos, sem passar a impressão de que uma baixa audiência significa que esses programas são difíceis de assistir, mas sim que têm informações vitais que o público precisa conhecer. Eu não acho que uma boa organização de comunicação pública possa ser reduzida a números de audiência, essa não é uma razão para acabar com uma empresa.

Agência Brasil: Como o entendimento do público sobre as especificidades da comunicação pública pode ser determinante para seu sucesso?
Sally-Ann: O entendimento do público sobre o que é a comunicação pública é realmente necessário para que uma emissora pública, de rádio, TV ou portal online possa sobreviver. O público precisa saber qual a diferença. O público precisa ser capaz de perceber que se trata de uma novidade de alta qualidade, que reflete a vida deles. Não é simplesmente entretenimento trazido de outras partes do mundo, é um espaço midiático que reflete como eles vivem sua vida, em toda sua diversidade.

Agência Brasil: Qual o alcance da comunicação pública hoje no mundo?
Sally-Ann: Há cerca de 150 países que têm algum tipo de organização de comunicação pública. Elas são muito diversas na maneira como são financiadas. Nos últimos anos, houve um recuo, pois quando a internet surgiu, todos pensavam que fosse ser grátis e democrática, para todos. Mas vimos que há corporações digitais gigantes que ocupam esse espaço midiático, como Google, Facebook etc. Por isso, é importante que cada país procure ter, em tempos de crise e urgência, algum tipo de mídia que seja pública e confiável para o público, proporcionando informação vital para áreas de debates cruciais em tempos de crise. Então, vimos um recuo e agora estamos vendo uma retomada novamente do interesse em comunicação pública e o que ela pode fazer, contanto que seja regulada apropriadamente.

Agência Brasil: E a comunicação pública encontra-se, em geral, sob ameaça?
Sally-Ann: Há lugares em que floresce, há lugares em que fenece. Nos lugares em que está bastante ameaçada, isso se dá pela influência de uma mídia pouco democrática, de grandes conglomerados globais. Há bolsões em que a comunicação pública é forte, Escandinávia, por exemplo. Em geral, onde a democracia está, a comunicação pública também está. Mas em qualquer lugar, é preciso tomar cuidado para que não se torne muito grande. Há países em que se colocou dinheiro demais, então é preciso reduzir para que o público não deixe de acreditar. Ao mesmo tempo, há países em que o governo controla, e isso não é comunicação pública.

Agência Brasil: Em sua opinião, o Brasil deu bons passos em direção a uma boa comunicação pública?
Sally-Ann: Quando da criação da EBC, houve sim a sensação verdadeira de que isso foi um bom passo. Quando fomos ao Rio, percebemos um crescente interesse por comunicação pública em toda a América Latina. Isso foi um sinal muito bom. Mesmo sem saber bastante sobre os detalhes, me pareceu um avanço positivo e eu acho que isso encorajou outras partes do mundo.

Agência Brasil: Ao longo dos últimos meses de agitação política no Brasil, a comunicação pública foi frequentemente acusada de partidarismo. Esse tipo de mídia é mais sujeita a esse tipo de crítica?
Sally-Ann: É preocupante ver o tamanho da agitação que ocorre hoje no Brasil. Acho que é um momento para que o público perceba que pode confiar em seus meios de comunicação, e também que os políticos cumpram as regras. Não acho que a comunicação pública seja geralmente vista como mais partidária do que qualquer outra tipo de mídia. Com frequência é menos. Mas é um imperativo que seja transparente e que preste contas, pois esse tipo de confiança é crítica.

Fonte: Agência Brasil

E se o problema também estiver no lado do público?

E se o problema também estiver no lado do público?

Quem é de fato o leitor contemporâneo? E será mesmo que o cliente sempre tem razão? Com a proposta de “nem canonizar o leitor e nem isentar a imprensa de erro”, o jornalista Leonardo Rodrigues oferece outra abordagem para a crise da mídia.

A imprensa e os meios de comunicação vivem dias difíceis. Em época de quebra de paradigmas, a classe assiste a uma tendência de demissões de colegas, fechamento de jornais, revistas e rádios, ao aumento da desconfiança em detrimento da credibilidade e, principalmente, à falta de rumo.

