Exclusivo: investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar eleições no Brasil

Exclusivo: investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar eleições no Brasil

São sete da manhã e um rapaz de 18 anos liga o computador em sua casa em Vitória, no Espírito Santo, e dá início à sua rotina de trabalho. Atualiza o status de um dos perfis que mantém no Facebook: “Alguém tem um filme para recomendar?”, pergunta. Abre outro perfil na mesma rede. “Só queria dormir a tarde inteira”, escreve. Um terceiro perfil: “Estou com muita fome”. Ele intercala esses textos com outros em que apoia políticos brasileiros.

Esses perfis não tinham sua foto ou nome verdadeiros, assim como os outros 17 que ele disse controlar no Facebook e no Twitter em troca de R$ 1,2 mil por mês. Eram, segundo afirma, perfis falsos com fotos roubadas, nomes e cotidianos inventados. O jovem relatou à BBC Brasil que esses perfis foram usados ativamente para influenciar o debate político durante as eleições de 2014.

As evidências reunidas por uma investigação da BBC Brasil ao longo de três meses sugerem que uma espécie de exército virtual de fakes foi usado por uma empresa com base no Rio de Janeiro para manipular a opinião pública, principalmente, no pleito de 2014.

A estratégia de manipulação eleitoral e da opinião pública nas redes sociais seria similar à usada por russos nas eleições americanas, e já existiria no Brasil ao menos desde 2012. A reportagem identificou também um caso recente, ativo até novembro de 2017, de suposto uso da estratégia para beneficiar uma deputada federal do Rio.

A reportagem entrevistou quatro pessoas que dizem ser ex-funcionários da empresa, reuniu vasto material com o histórico da atividade online de mais de 100 supostos fakes e identificou 13 políticos que teriam se beneficiado da atividade. Não há evidências de que os políticos soubessem que perfis falsos estavam sendo usados.

Com ajuda de especialistas, a BBC Brasil identificou como os perfis se interligavam e seus padrões típicos de comportamento. Seriam o que pesquisadores começam a identificar agora como ciborgues, uma evolução dos já conhecidos robôs ou bots, uma mistura entre pessoas reais e “máquinas” com rastros de atividade mais difíceis de serem detectados por computador devido ao comportamento mais parecido com o de humanos.

Parte desses perfis já vinha sendo pesquisada pelo Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo, coordenado pelo pesquisador Fábio Malini.

“Os ciborgues ou personas geram cortinas de fumaça, orientando discussões para determinados temas, atacando adversários políticos e criando rumores, com clima de ‘já ganhou’ ou ‘já perdeu'”, afirma ele. Exploram o chamado “comportamento de manada”.

“Ou vencíamos pelo volume, já que a nossa quantidade de posts era muito maior do que o público em geral conseguia contra-argumentar, ou conseguíamos estimular pessoas reais, militâncias, a comprarem nossa briga. Criávamos uma noção de maioria”, diz um dos ex-funcionários entrevistados.

Esta reportagem é a primeira da série Democracia Ciborgue, em que a BBC Brasil mergulha no universo dos fakes mercenários, que teriam sido usados por pelo menos uma empresa, mas que podem ser apenas a ponta do iceberg de um fenômeno que não preocupa apenas o Brasil, mas também o mundo.

Segundo Pablo Ortellado, professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP), a suspeita de que esse seria um serviço oferecido normalmente para candidatos e grupos políticos “faz pensar que a prática deva já estar bem disseminada nesse ambiente político polarizado e que vai ser bastante explorada nas eleições de 2018, que, ao que tudo indica, serão ainda mais polarizadas que as últimas de 2014”.

Philip Howard, professor do Instituto de Internet da Oxford, vê os ciborgues como “um perigo para a democracia”. “Democracias funcionam bem quando há informação correta circulando nas redes sociais”, afirma, colocando os fakes ao lado do problema da disseminação das fake news, ou seja, notícias falsas.

Imagem mostra homem sendo manipulado por mão robóticaRobôs estariam tentando manipular opinião pública nas redes sociais no Brasil desde 2012 (Direito de imagem: GETTY IMAGES)

Exército fake

Em 2012, segundo os entrevistados pela BBC Brasil, o empresário carioca Eduardo Trevisan, proprietário da Facemedia, registrada como Face Comunicação On Line Ltda, teria começado a mobilizar um exército de perfis falsos, contratando até 40 pessoas espalhadas pelo Brasil que administrariam as contas para, sobretudo, atuar em campanhas políticas.

Inicialmente, a BBC Brasil entrou em contato com Trevisan por telefone. Ele negou que sua empresa crie perfis falsos. “A gente nunca criou perfil falso. Não é esse nosso trabalho. Nós fazemos monitoramento e rastreamento de redes sociais”, afirmou, pedindo que a reportagem enviasse perguntas por email.

“Os serviços em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia estão descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por questões éticas e contratuais, a Facemedia não repassa informações de clientes privados”, respondeu, posteriormente, por email (leia resposta completa na parte final desta reportagem).

Trevisan, cujo perfil pessoal no Twitter carrega a descrição “Brasil, Pátria do Drible”, tem quase um milhão de seguidores. Ele ganhou projeção com sua página Lei Seca RJ, criada em 2009. Seguida por 1,2 milhão de usuários, ela alerta motoristas para locais de blitze no Rio.

Um ex-funcionário disse ter sido contratado justamente achando que trabalharia administrando o Twitter do Lei Seca RJ.

“Era um trabalho bem sigiloso. Não sabia que trabalharia com perfis falsos”, diz.

Quando descobriu, conta, passou a esconder de amigos e familiares o que fazia. Hoje, afirma, tem medo de falar, porque trabalhou “para gente muito importante” e teria assinado um contrato de sigilo com a empresa.

Políticos

Os depoimentos dos entrevistados e os temas dos tuítes e publicações no Facebook levam aos nomes de 13 políticos que teriam sido beneficiados pelo serviço, entre eles os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL) e o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A atuação era variada. Para Aécio, perfis supostamente falsos publicaram, por exemplo, mensagens elogiosas ao candidato durante debate com Dilma Rousseff (PT) na campanha de 2014: “Aécio é o mais bem preparado”. No caso de Renan, criaram uma hashtag para defendê-lo durante protestos em 2013 que pediam o impeachment do então presidente do Senado: #MexeuComRenanMexeuComigo. Foi apoiada por usuários como “Patrick Santino”, que usa a imagem de um ator grego no perfil. Já sobre Eunício, divulgaram voto durante as eleições: “Vou com 15. Melhores propostas”.

Não há evidências de que os políticos soubessem que o uso de perfis falsos fazia parte de um serviço de consultoria em redes sociais (veja ao final desta reportagem a resposta completa de cada um).

Foto do ator e cantor grego Sakis Rouvas

Foto do ator e cantor grego Sakis Rouvas, usada para ilustrar perfil falso (Foto: Reprodução/Instagram)

Monitorados por Skype

Os funcionários, segundo os relatos, ficavam em diferentes Estados do país, trabalhando de casa e monitorados por Skype. Quando se levantava para ir ao banheiro, conta um deles, era preciso explicar sua ausência pelo Skype a um coordenador.

Jovens e na maioria das vezes sem curso superior, eles contam que eram chamados na empresa de “ativadores”. Recebiam de profissionais mais graduados uma “ficha técnica” e perfis prontos do que chamavam de “personas”. Continham foto, nome e história de cada um – de onde era, se era casado, se tinha filhos e quais eram seus gostos, hobbies e profissão.

Eles teriam de “ativar” o perfil, alimentando e dando prosseguimento à narrativa criada, mesclando publicações sobre sua rotina com postagens apoiando políticos.

Segundo as diferentes entrevistas, um controlador de perfis falsos recebia por volta de R$ 800 mensais quando começava a trabalhar na empresa. Nas eleições de 2014, o salário teria subido para até R$ 2 mil.

Fotos eram retiradas de bancos de imagens, roubadas de sites de notícias e de perfis existentes. A BBC Brasil identificou, por meio de pesquisa em ferramenta de busca, a origem de várias dessas fotos. Uma delas pertencia a uma jovem vítima de assassinato cuja foto havia sido publicada em um veículo de imprensa local. Algumas imagens eram manipuladas digitalmente, o que dificulta o rastreamento de sua origem.

A empresa, segundo os entrevistados, fornecia chips de celular para autenticar perfis em redes sociais.

A parte “robô”, ou semiautomatizada, não era sofisticada. Os funcionários contam e fica claro nas postagens que eram usadas plataformas que possibilitam a administração de vários perfis ao mesmo tempo, como o Hootsuite (que cobra R$ 258 mensais para que três usuários operem 20 perfis em redes sociais ao mesmo tempo).

Agendavam publicações que falavam sobre a rotina do personagem e outras mais genéricas, como “bom dia”, “vou almoçar”, “boa noite”, “estou cansado”, “dia exaustivo”, entre outras postagens semelhantes, para dar a impressão de que se tratavam de perfis reais.