Os tempos são árduos, não apenas para entender, mas explicar, ou ainda propor direções que possam reverter o quadro. Análises se multiplicam quase na mesma velocidade que problemas. Porém, há um certo ponto de partida velado, uma linha de raciocínio no inconsciente dos comunicadores: a canonização do leitor. Pode ser algo herdado de um pensamento comercial, em que o mote é “o cliente sempre tem razão”. Mas, a verdade é que o
esforço em buscar um horizonte ensolarado para a mídia parte sempre da mesma premissa.
E se o problema estiver na demanda? Afirmar pode ser precipitado, mas descartar também pode ser um erro. Fique à vontade em discordar, mas, por favor, não me condene a um extremo: canoniza-se o leitor ou isenta-se a imprensa de erros. Nenhum, nem outro. A ideia é observar por outro prisma.

Não foram apenas as ferramentas e estruturas dos veículos de comunicação que mudaram. Não se trata apenas de uma escala de evolução traduzida em um infográfico que apresenta pinturas rupestres, escritas em carvão, papiro, máquina de escrever, até ao smartphone. Claro, os meios mudaram, mas o processo base da comunicação (emissor e receptor), não. Lógico que há ruídos e outros elementos, mas a base é a mesma.

O receptor é diferente. Perfil, mentalidade, forma de processar a informação, bagagem de conhecimento já são outros. O que era singular, se pluralizou. Se antes destacava-se quem acumulava conhecimento, hoje, é quem seleciona e foca no que entende ser pertinente.

A queda na busca por informação pelos canais tradicionais potencializa a criação de novos meios, que em “tentativa e erro” comprovam sua eficácia. Mas há algum indício que possa traçar o perfil do leitor contemporâneo?

Em 2014, a pesquisa “Argumentação, Livro Didático e Discurso Jornalístico, Vozes Que se Cruzam na Disputa pelo Dizer e Silenciar” atestou que alunos brasileiros não sabem argumentar. A dificuldade desta geração seria em expor ideias, sustentar pontos de vista próprios em redações e criar teses que se tornam tarefas árduas para os estudantes do Ensino Médio.

A pesquisa serviu como tese de mestrado para a pedagoga Noemi Lemes na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP. Ela analisou livros didáticos e redações produzidas por alunos do terceiro ano do Ensino Médio de escolas públicas. Foi constatado que a dificuldade está, em grande parte, ligada ao modo como os materiais de apoio abordam a argumentação, usando quase exclusivamente como exemplos produções da imprensa.
“Quase sempre é apresentado um único texto jornalístico sobre determinado assunto, expressando um ponto de vista que os alunos tendem a reproduzir”, explica. A conclusão não condena a imprensa exclusivamente, mas destaca sua influência. Esse novo leitor não pode ser considerado apenas fruto de experiências e más escolhas da mídia, como um Frankenstein.

Antes, o problema também passa pela Educação. Na pesquisa, especialistas apontaram que a ausência, nas escolas, de embasamento teórico mais profundo como um dos responsáveis por esse processo de causa e efeito. Segundo a autora, Noemi sugere mesclar ciência, filosofia e literatura como um caminho mais consistente na formação de educandos (e consequentemente de novos leitores).

Outro trabalho acadêmico, concluído em 2012, indica que mais da metade dos universitários são analfabetos funcionais. Segundo a pesquisa da Universidade Católica de Brasília, mais de 50% dos cerca de 800 estudantes avaliados sofrem com o analfabetismo funcional. Não conseguem compreender o que leem.

Universitários de seis cursos diferentes em quatro faculdades foram avaliados. A pesquisa analisou modo de estudar, o tempo de dedicação, características socioculturais e formação. A conclusão é que muitos universitários entram na faculdade sem ter o hábito de estudo, aprenderam o conteúdo de forma superficial, costumam decorar ao invés de entender e muitos são analfabetos funcionais.

Novos produtos de qualidade no mercado de mídia não dependem apenas do desenvolvimento de tecnologias. Passam também por uma reforma educacional com o objetivo de erradicar a ignorância. Assim, quem sabe, a imprensa possa ser cobrada por trabalhos com profundidade, e não apenas porque leitores possam estar insatisfeitos por estarem inchados com informações de redes sociais.

***

Fonte: texto de Leonardo Rodrigues, jornalista e chargista. Observatório da Imprensa, 27/02/2016, edição 891. http://observatoriodaimprensa.com.br/crise-na-imprensa/e-se-o-problema-tambem-estiver-no-lado-do-publico/

Boas práticas: ouvir o povo nos postos de atendimento

Boas práticas: ouvir o povo nos postos de atendimento

O cidadão poderá dar sua opinião diretamente nos postos de saúde e unidades hospitalares de Fortaleza. Uma caixa coletora vai ser instalada em todo o sistema de saúde.

A caixa coletora funciona como instrumento de avaliação da unidade por meio do qual o cidadão pode manifestar sua opinião, fazer sugestões, elogios ou críticas. As demandas recebidas passam por quatro etapas: análise, encaminhamento, acompanhamento e resposta ao cidadão. Serão instaladas 122 caixas coletoras. Para ampliar a qualidade do programa, a Ouvidoria vem desenvolvendo atividades de sensibilização com os gestores das unidades, objetivando expor a importância do novo canal de comunicação.

Criado pela Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza o programa desenvolvido pela Ouvidoria “Caixa Coletora” é mais um canal entre o cidadão e a gestão. A iniciativa teve início no Hospital Distrital Gonzaga Mota – José Walter (Gonzaguinha). A caixa coletora vai ser instalada nas demais unidades hospitalares e, depois, levada também aos postos de saúde.

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foto: Secretaria da Saúde de Fortaleza.

Para a ouvidora em Saúde da SMS, Dayse Fuques, o programa tem o objetivo de coletar a opinião do cidadão sobre o serviço recebido. “Com as caixas coletoras, teremos a oportunidade de conhecer as impressões dos usuários quanto ao serviço oferecido e buscar melhorar e atender os anseios da população”, destacou.

A Ouvidoria desenvolve programas como “Saúde atende você”, “Net saúde”, “Birô da cidadania”, “Ouvidores integrados” e “Ouvidoria proativa”, que geraram, em 2015, 19.415 demandas, resultando um índice de 74% de satisfação do cidadão. Desde a reestruturação da Ouvidoria em 2013, por meio de seus programas foram abertas 45.862 demandas, tendo uma resolutividade de satisfação de aproximadamente 80%. A população também pode falar com o órgão pelo telefone 0800 275 1364.

A instalação das caixas coletoras seguirá no Hospital Distrital Maria José Barros de Oliveira, (Frotinha Parangaba), Hospital Dra. Zilda Arns (Hospital da Mulher), Centro de Assistência a Criança Lúcia de Fátima (02/03) e Hospital Nossa Senhora da Conceição (16/03).

Fonte: Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza – 26/02/2016 – http://www.fortaleza.ce.gov.br/sms/noticias/saude/secretaria-municipal-da-saude-abre-mais-um-canal-de-comunicacao-com-comunidade

Estudo analisa impacto de peças publicitárias no consumidor

Estudo analisa impacto de peças publicitárias no consumidor
 o produto é resultado de uma pesquisa de dois anos
o produto é resultado de uma pesquisa de dois anos

A criação de uma estratégia de comunicação geralmente é feita a partir de uma visão subjetiva.

O profissional que desenvolve a peça publicitária – o emissor – deve ser capaz de compreender as necessidades e desejos do consumidor e, a partir disso, projetar qual seria o impacto de sua mensagem sobre esse receptor.

No entanto, o real impacto da comunicação, que determinará seu sucesso ou fracasso, só pode ser avaliado depois que a informação é absorvida pelo próprio receptor.

Pensando nisso, a Forebrain, empresa especializada em neuromarketing, acaba de lançar o maior estudo sobre o tema produzido no Brasil, o BRAIN 500.

O produto é resultado de uma pesquisa de dois anos, baseada na neurociência do consumo, que avaliou como os consumidores foram estimulados e reagiram a mais de 500 anúncios.

O objetivo do estudo é aproximar marcas e consumidores por meio de estratégias de comunicação eficientes, que só são possíveis quando o receptor da mensagem é influenciado efetivamente. Todos os comerciais analisados ficam disponíveis em uma plataforma online, chamada BRAIN Analytics, que permite a análise e comparação de filmes publicitários e criação de insights de comunicação.

Por meio de técnicas neurocientíficas, foram mensuradas as reações inconscientes de mais de 1200 consumidores.

O estudo traz aprendizados sobre o que faz o consumidor prestar mais atenção na mensagem, quais formatos podem aumentar a memorização do comercial, ou mesmo como criar anúncios capazes de provocar uma resposta emocional mais impactante nos consumidores.

Segundo Billy Nascimento, co-CEO da Forebrain, a comunicação é caracterizada em sua maior parte por estratégias de comunicação unilaterais, onde não há uma resposta direta do receptor. Ainda assim, a publicidade apresenta claramente expectativas com relação a um retorno do consumidor ao medir indicadores como intenção de compra, recall, brand awareness e market share.