Captura de tela de perfil identificado como falso no Twitter

Perfil usa foto de mulher que apareceu no noticiário; ela escreve sobre seu cotidiano e comenta sobre político Paulo Hartung (Foto: Reprodução/Twitter)

Alguns “ativadores” passavam o dia fazendo isso, relatam. Outros se dedicavam a programar publicações para a semana inteira e ficavam de olho para eventuais interações que tinham de fazer, como responder a mensagens de perfis reais.

Amigos reais

Perfis falsos criam “reputação” e parecem ser legítimos adicionando pessoas aleatórias com o objetivo de colecionar amigos reais.

Pessoas reais chegam a dar parabéns a fakes em aniversários mesmo sem conhecê-los e fazem comentários elogiosos a fotos de perfil, ajudando a criar a sensação de que são verdadeiros. É desta forma que, inadvertidamente, usuários reais contribuem para a criação de “reputação”.

A reportagem detectou que os perfis identificados como fakes também interagem entre si – encontrou até um “casal” de perfis falsos.

Uma ex-funcionária ouvida pela BBC Brasil afirma que, na época, não sabia que trabalhava administrando perfis falsos. Segundo ela, quando trabalhou na empresa, de 2012 a 2014, tinha acesso a perfis no Facebook de pessoas que eram “apoiadores” de candidatos, como se eles tivessem cedido o acesso. Ela conta que seu trabalho era monitorar o que era publicado sobre candidatos e fazer comentários que os apoiassem por meio dos perfis que controlava.

“Eu já desconfiei que não eram de pessoas reais, mas não sei se eram. Eu não tinha muita malícia na época. Como eu só tinha acesso a publicar determinados conteúdos, eu não verificava muito os perfis.”

Outro ex-funcionário define o trabalho, do qual chega a ter até um pouco de orgulho: “Você é só uma pessoa mascarada atrás de um perfil. A resposta é forte, o retorno é bom. Você sente que realmente faz diferença na campanha”.

Quando um fake era “desmascarado” por outros usuários ou desativados pelas plataformas, logo havia outro para substituí-lo, que vinha de um grande banco de perfis falsos criado e mantido pela empresa, também de acordo com os entrevistados.

Muitos dos perfis reunidos pela BBC Brasil foram abandonados. Cerca de um quinto dos identificados no Twitter publicaram mensagens pela última vez entre os dias 24 e 27 de outubro de 2014. O segundo turno das eleições daquele ano aconteceu no dia 26 de outubro.

Um dos ex-funcionários entrevistados diz que os perfis identificados como falsos pela BBC Brasil representam apenas uma pequena parcela do fenômeno, já que a empresa teria criado “milhares” de perfis como estes. Ele diz também que havia empresas concorrentes fazendo o mesmo no Brasil.

Um tipo de atuação comum, segundo os entrevistados, era deixar comentários em sites de notícias e também votar em enquetes, como as do site do Senado, tomando até o cuidado de deixar a opinião oposta ultrapassar um pouco antes de vencê-la, para que “tudo parecesse muito orgânico e natural”, nas palavras de um ex-funcionário. “Às vezes, dez pessoas ficavam votando em determinada opção durante oito horas do dia.”

Como identificar um fake?

Para identificar os perfis supostamente falsos, com a ajuda de especialistas, a reportagem levou em consideração elementos como: o uso de fotos comprovadamente falsas, modificadas ou roubadas; a publicação de mensagens a partir da mesma ferramenta externa às redes sociais; o padrão de mensagens que simulam rotina, com repetição de palavras; a participação ativa nas redes durante debates e “tuitaços”; atividade apenas durante o horário “útil” do dia; as recorrentes mensagens de apoio ou de agressão a candidatos específicos e, por fim, vários casos de datas coincidentes de criação, ativação e desativação dos perfis.

Captura de tela de perfil falso no Facebook

Perfis usavam fotos roubadas para escrever a favor de candidatos (Foto: Reprodução/Facebook)

Malini, o acadêmico do Espírito Santo cujo grupo que coordena já pesquisava parte dos supostos fakes identificados pela BBC Brasil, elaborou o que especialistas chamam de “grafo”, um desenho gerado por computador que espelha o histórico da interação e atividade dos perfis no Twitter. Isso inclui os retuítes, menções a outros usuários e comentários em tuítes feitos pelos usuários com características falsas.

O resultado mostra os perfis com os quais estabeleceram o maior número de interações, gerando uma espécie de “nuvem”.

Nela, aparecem os políticos mencionados pelos ex-funcionários como clientes da empresa, a página Lei Seca RJ e, no centro, Eduardo Trevisan, “inflacionado” pela atividade dos supostos fakes. “Ele é uma figura central, que recebe menções e retuítes de grande parte dos usuários analisados”, afirma Malini. “Essa alta centralidade salta aos olhos e aponta quem deve ser investigado”, acrescenta.

Pagamentos

Por meio da análise de pagamentos legais disponíveis ao público em prestações de contas, a BBC Brasil conseguiu mostrar a ligação da Facemedia de Trevisan com três políticos e um partido, o PSDB. A empresa recebeu também, neste caso, segundo dados de um relatório disponível no site da Câmara, transferência de uma agência de propaganda e marketing. No total, os pagamentos feitos pelas cinco partes somam R$ 1,2 milhão. Veja em detalhes abaixo, e um resumo da resposta de cada um:

– A empresa de Trevisan recebeu R$ 360 mil do Comitê Nacional do PSDB para a campanha presidencial em 2014 pela “prestação de serviços de marketing e comunicação digital”, segundo consta da prestação de contas do partido. O PSDB disse que a empresa foi contratada para prestação de serviços de melhoria e monitoramento de movimento e tendências nas redes sociais.

– A Facemedia também recebeu R$ 200 mil de Renan Filho (PMDB) em 2014, então candidato ao governo de Alagoas, segundo a prestação de contas. A assessoria do político, que venceu a eleição, disse que a empresa foi contratada para prestação de serviços de monitoramento e análise digital das redes sociais durante a campanha e acompanhamento do interesse do eleitor. “Em nenhuma hipótese houve contratação ou realização de pagamento para a criação de perfis falsos ou divulgações online por estes em favor da campanha.”

– Recebeu também R$ 30 mil do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rêgo Filho (PMDB), então candidato ao governo da Paraíba, de acordo com os dados públicos. Sua assessoria afirmou que o candidato “utilizou serviços de mídias sociais para divulgação regular de sua campanha, desconhecendo qualquer criação de perfis falsos por parte da empresa contratada”.

– Os mais recentes pagamentos encontrados pela reportagem vieram da cota parlamentar do gabinete da deputada federal Laura Carneiro (PMDB-RJ). A empresa de Trevisan recebeu R$ 14 mil por mês por “divulgação da atividade parlamentar por meio da diagramação, manutenção e alimentação das suas mídias sociais (Instagram, Facebook, Twitter)” de fevereiro a setembro deste ano, totalizando R$ 112 mil. As datas coincidem com o período de atividade de um grupo de perfis supostamente falsos identificados pela BBC Brasil atuando na página da deputada. A assessoria dela disse que “os serviços prestados eram de monitoramento e de divulgação do mandato parlamentar nas mídias sociais. A deputada não tem qualquer conhecimento sobre o uso antiético de perfis falsos em qualquer prestação de serviços realizados por essa empresa”.

– Entre março de 2014 e julho de 2014, a Facemedia recebeu R$ 504 mil da agência PVR Propaganda e Marketing Ltda, de Paulo Vasconcelos, marqueteiro da campanha de Aécio à Presidência. O pagamento da PVR foi descrito em um relatório produzido pelo Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf) em julho deste ano. Não é possível determinar no registro do pagamento quais dos clientes da PVR teriam se beneficiado dos serviços da Facemedia. A agência tinha entre seus clientes o PSDB e a J&F, controladora da JBS. A JBS foi identificada como tema em diferentes tuítes, entre os reunidos pela BBC Brasil, e também citada por um ex-funcionário como cliente da Facemedia. A J&F não quis comentar. A PVR disse que contratou a Facemedia “para prestação de serviços de monitoramento e análise do ambiente político”. A empresa nega que tenha feito algum pagamento para divulgação da candidatura de Aécio Neves.

Outros políticos

Um ex-funcionário de Trevisan cita uma longa lista com outros políticos que também teriam contratado o serviço. Todos eles foram citados em algum momento pelos perfis falsos identificados pela BBC Brasil. São eles: o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), Eduardo Braga (PMDB-AM) e Ricardo Ferraço (PSDB-ES), o governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), o ex-prefeito de Vila Velha (ES) Rodney Miranda (DEM), o secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação do Rio de Janeiro, Índio da Costa (PSD), o ex-senador Gim Argello (DF) e o ex-deputado estadual Felipe Peixoto (PSB-RJ).

Eles negaram ter conhecimento sobre qualquer uso de perfis falsos nesse contexto. Não há nenhum indício de que os citados acima sabiam da existência e do uso de fakes nas suas redes sociais como parte de um serviço para favorecê-los.

Wallim Vasconcelos, que foi candidato à presidência do Flamengo, também é citado pelo ex-funcionário e também foi tema de tuítes de perfis considerados falsos. Ele encaminhou à BBC Brasil a resposta de sua assessoria à época das eleições. Disseram que a Facemedia fazia apenas “monitoramento” das redes.

O único citado com quem a reportagem não conseguiu contato foi Gim Argello, hoje preso da operação Lava Jato. Seu advogado, Marcelo Bessa, disse que não tem procuração para responder sobre esse assunto. (leia a íntegra da resposta de todos os citados no final do texto)

Captura de tela de perfil falso no Twitter

Perfil falso que apoia Paulo Hartung no Twitter usa foto de banco de imagens (Imagem: Twitter/Reprodução)

Responsabilidade

Perfis falsos foram usados para tentar influenciar as eleições americanas no ano passado e representam uma crescente preocupação no mundo ao lado das notícias falsas, facilmente compartilhadas nas redes, e também do papel da propaganda direcionada nas redes sociais, mecanismo que teria sido usado por russos nas eleições dos EUA. O Facebook declarou ter desativado 470 contas e páginas “provavelmente operadas da Rússia”, que publicavam conteúdo que visava causar maior divisão nacional em tópicos como direitos LGBT e questões raciais e de imigração.

O reflexo desta tendência no Brasil levou especialistas ouvidos pela BBC Brasil a reforçar um apelo por ação mais rigorosa tanto do Twitter quanto do Facebook.

Para Pablo Ortellado, professor da USP, deve haver maior transparência e regulação nas plataformas como o Facebook, que deve começar a agir “como se fosse um Estado, já que virou a nova esfera pública” onde acontecem discussões e interações entre as pessoas. Ou seja, para ele, a plataforma deve começar a se autorregular, se não quiser ser regulada pelos Estados, um cenário também não livre de polêmicas.

O Twitter informa que “a falsa identidade é uma violação” de suas regras. “As contas do Twitter que representem outra pessoa de maneira confusa ou enganosa poderão ser permanentemente suspensas de acordo com a Política para Falsa Identidade do Twitter. Se a atividade automatizada de uma conta violar as Regras do Twitter ou as Regras de Automação, o Twitter pode tomar medidas em relação à conta, incluindo a suspensão da conta.”

Já o Facebook informa que suas políticas “não permitem perfis falsos”. “Estamos o tempo todo aperfeiçoando nossos sistemas para detectar e remover essas contas e todo o conteúdo relacionado a elas. Estamos eliminando contas falsas em todo o mundo e cooperando com autoridades eleitorais sobre temas relacionados à segurança online, e esperamos tomar medidas também no Brasil antes das eleições de 2018.”

A empresa também afirma que não pode comentar os perfis citados na reportagem porque não teve acesso a eles antes da publicação deste texto. “Entretanto, vale ressaltar que durante as eleições de 2014 mais de 90 milhões de pessoas no Brasil usaram a plataforma para debater temas relevantes para elas e engajar com seus candidatos.”

Roteiro

O padrão de criação de uma conta falsa no Twitter e no Facebook, segundo os entrevistados, seguia um roteiro: durante um ou dois meses, determinado perfil apenas tuitava sobre sua rotina, publicando tuítes muito parecidos para “martelar” ou “fixar” seu cotidiano por meio das publicações agendadas, com características e hobbies que são muito claros: há a mãe que gosta de assistir a séries e faz pilates, a universitária que fala sobre seus estudos, o síndico de prédio que gosta de futebol.

De repente, uma aglomeração de tuítes a favor de determinado político interrompe esse padrão – e aí entram de fato seres humanos, assistindo aos debates na televisão e fazendo comentários ou promovendo “tuitaços” a favor de seu candidato.

Um dos tuitaços de que participaram os usuários fakes foi para que o perfil Lei Seca RJ fosse nomeado ao prêmio Shorty, que reconhece pessoas e organizações que produzam bom conteúdo nas redes sociais.

Em alguns casos, o histórico revela “reciclagem” de perfis, apoiando diferentes candidatos ao longo do tempo. Em 5 de outubro de 2014, “Fernanda Lucci”, que usa no perfil uma foto de Petra Mattar, cantora e filha do ator Maurício Mattar, escreve ter dado seu voto para Renan Filho (PMDB), então candidato ao governo de Alagoas.

Captura de tela de perfil falso no Twitter

Perfil falso conta ter votado em Renan Filho (Imagem: Twitter/Reprodução)

Já no dia 24 de outubro, escreve: “Dia 26 quero #Eunicio15 para mudar CE”, em referência ao senador Eunício Oliveira (PMDB), que na época concorria ao governo do Ceará.

Captura de tela de perfil falso no Twitter

Perfil falso diz apoiar o senador Eunício Oliveira (Imagem: Twitter/Reprodução)

Dois meses antes, ela elogiava Paulo Hartung (PMDB), então candidato ao governo do Espírito Santo, por sua performance em um debate, sempre incluindo também uma hashtag em referência a esses políticos.

Captura de tela de perfil falso no Twitter

‘Fernanda Lucci’ apoia Hartung (Imagem: Twitter/Reprodução)

Atividade recente

Parte dos perfis identificados como falsos estavam ativos até novembro deste ano, interagindo, curtindo e comentando em publicações da deputada federal Laura Carneiro (PMDB-RJ), como fazem os perfis de “Marcos Vieira” e “Breno Marson”, que tagueiam perfis de pessoas com maior proeminência no Twitter para tentar aumentar o alcance da publicação.

A assessoria de imprensa da deputada diz não ter “conhecimento sobre o uso antiético de perfis falsos em qualquer prestação de serviços realizados por essa empresa”.

Captura de tela de perfil identificado como falso no Twitter

Perfis marcam Twitter de famosos em publicação de deputada no Twitter  (Imagem: Twitter/Reprodução)

Uma publicação sobre vacinação antirrábica na página do Facebook da parlamentar, do dia 26 de setembro deste ano, tem nove comentários. Cinco deles foram feitos por perfis identificados como ciborgues, com poucos minutos de diferença.

“Romulo Borges” comenta que a iniciativa da deputada é “Super importante!!!”. Ele tem 71 amigos e começou a publicar no Facebook, em março deste ano, textos como “esperando a hora de chegar em casa e comer sobra de pizza” e “segunda-feira chuvosa e fria”, sempre da plataforma Hootsuite.

“Borges” também tem um perfil no Twitter, com a mesma foto e mesmo nome. Foi criado em 2010 e ficou ativo entre julho e outubro de 2014, quando tuitava sobre sua rotina (“bom dia”, “trabalho pesado”, “fome”, “boa noite” são expressões recorrentes).

Na época, chegou a tuitar sobre um debate entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio, criticando a performance de Dilma. Encerrou suas atividades no fim de outubro daquele ano e só voltou em março de 2017. Hoje em dia, curte no Twitter quase todas as publicações de Laura Carneiro. Uma pesquisa feita pela BBC Brasil revela que sua foto, na realidade, pertence a outra pessoa.

Ator grego

Também fora de campanha, mas em 2013, Renan Calheiros (PMDB-AL) teria contratado a empresa para cuidar de sua imagem, segundo um dos entrevistados.

Naquele ano, quando manifestações pelo Brasil pediam o impeachment do então presidente do Senado, os perfis supostamente falsos criaram a hashtag #MexeuComRenanMexeuComigo, defendendo o político nas redes e criando a falsa ilusão de que ele era apoiado por aquele grupo de pessoas.

O perfil falso abaixo, de “Patrick Santino”, entrou em uma briga com outro usuário (que já não está mais ativo) usando a hashtag para defender o senador, num tuíte replicado 777 vezes. Sua foto de perfil pertence ao ator e cantor grego Sakis Rouvas.

Captura de tela de perfil falso no Twitter

Perfil falso escreve mensagem a favor do senador Renan Calheiros (Imagem: Twitter/Reprodução)

Pressão por projeto de lei

Ao menos oito perfis falsos identificados pela BBC Brasil fizeram postagens positivas em relação à Friboi, da JBS. Segundo um dos entrevistados pela reportagem, a empresa contratou os serviços da agência para “botar pressão” pela aprovação de um projeto de lei que exigisse de todos abatedouros no Brasil um selo mais rígido – favorecendo o frigorífico, que teria a capacidade de tê-lo. A J&F Investimentos, holding que controla a JBS, não quis comentar.

“Letícia Priori” está no Twitter e no Facebook, onde já escreveu sobre Aécio Neves (PSDB), Renan Filho (PMDB) e Eunício Oliveira (PMDB). Quando não fala sobre políticos, escreve a respeito das sobrinhas e do chefe. E, numa manhã de quarta-feira, recomenda a seus seguidores uma receita da Friboi, acompanhada de sua hashtag. A foto de “Letícia” pertence a uma mulher morta. A BBC Brasil tentou entrar em contato, sem sucesso, com a família da jovem real, assassinada de forma brutal no Rio de Janeiro.