“Quando analisamos as respostas neurais dos consumidores frente a uma peça publicitária, podemos entender, de fato, como ele decifra os códigos enviados pelo anunciante, sem intermediários”, explica Billy..

Para conhecer melhor o BRAIN 500, a empresa disponibilizou um trial do estudo, composto por seis cases, disponível para download aqui.

Fonte: Exame

O futuro do impeachment

O futuro do impeachment

Mais do que o tema do impeachment, a grande questão é saber o que esperar deste ano eleitoral.

Passado o carnaval é muito comum ouvir “agora sim o ano começa”. Pois bem, o ano de 2016 começa, de fato, com algumas questões difíceis de responder visto a complexidade do cenário que se apresenta. O objetivo é levantar questões e, de certo modo, provocar você que está lendo este artigo para que desde o “início do ano” comecemos um debate que deve se tornar, cada vez mais, consistente com relação ao cenário político brasileiro. Aqui se coloca como pano de fundo a questão do impeachment e seus desdobramentos tanto para os profissionais de Relações Governamentais quanto para os cidadãos.

O segundo semestre de 2015 foi tomado pelo tema do impeachment e vimos surgir várias opiniões que, com raras exceções, eram rasas e traziam muito mais a paixão por algum lado da história do que, de fato, uma analise embasada do importante momento histórico que estamos vivendo.

Acredito que este artigo possa servir para que, utilizando as mídias sociais, possamos construir um debate e que as opiniões sejam embasadas em informações que apesar de disponíveis são pouco consultadas e utilizadas.

Para se ter uma ideia de junho à dezembro de 2015 foram 885 discursos sobre o impeachment feitos na Câmara e Senado Federal. Ou seja, foi um tema importante para a classe política e aqui vem a primeira questão. Será um tema relevante, também, no ano de 2016? A evolução do processo de delação premiada trouxe à luz do debate novos atores que, até então, estava desvinculados diretamente desta situação. E aqui destacamos que seja um membro pertencente à situação ou à oposição foram mencionados novos nomes de pessoas importantes na arena política. E então surge uma segunda questão. A inclusão destes nomes no radar da mídia e da justiça não trará um receio aos parlamentares com relação aos limites que estas delações e investigações podem chegar? Um fato observado não apenas na política brasileira, mas também por estes lados, é que existe um grande empenho em caçar e extirpar a corrupção desde que espada da justiça esteja apontada para o lado do adversário. Quando a justiça começa a diversificar os alvos, em muito casos, a oposição tende a se amansar buscando novas pautas para o debate.

Temos que considerar, também, qual será o impacto que as eleições municipais terão no cenário federal. Com uma eleição de mudanças significativas no sistema de financiamento da campanha a questão que se coloca é: haverá uma reorganização ou até mesmo uma diminuição da pressão contra o governo visando uma estratégia de realização de projetos tendo como objetivo beneficiar os municípios em ano eleitoral? Em outras palavras, com a proibição da doação por empresas nas campanhas restará, como meio legal, para os candidatos buscarem apoio de pessoas físicas. Pode ser que realizando projetos para os municípios fique mais fácil angariar fundos, visto que demonstrar boas relações com o legislativo federal pode acabar por incentivar empresários colocarem a mão no bolso.

Enfim, o tema do impeachment serve como pano de fundo, mas a grande questão é saber dos cidadãos e dos profissionais que se relacionam com a política no dia-a-dia o que esperar deste ano? E mais, desde já iniciarmos um debate para que as questões políticas brasileiras estejam cada vez mais amadurecidas dentro de nossas cabeças e consigamos pensar melhores maneiras de trabalhar com política no país.

Fonte: http://openlex.com.br/2016/02/15/impeachment/ – por Ivan Ervolino. Saiba mais em: http://openlex.com.br/ Título original: “Todo carnaval tem seu fim…falaremos sobre impeachment este ano?”

Openlex é uma empresa responsável pelo sistema SigaLei, plataforma de acompanhamento das atividades e processos do  legislativo. A ferramenta monitora as atividades do Poder Legislativo com o objetivo de identificar propostas e decisões que impactam as atividades dos profissionais de relações governamentais.

 

Água para as mulheres

Água para as mulheres

Campanha com o ator Matt Damon tem a finalidade de ajudar a levar água potável para mais de 633 milhões de pessoas no mundo.

Neste anúncio da Stella Artois, o ator Matt Damon tenta convencer o espectador a pagar uma bebida à uma mulher. Mas diferente do que você provavelmente está pensando, não se trata de um simples incentivo ao cavalheirismo. A Water.org, uma organização filantrópica fundada pelo ator, e a Stella Artois se juntaram pelo segundo ano consecutivo para ajudar a levar água potável para as mais de 633 milhões de pessoas no mundo que não tem acesso à ela.

Com o nome Buy a Lady a Drink (Pague uma bebida à uma mulher, em português), a campanha de 2016 é focada nas mulheres que, afetadas por essa escassez, gastam juntas 125 milhões de horas por dia buscando água a quilômetros de casa para suas famílias. No primeiro anúncio, uma torre em espiral de copos de Stella Artois estampados com imagens que, quando vistos em sequência, contam a história da jornada dessas mulheres em busca de água limpa. A ideia é destacar o impacto positivo que o acesso à água pode ter sobre a vida dessas mulheres e de suas famílias.

Já no segundo anúncio a mesma história contada pela sequência de copos da marca de cerveja é contada agora pelo próprio Matt Damon. “Um copo de água é uma das coisas mais simples para alguns de nós. Mas, para muitos, é um dos mais complicados . Mulheres todos os dias de todo o mundo gastam milhões de horas apenas para coletar água . Mas nós podemos ajudar a mudar isso, podemos ajudar a dar de volta a elas esse tempo. O acesso à água é o acesso à educação , o acesso ao trabalho , o acesso ao tipo de futuro que queremos para toda a humanidade”, diz Matt Damon, antes de convidar os consumidores a deixarem um legado e se tornar a geração marcada por ter acabado com o esse problema. “Sua geração é muito mais esperto do que a minha geração. Vocês começaram a pensar sobre essas coisas muito mais cedo do que a geração X, que foi a minha geração”.

Como parte da campanha, os consumidores americanos são convidados a participar do esforço comprando um dos três novos cálices exclusivos e de edição limitada, da Stella Artois. Cada copo é estampados com desenhos de artistas do Quênia, Peru e Haiti e que representam os problemas específicos de água enfrentados pelas mulheres em seu respectivos países – como a seca, as distâncias remotas e contaminação.

Para cada cálice vendido nos Estados Unidos, a Stella Artois vai doar $6,25 dólares para ajudar a Water.org a fornecer cinco anos de água limpa para uma pessoa em um país em desenvolvimento. O Vice-Presidente Global da Stella Artois, Todd Allen, explica como é difícil para as pessoas se relacionarem com a crise mundial da água: “Nós nunca estamos a muitos metros longe de uma fonte de água potável. Ao fornecer acesso à água, podemos mudar positivamente a vida das mulheres e suas famílias em todo o mundo. Com isso, elas podem passar mais tempo com suas famílias; as crianças podem ir para a escola e as famílias podem ganhar uma renda”.

A campanha Buy a Lady a Drink foi lançada pela primeira vez em 2015 aproveitando a presença global da Stella Artois. Apenas em seu primeiro ano, a marca ajudou a Water.org a fornecer água potável à mais de 290 mil pessoas no mundo em desenvolvimento.

Fonte:Blog de Comunicação de Interesse Público da Nova/SB Comunicação. Saiba mais em:
http://www.comunicaquemuda.com.br/buy-a-lady-a-drink/

Novas medidas para eficácia da Lei de Acesso à Informação

Novas medidas para eficácia da Lei de Acesso à Informação

Mecanismos de avaliação da atividade administrativa sempre devem ser estimulados junto aos órgãos de Governo. E quando se trata de acesso à informação, o assunto é ainda mais relevante. É dever do Estado garantir a todos o direito ao acesso à informação, nos moldes previstos no art. 5º da Constituição de 1988: mediante procedimentos objetivos e ágeis, de forma transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão. Diante disso, foram publicadas duas normas para efetivar as medidas de acesso.

A primeira foi o Decreto nº 8.638, da Presidência da República, que institui a Política de Governança Digital no âmbito dos órgãos e das entidades da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. A finalidade é gerar benefícios para a sociedade mediante o uso da informação e dos recursos de tecnologia da informação e comunicação na prestação de serviços públicos; além de estimular a participação da sociedade na formulação, na implementação, no monitoramento e na avaliação das políticas públicas e dos serviços públicos disponibilizados em meio digital; e assegurar a obtenção de informações pela sociedade, observadas as restrições legalmente previstas.

A Política de Governança Digital deverá ter o foco nas necessidades da sociedade; no compartilhamento da capacidade de serviço; na simplicidade; na priorização de serviços públicos disponibilizados em meio digital; na segurança e privacidade; na participação e controle social; e na inovação.