Captura de tela de perfil identificado como falso no Twitter

Perfil que usa foto de mulher morta elogia Friboi (Imagem: Twitter/Reprodução)

Ataque a inimigos

Os perfis, segundo os entrevistados, também participavam de grupos políticos no Facebook. A BBC Brasil identificou um grupo contra Renato Casagrande (PSB), então candidato ao governo do Espírito Santo, criado por “Deborah Mendes”, que usa foto de perfil retirada de um banco de imagens e é um dos perfis que seriam ligados à Facemedia. A atividade da página mostra que ela adicionou um funcionário da Facemedia ao grupo.

Casagrande disputava as eleições com o atual governador Paulo Hartung (PMDB), defendido pelos perfis falsos.

Captura de tela de grupo criado por perfil falso no Facebook

Grupo criado por perfil falso no Facebook tem participação de coordenador da Facemedia  (Imagem: Facebook/Reprodução)

Ao menos uma dezena dos membros do grupo são fakes. Outra parte é composta por pessoas verdadeiras, que foram expostas às postagens no grupo, visualizando notícias e comentários publicados por eles, sempre contra o candidato. Quando um perfil publicava uma notícia, imediatamente outros comentavam abaixo dela, dando “força” à publicação.

‘Esse tal de Twitter’

Em 2009, Trevisan foi convidado para o programa matinal de Ana Maria Braga na TV Globo para falar sobre “esse tal de Twitter”, nas palavras dela. Apresentou-se como “consultor de marketing”, que trabalhava “monitorando marcas e produtos” nas redes sociais e disse ter recebido treinamento dos “papas de Twitter” da campanha do então presidente americano Barack Obama. Em seu Instagram, Trevisan posta imagens com logos do Facebook e do Twitter agradecendo sua existência.

Foi entrevistado várias vezes para reportagens sobre a página Lei Seca RJ, sempre dizendo que ela fora criada com o intuito de melhorar a vida de quem não havia bebido e perdia tempo nas filas das blitze no Rio – e não por quem bebe acima do limite, dirige e quer escapar da lei.

Em 2010, Trevisan foi homenageado pela Câmara Municipal do Rio de Janeiro“por seu relevante serviço voluntário prestado em prol dos atingidos pelas fortes chuvas do mês de abril” – a autora da proposta foi a então vereadora Clarissa Garotinho. Na época, a página Lei Seca RJ orientou seguidores publicando informações sobre as enchentes.

Implicações legais

Apenas criar um perfil falso sem a intenção de enganar os outros, ou seja, de modo transparente, não é ilegal e “se aproxima ao conceito do pseudônimo, de criar uma identidade nova”, diz a advogada Patrícia Peck, especialista em direito digital. “Onde começa a ter problema? Quando o pseudônimo existir com a finalidade de enganar outros, entrando no crime da falsa identidade.”

A criação de perfis expostos nessa reportagem, segundo ela, se encaixaria no crime de falsa identidade, já que interagiram com outras pessoas sem deixar claro que eram falsos. A pena é detenção de três meses a um ano ou multa.

Os perfis falsos que usaram imagens de pessoas reais cometeram o ilícito civil do uso não autorizado de imagem. As pessoas reais, donas das fotos, podem pedir indenização. Também podem alegar na Justiça que houve crime contra a honra, por difamação – “quando você fala como se fosse outra pessoa, pode construir uma imagem diferente da dela e ferir sua imagem e reputação”, diz Peck. A pena é de três meses a um ano de detenção e multa.

A criação de personagens nas redes sociais também pode ser enquadrada no crime de falsidade ideológica, na visão de Peck, para quem as páginas são uma espécie de documento, cuja falsificação é pré-requisito para esse tipo de crime. A pena é reclusão de um a três anos e multa.

E, por fim, caso seja provado que houve alguma espécie de ganho com a criação dos perfis falsos, é possível que seja enquadrada no crime de estelionato. A pena é reclusão de um a cinco anos e multa.

A transgressão é menos clara no campo político, mas foi em parte endereçada na reforma eleitoral aprovada em outubro. E o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se prepara para divulgar até dezembro um conjunto de novas regras de comportamento online para partidos e candidatos.

nova legislação proíbe “a veiculação de conteúdos de cunho eleitoral” por meio de “cadastro de usuário de aplicação de internet com a intenção de falsear identidade”.

Mas isso durante o período eleitoral – já passaram os prazos para quaisquer reclamações referentes às eleições de 2012 e 2014.

O que dizem os citados na reportagem

Eduardo Trevisan

“A Facemedia é uma empresa de comunicação digital consolidada no mercado há dez anos. Nesse período, prestamos serviços para mais de uma centena de clientes. Nossa empresa é especializada em planejamento estratégico de marketing digital, criação e manutenção de sites e perfis, monitoramento de redes e bigdata, especializada em diversas técnicas de marketing como SEO, SEM, copywriting, branding, design thinking, relacionamento com influenciadores digitais entre outros. Além de atender a ampla carteira de clientes privados, a Facemedia utiliza seu know-how de mobilização digital em causas sociais. Em 2011, por exemplo, a Facemedia foi agraciada pelo The New York Times com o ‘Oscar do Twitter’, pela ajuda humanitária aos desabrigados da tragédia das chuvas que atingiram a Região Serrana no Rio de Janeiro. Na ocasião, centenas de pessoas em situação de risco foram ajudadas por meio dos canais digitais da empresa, com mais de 5 milhões de pessoas conectadas. As conexões entre os perfis são estabelecidas por critérios das próprias redes sociais, inexistindo o conceito de ‘vinculação’, sugerido na pergunta. Os serviços em campanhas eleitorais prestados pela Facemedia estão descritos e registrados pelo TSE, de forma transparente. Por questões éticas e contratuais, a Facemedia não repassa informações de clientes privados.”

PSDB

“A empresa Face Comunicação On Line Ltda. foi contratada no primeiro turno das eleições de 2014 para prestação de serviços à eleição presidencial, que consistiu em monitoramento e análises de movimentos e tendências em Redes Sociais. O PSDB desconhece o suposto uso de perfis falsos por referida empresa e registra que jamais fez uso dessa forma de divulgação de mensagens em redes sociais ou qualquer outro ambiente.”

Aécio Neves (PSDB)

Por meio de sua assessoria, o senador diz não conhecer a empresa em questão.

Renan Filho (PMDB)

“A empresa em questão prestou à campanha do atual governador Renan Filho, mediante contrato e objetivo expressamente delineados, os serviços de monitoramento e análise digital, fornecendo à campanha informações capazes de projetar/avaliar a densidade eleitoral das candidaturas através do nível de interesse apresentado pelo eleitor, conforme suas preferências manifestadas na rede social. A despesa em questão consta da prestação de contas do então candidato e foi devidamente aprovada pelo TRE/AL. Em nenhuma hipótese houve contratação ou realização de pagamento para a criação de perfis falsos ou divulgações online por estes em favor da campanha.”

Vital do Rêgo Filho (PMDB)

“A coordenação da campanha de Vital do Rêgo para o governo da Paraíba, em 2014, contratou serviços de mídias sociais para divulgação regular de sua campanha, desconhecendo qualquer criação de perfis falsos por parte da empresa contratada. Todas as despesas da campanha constam da prestação de contas, devidamente aprovada pelo TSE. A coordenação da campanha afirma ainda o seu inteiro repúdio a esse tipo de prática.”

PVR Propaganda e Marketing Ltda

“A empresa só reconhece pagamentos feitos no primeiro semestre de 2014. A PVR pagou R$ 504 mil à empresa Face Media por serviços de monitoramento e análise do cenário político em internet e redes sociais. A PVR não pagou pela divulgação da candidatura de Aécio Neves nem de produtos da JBS. O contrato da PVR com a J&F não prevê isso e não existe outra prestação de serviços à J&F que não seja o contratado. Não existe nenhuma solicitação de contratação deste tipo de serviço pela PVR durante os quatro meses em que durou o contrato com a Face Media.” Também ressaltou que o Coaf não encontrou nenhuma irregularidade em suas movimentações.

J&F

Não quis comentar.

Laura Carneiro (PMDB)

“O gabinete da deputada Laura Carneiro informa que contratou os serviços da Face Comunicação On Line Ltda em fevereiro de 2017, conforme prestação de contas no Portal da Transparência da Câmara dos Deputados. A empresa foi contratada pelo histórico de trabalhos no Brasil e no exterior, e por seu bom conceito no mercado. Os serviços eram de monitoramento e de divulgação do mandato parlamentar nas mídias sociais. A assessoria da deputada não tem qualquer conhecimento sobre o uso antiético de perfis falsos em qualquer prestação de serviços realizados por essa empresa.”

Eunício Oliveira (PMDB)

“O senador Eunício Oliveira desconhece e em nenhum momento autorizou o uso de perfis falsos em suas campanhas eleitorais. O senador lamenta o uso e a disseminação de perfis e notícias falsos em qualquer tipo de comunicação.”

Renan Calheiros (PMDB)

“Renan Calheiros afirma que jamais contratou esse tipo de serviço. Em 2013, o senador sequer participava efetivamente das redes sociais, o que aconteceu apenas a partir do final do ano passado. Uma das grandes preocupações do senador atualmente é com o alcance orgânico das publicações e com as reações de perfis verdadeiros, que realmente representem o pensamento da sociedade. Nos últimos meses, o parlamentar tem feito discursos defendendo a fiscalização dos conteúdos postados por fakes em redes sociais. Renan, inclusive, tem sido vítima constante de ataques, especialmente quando faz críticas aos excessos cometidos por integrantes do Ministério Público ou defende a proibição do comércio de armas. Como forma de resguardar o processo democrático nas eleições que se aproximam, o senador acredita que é preciso criar ferramentas para fiscalizar e punir a disseminação de mentiras e ódio nas redes sociais.”

Eduardo Braga (PMDB)

O senador informou que não contratou nem ouviu falar da empresa Facemedia.

Ricardo Ferraço (PSDB)

“No curto período de maio a dezembro de 2012, a empresa Face Comunicação Online Ltda. prestou serviços de assessoria de comunicação digital ao meu gabinete, com o objetivo de estruturar o uso de mídias sociais. Os serviços contratados eram de diagnóstico, monitoramento de redes e consultoria de conteúdo de postagens. Jamais foi contratada, solicitada ou autorizada qualquer estratégia de comunicação que não fosse legal e ética. De mesmo modo, nunca orientei ou tive informação de que tal empresa se valia de algum expediente que não os legais e éticos, muito menos com a utilização de perfis fakes na internet. Obviamente, estou surpreso.”

Gim Argello

A reportagem não conseguiu contato com a assessoria de Gim Argello, hoje preso da Lava Jato. Seu advogado disse que não poderia responder sobre o tema.

Paulo Hartung (PMDB)

“Por meio da assessoria, o governador Paulo Hartung declarou que repudia o uso de qualquer tipo de mecanismo que utilize influência criminosa da tecnologia no processo eleitoral e no dia a dia das pessoas. De acordo com a assessoria, na última eleição, o governador utilizou uma equipe enxuta de comunicação, que foi responsável pelo atendimento à imprensa e mídias sociais. Acreditamos que as redes viabilizam um canal direto com a população que participou com questionamentos, contribuições e reflexões. O governador rechaça qualquer informação sobre uso de perfis fakes na campanha no último pleito eleitoral ao Poder Executivo Estadual.”

Rodney Miranda (DEM)

“Por meio de sua assessoria de imprensa, Rodney Miranda esclareceu que desconhece a atuação da empresa mencionada e ratificou que o trabalho nas redes sociais foi, à época, desenvolvido por apoiadores do então candidato.”

Índio da Costa (PSD)

“O deputado federal licenciado e atual secretário municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação esclarece que não contratou os serviços citados e por isso nada tem a dizer sobre o assunto.”

Felipe Peixoto (PSB)

“Reafirmamos que nossas campanhas sempre foram pautadas pela ética e transparência e repudiamos qualquer utilização de mecanismos fora desses princípios em nossas atuações.”

Assessoria que prestou serviços a Wallim Vasconcelos na época da eleição

“O uso da Facemedia em campanha foi para monitoramento e reação nas redes. Pelo tempo curto de campanha, optamos por receber relatórios sobre performance nas redes sociais. Fechamos um valor simbólico, já que nossa campanha foi toda feita através de voluntários, e apoiadores. Recebíamos relatórios de aceitação da chapa nas redes. Um termômetro que apontava pontos positivos e negativos das chapas (tanto a nossa quanto dos concorrentes), dos candidatos e seus apoiadores. O trabalho deles era somente monitorar, captar dados, compilar relatórios para que tivéssemos como trabalhar nossa estratégia de atuação. Eles nunca usaram nossas redes de campanha nem acesso a dados nossos. Na reta final de campanha, surgiram nas redes perfis fakes, em grande quantidade, e ao questionarmos sobre este surgimento, se estava associado à agência, recebemos a resposta formal por eles, que não se utilizam desta estratégia. Na ocasião passamos a denunciar os perfis, que era a única forma de combater a atuação, uma vez que não tínhamos como saber sua origem.”

Fonte: BBC.

Intolerâncias nas redes: Um problema crescente

Intolerâncias nas redes: Um problema crescente

Uma banana atirada em um campo de futebol na Espanha, um rapaz sendo agredido com uma lâmpada fluorescente em plena Avenida Paulista, em São Paulo, jovens expulsos de uma loja da Apple em Melbourne, na Austrália, uma menina sendo apedrejada no Rio de Janeiro, um candidato a presidente dos Estados Unidos propondo separar seu país do vizinho com um muro, outro, já construído, separando manifestantes pró e contra à então presidente da República, em Brasília.

Dentro e fora do Brasil, todos os dias nos deparamos com histórias que exibem a escalada da intolerância entre nós. Os casos acima tomaram grandes proporções, ora por seus protagonistas ilustres – tanto do lado agressor quanto do agredido –, ora por causar a amarga sensação, conhecida por todos nós, de estarmos próximos ao limite da convivência pacífica. Ainda assim, para cada caso repercutido pela grande mídia, há inúmeros outros que, nas redes sociais, ofendem e agridem sem expectador nem testemunha.
FORAM ANALISADAS NADA MENOS DO QUE 393.284 MENÇÕES E O RESULTADO É ACACHAPANTE.

Durante três meses – de abril a junho de 2016 – o Comunica Que Muda (CQM), uma iniciativa da agência
nova/sb, monitorou dez tipos de intolerância nas redes sociais, em relação à aparência das pessoas, às suas classes sociais, às inúmeras deficiências, à homofobia, misoginia, política, idade/geração, racismo, religião e xenofobia.

Toda vez que alguma palavra ou expressão referente a um desses assuntos aparecia em um post do Facebook, do Twitter, do Instagram, de algum blog ou comentário em sites da internet, este post era recolhido e analisado pela equipe do CQM, com ajuda de um software de monitoramento, o Torabit.

Foram analisadas nada menos do que 393.284 menções, e o resultado é acachapante. Nos dez temas pesquisados, o percentual de abordagens negativas está acima de 84%. A negatividade nos temas que tratam de racismo e política é de 97,6% e 97,4%, respectivamente, quase empatados. Ou seja, os comentários positivos, ou neutros, sobre esses dez temas nas redes são diariamente encobertos por uma torrente de comentários negativos.

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Eles expressam enormes intransigências, ataques e zombarias em relação a esses assuntos ou a pessoas – sejam públicas ou não. É importante notar também que a intolerância de maior audiência é a política (quase 220 mil menções), mais de quatro vezes superior à misoginia, que aparece em segundo lugar, com quase 50 mil menções. O tema da política reflete, necessariamente, o contexto de crise política e econômica pelo qual passa o País.

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Outro dado relevante é a comparação da quantidade de menções sobre intolerâncias entre os Estados do País. Em números absolutos, a unidade da Federação que mais apresenta menções, cuja esmagadora maioria é de menções intolerantes, é o Rio de Janeiro, com mais de 58 mil menções – 0,352%, segundo lugar na proporcionalidade em relação à sua população, que é de 16,5 milhões –, conforme estimativa do IBGE em 2015. Proporcionalmente, o Distrito Federal é o mais intolerante, com mais de 11 mil menções (0,411%). São Paulo, que é o segundo em números absolutos, 50 mil menções, está em sétimo lugar em proporcionalidade (0,114%). Mais detalhes na tabela ao lado, cujo ranking se dá em número absoluto de menções.

Por acreditar na comunicação pública como agente transformador na vida das pessoas é que o Comunica Que Muda mergulhou por três meses nas principais redes sociais do País para produzir um retrato das intolerância que sofremos e cometemos em nosso cotidiano. Investigamos as causas, formas e consequências desse fenômeno crescente que transita livremente nas timelines, casas, salas de aula e escritórios de todos. Por fim, discutimos formas de lidar com o problema e propomos saídas que, invariavelmente, passam pela comunicação e o diálogo como forma de minimizar as tensões e aumentar a empatia entre os diferentes.

Intolerância no Brasil um problema de todos

O Brasil sempre é citado como uma nação tolerante às diferenças, em relação às variações de raça, gênero, orientação sexual, idade, classe social, aparência, nacionalidade, religião, ideologia política e de ciência física e intelectual. O Brasil, portanto, seria essa sociedade, em que os cidadãos têm direitos iguais, baixo preconceito e pouca discriminação, onde as pessoas conviveriam bem entre si, independentemente de suas características físicas e de seus posicionamentos ideológicos. Que sonho, não? É, mas sabemos que na prática não é bem assim.