Comitê de aprimoramento da LAI

A segunda medida para efetivar o acesso à informação foi por meio da Portaria nº 6, da Secretaria Nacional de Segurança Pública, que instituiu o Comitê Técnico – Lei de Acesso à Informação com a finalidade de apresentar estudos sobre os reflexos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011, nas atividades desenvolvidas pelos órgãos de inteligência de segurança pública e apresentação de medidas que os órgãos de inteligência poderão adotar frente aos pedidos de informações.

O Comitê Técnico deverá debater a Lei no 12.527/2011 e demais normas correlatas ao tema; fazer estudos, junto aos órgãos de Inteligência de Segurança Pública, sobre os reflexos da Lei de Acesso à Informações nas atividades de inteligência; e apresentar, no formato de Instrução Normativa, orientações às agências de inteligência de como proceder no caso de pedido de informações. O CT terá até 12 integrantes e será composto por profissionais que tenham comprovada experiência e notório saber na área de inteligência, selecionados pela Coordenação-Geral de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança.

Lei de Acesso à Informação – LAI

O advogado e professor de Direito Jorge Ulisses Jacoby Fernandes explica que a Lei nº 12.527/2011, conhecida como Lei de Acesso à Informação, representou um gesto do Governo Federal no sentido de efetivar este comando constitucional. A norma estabelece os parâmetros gerais que serão observados pelos órgãos públicos no momento de solicitação de informações por parte dos administrados.

Para eles, as normas instituídas neste mês mostram o interesse do Governo Federal em efetivar as medidas de acesso. “O dever, porém, não está apenas nas mãos do poder central. Cada órgão e entidade do Poder Público também são responsáveis por avaliar a prestação de informações, respeitando as suas especificidades, conforme estabelece o art. 6º da Lei de Acesso à Informação”, observa.

De acordo com o artigo mencionado pelo professor, cabe aos órgãos e entidades do poder público, observadas as normas e procedimentos específicos aplicáveis, assegurar a gestão transparente da informação, propiciando amplo acesso a ela e sua divulgação; a proteção da informação, garantindo-se sua disponibilidade, autenticidade e integridade; e a proteção da informação sigilosa e da informação pessoal, observada a sua disponibilidade, autenticidade, integridade e eventual restrição de acesso.

Fonte: Brasil News, Jacoby Fernandes. http://www.n3w5.com.br/destaque/2016/01/jacoby-fernandes-lancadas-medidas-dar-mais-eficacia-acesso-informacao-lai

Os equívocos da Comunicação Pública sob a ótica liberal

Os equívocos da Comunicação Pública sob a ótica liberal

O conceito de comunicação pública, quando parte da premissa de que emissor e conteúdo precisam afastar-se do Estado, é “deslocado, inconsistente e redundante”.

Ao criticar o conceito de comunicação pública apoiado no paradigma liberal, o cientista político Antonio Lassance descarta a noção de que para ser efetivamente aderente aos anseios da sociedade a comunicação social precisa ser “anti-Estado”.

Ex-integrante da equipe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República – Secom, gestão do ministro Luiz Gushiken, e atualmente no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, Lassance produziu um alentado artigo (“Comunicação Institucional do Poder Público”) que rompe com a visão tradicional de comunicação pública e convida para um olhar mais abrangente.

Segundo o pesquisador, quando o Estado é encarado quase como um oponente, o conceito de comunicação pública, além de deslocado, “porque não identifica claramente seu emissor”, apresenta-se como grave dissimulação: “a tentativa de maquiar a fonte da informação e os interesses que estão por trás daquela mensagem”.

Para Lassance, a comunicação do Estado deve ser reconhecida e identificada. “Na medida em que o público adquira confiança na mensagem recebida e possa livremente modular sua relevância, pode mais facilmente credenciar sua disseminação”, argumenta.

Além de dissimular ou negar o Estado como emissor de informações, o autor acrescenta que “o conceito de comunicação pública é inconsistente por ter seu núcleo formado por uma transposição incorreta do conceito de esfera pública para dentro da organização do Estado, o que contradiz a própria noção de esfera pública (HABERMAS, 1984). Habermas, por sinal, enfatiza a importância da opinião formada pelos canais informais (não estatais e não organizados burocrática e empresarialmente) de comunicação política (HABERMAS, 1992)”.