No entanto, como podemos medir o quão intolerante o brasileiro realmente é? Uma das formas é a de comparar dados daqui com os do restante do mundo. Pesquisa realizada pelo antropólogo Luiz Mo encontrou um número assustador: 44% dos casos de assassinatos de homossexuais do mundo ocorreram em território brasileiro. O País lidera as estatísticas de mortes da comunidade LGBT.

Já falando sobre racismo, frases como “tão bonita que nem parece negra”, “não fala assim comigo, que não sou suas negas” ou “cabelo ruim” (sobre os cabelos crespos) são comuns nas redes sociais brasileiras, mostrando como a ideia da democracia racial não passa de um mito. Além disso, estatísticas ajudam a comprovar esse racismo velado do País. Enquanto o número bruto de assassinatos de brancos caiu de 19.846 em 2002 para 14.928 em 2012, no mesmo período, o número de negros assassinados subiu de 29.656 para 41.127, quase três vezes mais a quantidade de assassinatos de brancos. Pior: a população negra e parda, segundo o IBGE, dados de 2015, soma 53% dos brasileiros, enquanto a de brancos soma 45,5%. Ou seja: matam-se muito mais negros do que brancos, mesmo.
44% DOS CASOS DE ASSASSINATOS DE HOMOSSEXUAIS DO MUNDO OCORRERAM EM TERRITÓRIO BRASILEIRO.

E esse é só o princípio da discussão sobre a intolerância no Brasil. Somente em 2015, tivemos um aumento de 633% dos casos de xenofobia, sendo que somente 1% destes resultaram em processo judicial. No Congresso Nacional, um deputado deu seu voto sobre o impeachment homenageando um torturador em rede nacional. Até junho de 2016, tivemos mais de 50 casos de linchamentos registrados. Pastores estimulam fiéis em favor da intolerância contra o público LGBT. Quer mais? Negros continuam recebendo salários menores do que os dos brancos. E em um ranking com 83 países, o Brasil aparece em quinto lugar no número de homicídios de mulheres. Também percebemos, já faz tempo, que expressões intolerantes se tornaram mais comuns com a ascensão das redes sociais. E é delas que vamos falar agora.

Quando a intolerância chega às redes

A grande popularização das redes sociais nos últimos anos projetou mais evidência ao problema da intolerância. De acordo com dados da ONG Safernet, apenas entre os anos de 2010 e 2013, aumentou em mais de 200% o número de denúncias contra páginas que divulgaram conteúdos racistas, misóginos, homofóbicos, xenofóbicos, neonazistas, de intolerância religiosa, entre outras formas de discriminação contra minorias em geral.

Números como esses provocam a sensação de que a internet é quem criou uma grande onda de intolerância. Porém, o que de fato ocorreu é que as redes sociais amplificaram os discursos de ódio já existentes no nosso dia a dia. Pensando bem, como é possível separar a manifestação de preconceitos ocorridos no ambiente virtual das práticas sociais do “mundo real”? No fundo, nas ruas ou nas redes, as pessoas são as mesmas. O ambiente em rede, no entanto, dada a possibilidade de um pretenso anonimato e a confortável reclusão atrás da tela do computador, facilita que cada um solte seus demônios.

Quando uma pessoa posta ou compartilha algum discurso de ódio na internet, ela está reforçando e reafirmando um preconceito que ela já tem, já existente. É uma reprodução no mundo virtual de algo que faz parte da realidade daquela pessoa, daquela sociedade. Chegamos à conclusão de que a intolerância nas redes é resultado direto das desigualdades e preconceitos sociais em geral, e não uma “invenção da internet”.

Fica claro que o mundo virtual se transformou em mais um meio disponível e muito acessível para que os intolerantes se manifestem, às vezes até mesmo incentivando a expressão desses preconceitos. Isso porque,se a internet não criou a intolerância, ela a reproduz, aumenta seu alcance e ajuda a naturalizar e a conservar discursos de ódio.

… AS REDES SOCIAIS AMPLIFICARAM OS DISCURSOS DE ÓDIOS JÁ EXISTENTES NO NOSSO DIA A DIA.

Quando as redes incentivam a intolerância

Mesmo que a intolerância difundida no mundo virtual não tenha nascido na internet, não se pode negar o papel dos meios de comunicação de massa e das redes na divulgação e até mesmo no incentivo aos discursos de ódio.

“LIBERDADE DE EXPRESSÃO NÃO É LICENÇA PARA SER ESTÚPIDO”.

Que a internet tem o potencial de ser um meio para a livre circulação de informações transformadoras, que deveria ajudar na construção de uma sociedade mais igualitária e tolerante, não é novidade. O problema é que, muitas vezes, vemos, em posts e compartilhamentos, exatamente o contrário disso. É isso que alimenta nossa vontade de usá-la cada vez mais como antídoto e elemento pedagógico em relação a comportamentos discutíveis, moralmente condenáveis ou até criminais.

O acesso a um canal de comunicação amplo, disponível para todos, aliado a uma ideia distorcida do que é liberdade de expressão e de seus limites, faz com que muitas pessoas se sintam incentivadas a manifestar preconceitos que fora do mundo virtual não encontrariam eco. Como resume bem uma frase em uma camiseta produzida pelo Newseum, de Washington, “liberdade de expressão não é licença para ser estúpido”.

Foi assim que surgiu, por exemplo, o cyberbullying, uma forma de intolerância que diz respeito especificamente ao mundo virtual. Sob a proteção do anonimato, grupos de pessoas podem ofender, perseguir ou criar rumores, boatos e imagens forjadas sobre uma vítima, normalmente reproduzindo preconceitos contra minorias, como racismo, misoginia, homofobia, entre outros.

Xingando muito no Twitter

Por que as pessoas são mais intolerantes no mundo digital?

O ódio e a raiva estão por aí desde que o mundo é mundo. Em uma sociedade em que temos que seguir normas e regras o tempo todo, esses sentimentos são a válvula da panela de pressão. Sabendo disso, precisamos enxergar as diferenças entre sentir raiva e disseminá-la mundo afora. É nesse momento que o ódio se transforma: em vez de ser controlável e passageiro, torna-se uma grave questão social, quase um problema de saúde pública.

A receita para entender em que momento a internet entra no meio de tudo isso é simples: basta pegar um sujeito cheio de preconceitos e dar a ele a “liberdade” de navegar por uma rede considerada livre, sem limites nem ninguém para julgá-lo: pronto, você acabou de criar um hater ou um troll do mundo digital.
O hater, um cidadão que é a negatividade em pessoa, usa o espaço da internet para espalhar palavras de ódio e intolerância. Já o troll prefere a provocação: a zoeira é fonte de prazer e divertimento pessoal. Parece até brincadeira de criança, mas é só navegar por timelines “famosas” para enxergá-los ali, sempre presentes. Afinal, the zoeira never ends.
…PRECISAMOS ENXERGAR AS DIFERENÇAS ENTRE SENTIR RAIVA
 E DISSEMINÁ-LA MUNDO AFORA.
A tendência é a de que os agressores na internet tenham
 um comportamento mais extremo do que teriam fora dela. 
O anonimato é o que dá segurança a quem ataca, já que a
 pessoa pode esconder a própria imagem com recursos que
 a web disponibiliza: criando um perfil, usando nomes ou
 avatares falsos. Tanto para oshaters quanto para os trolls, os
 ataques ocorrem por quaisquer razões, começando pelo fato 
de o alvo ter uma opinião diferente da deles, buscam oprimir 
e discriminar pessoas por sua aparência, comportamentos ou
 posicionamentos ideológicos. Frases como “Nordestino não 
sabe votar”, “Bancada evanjegue”, “Petralha é tudo vagabundo”,
“Qual o seu problema? Você tem down?”, “Aborrecente é um
 bicho terrível”, “Olha só essa gorda escrota” e “Meu, esse cara é
 mó viadinho” apareceram no monitoramento do CQM e deixam
 claro o que é a intolerância visível.

Intolerâncias visíveis e invisíveis

Não sou intolerante, mas…

Tolerar o próximo significa conseguir manter uma relação positiva mesmo com pessoas completamente diferentes de você. Aceitar um elemento diferente da sua cultura, moral, ideologias ou padrões estéticos é essencial para o convívio pacífico em sociedade. Dentre as diversas formas de intolerância, destacamos aquelas visíveis, atos facilmente percebidos como preconceituosos ou discriminatórios, e aquelas invisíveis, atos de discriminação velada, implícita em algum comentário ou comportamento, que muitas vezes passa despercebido por aqueles que não sentem na pele esse tipo de preconceito.

Qual a diferença prática entre o preconceito visível e o invisível? Como podemos localizá-lo? Como podemos saber se estamos sendo preconceituosos se muitas vezes nem percebemos que estamos discriminando alguém? Muita calma: a desconstrução de preconceitos velados não é fácil nem rápida, mas é preciso que tenhamos capacidade de perceber que comentários e atitudes podem causar grandes estragos sobre outras pessoas, que têm sentimentos e se ofendem, assim como você.