O pesquisador faz uma ressalva de que “a discussão até ganharia algum sentido se partisse da teoria da participação, que encontra certa de afinidade com a concepção habermasiana de esfera pública; ou se estivesse associada à teoria da democracia deliberativa (THOMPSON, 2002). Mas não foi assim que a ideia foi recepcionada no Brasil”, conclui.

Ao abordar de forma crítica o conceito liberal de comunicação pública, no qual só há legitimidade quando algo é proposto pela sociedade, o pesquisador do IPEA observa que “trata-se de um conceito redundante, posto que, a rigor, toda comunicação tem alguma dimensão pública. Ainda pior, ressalta, é a expressão “jornalismo público” (conforme alerta KUCINSKI, 2006). Todo emissor se dirige a algum público. Mesmo a comunicação pessoal tem um destinatário, um interlocutor, alguém que se constituiu em receptor daquela mensagem. Na era da autocomunicação de massa, mesmo os sentimentos e os humores mais íntimos tornam-se objeto de “comunicação pública”.

Confira a íntegra do artigo:Comunicação-institucional-do-poder-público

 

Ministério Público inicia o desmonte do “coronelismo eletrônico”

Ministério Público inicia o desmonte do “coronelismo eletrônico”

Por Observatório da Imprensa

A manchete dominical da “Folha” (22/11), vai entrar para a história da moralização da mídia brasileira: “Ação quer cassar rádios e TVs de parlamentares”.

Iniciativa inédita, tem o aval (e talvez mais do que isso) do Procurador Geral, Rodrigo Janot, e compreende medidas contra 32 deputados federais, oito senadores e o cancelamento das respectivas concessões no setor audiovisual, contrárias ao disposto pela Constituição.

Dos senadores, dois são do PSDB (Aécio Neves e Tasso Jereissati), dois do PMDB (Edison Lobão e Jader Barbalho), um do PSB (Roberto Rocha) e um do PTB (Collor de Melo). (clique aqui para ver a íntegra da matéria e o nome de todos os parlamentares).

Estritamente factual, a matéria é injusta com a própria “Folha” que denunciou corajosamente não apenas o conflito de interesse dos parlamentares-concessionários, também a predominância da bancada evangélica neste desonroso toma-lá-dá-cá e, como se não bastasse, aberração ainda maior – a participação formal de deputados-infratores no órgão concedente e fiscalizador, a CCTCI, Comissão de Ciência,, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

Grande parte das investigações da “Folha” ao longo das duas últimas décadas foram executadas pela repórter Elvira Lobato (hoje fora do quadro de funcionários) que chegou a ser processada simultaneamente por filiais da Igreja Universal do Reino de Deus em diferentes estados, numa jogada mafiosa para constranger e impedir seu comparecimento perante a justiça.

Se a iniciativa saneadora do MPF é inédita (o adjetivo foi pinçado do próprio texto da “Folha”), em respeito aos leitores o jornal não poderia negar-lhes informações sobre os antecedentes do caso. Ao menos para caracterizar a complacência dos demais grupos jornalísticos.

Acostumado com a habitual má-vontade da grande mídia com aqueles que ousam questioná-la, este observador não estranha que também tenha sido esquecido o grande número de denúncias aqui veiculadas como também em nossa versão televisiva.

Criado em Abril de 1996, o Observatório da Imprensa tratou do coronelismo eletrônico – ou midiático — já na edição de 20/8/97. A partir de 2002 se avolumaram as denúncias configurando grave e acintosa deformação no Legislativo.

Em Outubro de 2005 – há uma década ! — o Instituto Projor, entidade mantenedora deste Observatório, através do seu então presidente, o jornalista Mauro Malin, protocolou na Procuradoria Geral da República em Brasília pormenorizado dossiê com todas as irregularidades de modo a permitir que o órgão adotasse as medidas que entendesse de direito. Veja a íntegra do dossiê aqui.

A PGR agradeceu e engavetou. Agora, devidamente atualizadas e confirmadas, as transgressões entrarão na fase das sanções e punições cabíveis.

Com ou sem o reconhecimento ao trabalho dos precursores desta moralização na mídia eletrônica, o que importa é a drástica reversão no status quo. Muito mais pode ser alcançado – basta cumprir a Constituição.

Leia também o informe Rádios Comunitárias – Coronelismo eletrônico de Novo Tipo (1999-2004)

A Imprensa e o autoengano do interesse público

A Imprensa e o autoengano do interesse público

*Alberto Dinesexclusivo

Altamente concentrada, indiferenciada, corporativa – quase um pool – e cada vez menos pluralista e transparente, nossa imprensa está substituindo sua razão de ser – a defesa do interesse público – por um processo de preservação dos próprios privilégios desobrigada de explicar suas escolhas e oferecer satisfações sobre seus procedimentos.