As intolerâncias visíveis são fáceis de serem identificadas, elas têm alvo explícito e direto. A intolerância feita de maneira direta, para alguém em específico ou para uma figura pública, corresponde a 72% dos casos (mesmo número no gráfico anterior), revelando que esse tipo de intolerância, na maioria dos casos, possui um alvo.

Mas e a intolerância invisível? Ela se esconde em casos cotidianos, e, muitas vezes, nem nos damos conta de nosso comportamento ou comentário preconceituoso. Uma professora manda um bilhete para a mãe de uma de suas alunas negras dizendo que a garota caria mais bonita se “abaixasse” o cabelo. O jovem diz para uma pessoa mais velha que ela “já não tem mais idade para certas coisas”. O homem que atravessa a rua ao ver mendigos na sua frente. Quem diz que Bolsa Família é esmola. Os pais que não querem que seu filho brinque com uma criança adotada por homossexuais. E por aí vai.

TOLERAR O PRÓXIMO SIGNIFICA CONSEGUIR MANTER UMA RELAÇÃO POSITIVA MESMO COM PESSOAS COMPLETAMENTE DIFERENTES DE VOCÊ.

Sem ofensas diretas, sem frases odiosas e sem grande alarde, comentários e atitudes como esses são reproduzidos incessantemente no nosso dia a dia, passando muitas vezes despercebidos, e contribuindo para a contínua perpetuação de barreiras e distâncias sociais.

A intolerância, visível ou invisível, está presente em nosso cotidiano: em nossas relações de trabalho e consumo, nos estereótipos que a mídia nos empurra goela abaixo, estruturada em um Estado que pune os mais pobres, implícita em discursos de líderes religiosos, explícita em projetos de lei que querem abolir a discussão de gênero na educação (e a lista, infelizmente, só cresce).

Desconstruir intolerâncias e preconceitos não é nada fácil, mas tornar explícita a intolerância daquilo que é cotidiano, daquilo ao qual não damos o devido valor, é o primeiro passo em busca de uma sociedade mais igualitária e menos segregadora.

Intolerância por aparência

Quando o preconceito é precoce

Lidamos com a intolerância de aparência desde a infância e a adolescência, fases em que o bullying corre solto. Já conhecido mundialmente, o termo é usado para caracterizar atos de violência – psicológica, física, verbal, material, moral sexual e virtual – que acontecem entre crianças e adolescentes, principalmente nos ambientes escolares.

O bullying pode ser cometido (“cometido”, sim, porque é crime) por uma pessoa ou por várias. É intencional, repetitivo e não possui motivação clara. Às vezes é até difícil identificar
o responsável pela agressão. O cyberbullying, versão on-line da agressão, acaba funcionando como uma extensão do que a criança vive no dia a dia – mas que, por rolar na internet, se espalha muito mais rápido.

Em 2013, a adolescente Julia Gabriele, com 12 anos na época, foi vítima de cyberbullying. Páginas de humor utilizaram a foto da garota para fazer piadas com sua aparência, que passaram também para o perfil pessoal da menina (foi duro ler a sinceridade da tristeza da garota:

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O PESO DO OUTRO NÃO TE DIZ RESPEITO

Outro tipo de bullying é a gordofobia, agressão que atinge todas as idades e está, mais uma vez, diretamente ligada aos padrões de beleza que a sociedade escolhe para nós. O gordofóbico despreza pessoas gordas e obesas, sente-se desconfortável perto delas, além de se sentir no direito de usar o peso do outro como motivo de piadas.

O site brasileiro de empregos Catho constatou, com base em uma pesquisa feita em 2013, que 6,2% dos empregadores confessaram não contratar pessoas obesas para os cargos oferecidos. Em uma sociedade em que o bonito é ser magro, há uma falsa ideia de que quem faz piada com o peso alheio está apenas “preocupado” com a saúde do outro. Enquanto isso, pessoas que podem muito bem sofrer de algum transtorno alimentar, como anorexia e bulimia, são quase que obrigadas a viver com vergonha de seus corpos.

Em abril deste ano, o internauta Marcos Casteletti resolveu fazer um experimento em seu próprio Facebook: ele trocou a última foto do seu perfil por uma antiga, em que aparecia com 70 quilos a mais. Entre os “resultados”, oito pessoas desfizeram amizade com ele e uma o bloqueou, além dos “elogios” recebidos de outros colegas que sabiam que ele tinha feito uma cirurgia de redução do estômago. Marcos explicou tudo no seu perfil.

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DADOS COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE INTOLERÂNCIA COM A APARÊNCIA

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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72% dos comentários sobre intolerância com aparência são explicitamente ofensivos, atingindo pessoas acima do peso ou com características físicas fora dos padrões.

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A intolerância com aparência não costuma surgir de forma velada como em outros tipos de intolerância. Como podemos notar, os casos relativos à aparência são 79% reais, ou seja, explícitos.

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A maioria das menções é negativa, mostrando que somente 3,6% do público questiona-se sobre comportamentos intolerantes sobre o tema aparência

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A intolerância com a aparência nas redes, no primeiro período, se apresenta na maioria das vezes em forma de piada, como uma intolerância invisível. Na imagem, podemos notar alguns pontos com maior concentração de conexões. O maior deles (ponto 1) ilustra a disseminação de um comentário intolerante, mas comumente aceito.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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No segundo período, temos mais focos de conexões, que representam mais comentários intolerantes, visíveis e invisíveis, e até alguns tolerantes. Como mostram as duas menções acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Intolerância relacionada à classe social

Intolerância com as classes sociais não é coisa de pobre, é coisa de intolerante

 

A desigualdade está aí desde que o homem vive em sociedade. Seja intelectual, financeira ou física, todos somos diferentes: nossas prioridades, pensamentos, ideologias, etc. O problema é quando a desigualdade se traduz em reações de ódio.

O personagem vivido por Miguel Falabella, nos anos 2000, em Sai de Baixo, dizia “tenho nojo de pobre”. Expressões como “coisa de pobre”, “tenho nojo de pobre”, “coisa de riquinho”, e outras tantas, servem para colocar mais lenha na fogueira da intolerância. Enquanto desigualdades são inerentes ao ser humano, o ódio com quem tem menos ou mais, por infinitos motivos, não é nada natural.

Em 2014, a professora Rosa Maria Meyer, docente do Departamento de Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, foi afastada por publicação intolerante no Facebook, por depreciar um homem por suas roupas, o que acarretou reações igualmente intolerantes. Fica claro no post que, para ela, aeroporto seria lugar de gente “bem” vestida (classe alta) e rodoviária lugar de gente “mal” vestida (classe baixa).

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DADOS COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE INTOLERÂNCIA COM CLASSES SOCIAIS

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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A intolerância de classe apresentada nas redes sociais mostrou ser majoritariamente visível, na qual o grupo é discriminado explicitamente por comentários intolerantes, por exemplo, o termo “vagabundo” para quem não tem um emprego.

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Esse tipo de intolerância ocorre bem mais em sua forma abstrata do que real, mostrando que a intolerância de classe, até certo ponto, independe de ocorrências reais, o que é demonstrado em frases como “esse povo que usa a bolsa esmola”.

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A esmagadora maioria das menções intolerantes captadas em nosso monitoramento é negativa, buscando depreciar um grupo de pessoas de acordo com sua classe social.

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No primeiro período, notamos os pontos bem afastados e com poucas conexões, que representam comentários avulsos e com baixíssima taxa de compartilhamento. Refletem também o comportamento velado na hora de compartilhar esse tipo de intolerância.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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No segundo período, temos um cenário totalmente diferente do primeiro, com muito mais movimento. Isso ocorreu como resultado de um momento de intolerância política e que, consequentemente, também inflamou comentários com teor intolerante com as diferentes classes sociais, ilustrados nas menções acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Intolerância contra pessoas com deficiência

Na busca por acessibilidade e respeito

A intolerância contra deficientes acontece, geralmente, de maneira velada. Os comentários depreciativos contra pessoas com deficiência podem até passar despercebidos para nós, mas fazem parte de uma dura realidade para quem tem alguma deficiência. Eles têm limitações diárias de locomoção, acessibilidade, empregabilidade e acesso aos estudos, além de ter de lidar com ofensas e piadas com a própria condição. Os crimes de ódio contra deficientes envolvem intimidação, abuso, comentários de mau gosto, imitações e ataques ataques morais. E a internet facilita abordagens de ódio.