Ao escolher a então nascente rede mundial de computadores como plataforma, o grupo de fundadores do “Observatório da Imprensa” fez algumas opções cruciais. A primeira delas — não tão óbvia como pode parecer hoje — referia-se ao modelo a ser adotado: serviço público.

Em 1996, a internet aparecia como alternativa à obsessão quantitativa da grande imprensa. Jornais apostavam nos recursos de marketing,  distribuição de colecionáveis, nas grandes tiragens, na impressão em cor e na cadernização desenfreada.

A internet assumia-se como serviço auxiliar, segmentado. Focado exclusivamente na crítica da mídia, porém franqueado a toda sociedade, o OI pretendia empurrar a discussão sobre o desempenho da imprensa para um ambiente que raramente frequentava: seus usuários.

Não era expressivo o número nem a audiência de publicações acadêmicas sobre jornalismo e comunicação, mas a vertiginosa multiplicação das escolas e faculdades de comunicação social indicava um nicho promissor embora pouco atuante e passivo.

A noção (sequestrada da física quântica) de que a observação de um fenômeno pode funcionar como uma intervenção no seu desenrolar e a certeza de que leitores, ouvintes e telespectadores, devidamente motivados podem constituir um legítimo contra-poder ao poder dos grupos  empresariais de mídia, consolidaram as premissas iniciais do projeto.

O resto da história é conhecido. Inesperadas, surpreendentes, foram as contradições que fomos obrigados a superar ao longo de quase duas décadas porque a imprensa, embora formalmente classificada como um serviço público vital para a manutenção do Estado de Direito democrático comportava-se cada vez mais distanciada dos seus compromissos históricos.  Talvez seja a única atividade econômica que conseguiu obter garantias constitucionais para o seu exercício apesar de cada vez mais distanciada e desatenta às contrapartidas previstas no seu “contrato social”.

Altamente concentrada, indiferenciada, corporativa – quase um pool – e cada vez menos pluralista e transparente, nossa imprensa está substituindo sua razão de ser – a defesa do interesse público – por um processo de preservação dos próprios privilégios desobrigada de explicar suas escolhas e oferecer satisfações sobre seus procedimentos.

As divergências ontológicas e orgânicas entre o “Observatório da Imprensa” e a grande imprensa ficam claras quando se examina o comportamento desta ao embargar qualquer notícia ou comentário sobre o drástico enxugamento ocorrido na redação dos veículos impressos do Grupo Globo no último dia 1 de Setembro. A turbulência interna mais expressiva no jornalismo impresso desde a redemocratização do país está sendo mascarada e disfarçada tanto pelo veículo que a promoveu como pelos supostos concorrentes (na verdade parceiros).

Um esmerado processo de manipulação de informações escondeu dos leitores e cidadãos o tamanho da crise que revirou nosso jornalismo de ponta cabeça. Nenhum colunista foi afastado ainda que alguns tenham aceito revisões no contrato de trabalho na condição de Pessoas Jurídicas. O importante era fingir que nada aconteceu. Mesmo que as edições diárias exibam os danos causados por ostensivo enxugamento.

Como um serviço público comprometido com a busca da verdade o “Observatório da Imprensa” não poderia compactuar com este factoide coletivo. Demitir empregados é um recurso extremo, porém  absolutamente legal desde que respeitada a legislação laboral. Outra coisa é camuflar um vultoso processo de reengenharia com demissões em massa de funcionários e colaboradores. Se a imprensa sente-se liberada para revelar demissões e reorganizações de montadoras de automotivos de modo a alertar o leitor- contribuinte para o que se passa na economia real então porque se impõe a autocensura no sistema midiático?

Os executivos que costuraram a cortina de silêncio sobre a crise dos jornais não imaginaram que o noticiário acabaria vazando para blogs e redes sociais?  Porventura concluíram que o estrago seria minimizado caso as notícias ficassem restritas à mídia digital? Ou trata-se do velho pavor da palavra impressa com todas as letras?

A grande verdade é que a recente escamoteação de fatos protagonizada pelo “Globo” & empresas amigas enfiou nosso jornalismo impresso na estranha categoria dos veículos corporativos e alavancou o jornalismo crítico para o estágio superior de meta-jornalismo.

(*) Alberto Dines, jornalista, escritor, fundador do Observatório da Imprensa.