Por trás da intolerância está também a questão dos lugares especiais reservados para pessoas com deficiência, como assentos, vagas preferenciais, atendimento exclusivo em bancos, empresas, instituições. É comum ter seu espaço ocupado e acaba discutindo ou brigando apenas pelo mínimo: ter seus direitos respeitados. A ausência de uma educação inclusiva, que ensine noções de cidadania, respeito e convivência, é o principal motivo para esse tipo de intolerância. Como fruto, pessoas com deficiência acabam tendo seus direitos negados, podem sofrer de baixa autoestima e passam a vida sentindo-se impotentes, como mostra o caso da Thaís Mussio.

POR TRÁS DA INTOLERÂNCIA ESTÁ TAMBÉM A QUESTÃO DOS LUGARES ESPECIAIS RESERVADOS PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA…
Ela usou o espaço das redes sociais para denunciar sua indignação ao ser proibida de viajar para a Austrália por conta de sua condição de cadeirante. Na publicação em seu perfil do Facebook, ela diz querer conscientizar as pessoas de que “uma cadeira de rodas não é sinônimo de doença”. O post teve, até junho deste ano, mais de 3.800 curtidas, e cerca de 1.460 compartilhamentos.
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DADOS  COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE INTOLERÂNCIA COM DEFICIÊNCIA

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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O gráfico mostra que a maioria das menções possuem uma intenção real de ofender, independentemente se a pessoa atacada possui algum traço de deficiência. O objetivo dos xingamentos é desmoralizar a vítima, por traços físicos e/ou psicológicos.

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 As menções possuem vítimas, seja pela desmoralização de figuras públicas na internet ou por comentários mal-intencionados para terceiros e “colegas”, com expressões “retardado” e “retardado mental”.
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Não há uma forte problematização sobre o tema nas redes sociais; somente 4,2% das menções questionam sobre a negatividade de comportamento intolerante.
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A intolerância relacionada à deficiência é majoritariamente invisível – assim como a de aparência. No primeiro período, não tivemos grande disseminação dos comentários intolerantes, surgindo apenas menções avulsas e sem grande impacto.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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Notamos grande diferença do primeiro para o segundo período. Agora temos comentários menos difusos e com grande concentração de menções (ponto 1), que foi gerada pelo comentário intolerante relacionado a uma figura pública, como demonstra a menção acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Homofobia

Para levar a vida em preto e branco?

Um homossexual é assassinado a cada 28 horas no Brasil. O País é líder no ranking de nações com mais registros de casos de homofobia no mundo todo. Segundo a ONG Safernet, responsável por ajudar no atendimento a vítimas de crimes virtuais, 15.141 denúncias de conteúdo homofóbico foram feitas em 2013. Nessa toada, os números só tendem a aumentar.

UM HOMOSSEXUAL É ASSASSINADO A CADA 28 HORAS NO BRASIL.

Em novembro do ano passado, o jovem Ramon Habitsenther, de 21 anos, teve o muro da própria casa pichado com a palavra “bichona”. Em resposta, Ramon fez um post em seu Facebook, no qual aparecia ao lado da pichação. Ele garantiu: “Sou bichona de marca maior!” a fim de mostrar que sua sexualidade não dava a ninguém o direito de ofendê-lo.

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Fonte: http://igay.ig.com.br/2015-11-10/vitima-de-homofobia-universitario-reage-na-internet-bichona-de-marca-maior.html

O ódio e a aversão a homossexuais e à homossexualidade têm nome próprio: homofobia, que envolve ofensas contra gays, lésbicas, transexuais e bissexuais. Os motivos para as práticas homofóbicas vão desde causas culturais e religiosas até inseguranças sobre a própria orientação sexual do agressor. Ao contrário do que acontece com pessoas com deficiência, os insultos aos LGBTs são facilmente identificados, já que esse preconceito ainda parece fazer parte de muitas culturas ao redor do mundo.

DADOS COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE HOMOFOBIA
(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT
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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.
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Quatro quintos das menções intolerantes sobre o tema LGBT são visíveis, isto é, com real intenção de ofender. Apesar de as menções não serem direcionadas necessariamente para um membro assumido da comunidade, há a tentativa de desmoralização da vítima, atribuindo traços de homoafetividade, que culturalmente é tratado como algo negativo ou de baixa moral.
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Mesmo que a vítima agredida não pertença à comunidade LGBT, necessariamente, a maioria das menções é destinada a pessoas reais, como figuras públicas (Jean Wyllys), discussões no Twitter ou “colegas” zoados nas redes sociais.
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O gráfico mostra que a problematização sobre a intolerância LGBT é baixa (5,1%), mas sutilmente maior que outras formas de intolerância. A discussão e o apoio vêm da própria comunidade LGBT e de pessoas simpatizantes, que questionam os padrões normativos e as expressões mal-intencionadas.
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A intolerância com a comunidade LGBT no meio digital não ficou devendo nada para o que já acontece na realidade – no pior sentido. No período, registramos muitos comentários dispersos, mas também dois grandes focos (ponto 1 e ponto 2) de disseminação intolerante, um visível e outro invisível, como ilustram os tweets acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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No segundo período, podemos notar o quanto usuários influentes podem ter papéis decisivos quando compartilham algo nas redes. No gráfico, estão dois grandes focos, ambos gerados por relevantes influenciadores (ponto 1 e 2), que deram dimensão muito maior para o tema no período, como mostram as menções acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Misoginia

Lugar de mulher é onde ela quiser

Online ou offline, mulheres sofrem com o machismo diariamente.

Assédio, ódio declarado, incitações a estupro, nudez vazada, pornografia de vingança e discursos travestidos de “piada” são só um aperitivo do que representa a misoginia – nome dado ao ódio e à aversão às mulheres – tanto nas redes quanto fora delas.

A misoginia, assim como acontece com outras intolerâncias, ganha proporções muito maiores no meio digital, pois existe uma linha muito tênue entre o que é liberdade de expressão e o que se torna discurso de ódio. Ao mesmo tempo que a internet dá mais espaço para que as pessoas digam o que querem, ela também escancara a desigualdade de gênero existente em todas as esferas da sociedade.

A MISOGINIA, ASSIM COMO ACONTECE COM OUTRAS INTOLERÂNCIAS, GANHA PROPORÇÕES MUITO MAIORES NO MEIO DIGITAL

O bom de tudo isso é que, enquanto alguns procuram difundir e ridicularizar mulheres web afora, elas estão usando o espaço para dialogar, debater e promover grupos de discussão, ajudando umas às outras. Hoje é muito mais fácil encontrar páginas feministas (“feminista”, sim, isso não é palavrão) e iniciativas de auxílio a mulheres nas mais variadas redes sociais. Afinal, a luta contra o machismo vai bem além da tela do computador.

Em maio de 2016, o presidente interino do Brasil, Michel Temer,anunciou um ministério composto apenas por homens. Nada de novo sob o sol, não faltaram comentários machistas na internet:

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Fonte: http://azmina.com.br/2016/05/os-10-comentarios-mais-machistas-da-internetsobre-os-ministerios-de-temer/

 

  DADOS COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE MISOGINIA

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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Mais de 80% dos casos de intolerância contra mulheres são visíveis, mostrando como vem sendo corriqueiro menosprezar a figura feminina explicitamente nas redes sociais.

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O gráfico mostra que a maioria dos comentários se refere a mulheres na forma abstrata, mas uma boa parte também se refere a pessoas reais.

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Registramos mais de 10% de menções positivas quando o assunto é misoginia, mostrando uma alta taxa de pessoas que visam criticar comentários que depreciam as mulheres.

A soma das menções positivas totaliza mais de 10%, um grande número se compararmos com outras intolerâncias. Há uma grande discussão sobre esse tema e uma forte reflexão sobre o comportamento machista presente em nossas relações cotidianas.

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A misoginia é uma das intolerâncias que mais são disfarçadas em formatos invisíveis, normalmente como piada. O grafo demonstra como o cenário intolerante perde força quando não há disseminação de menções, tornando- se aleatório e pouco relevante, dando destaque para comentários tolerantes, como está demonstrado acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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Já no segundo período registramos uma grande concentração de comentários (ponto 1), todos gerados por um post falando sobre tolerância e a desconstrução de padrões machistas e generalistas, como você pode notar nos comentários acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Intolerância na política

Quando um posicionamento político vira ódio

Coxinha ou mortadela? Reaça ou comuna? Esse Fla-Flu nunca esteve tão acirrado, e a intolerância política cada vez mais em evidência no Brasil. Esse foi um ódio fomentado principalmente a partir das campanhas para a última eleição, em 2014, impulsionado pelo resultado apertado do pleito e constantemente alimentado pelas crises política e econômica.

No meio dessa confusão toda, proliferaram memes e notícias falsas nas redes sociais, com discursos extremamente rasos que incentivam o ódio e a divisão. Grande parte dessas (des)informações é criada com o objetivo de desmoralizar o outro lado, aproveitando-se do fato de que grande parte das pessoas não checa as informações publicadas na internet (esse, por si só, um defeito de 10 entre 10 usuários da internet), acirrando ainda mais a disputa, sem chegar nem perto de qualificar o debate.

O efeito disso é a negação completa do lado oposto, que deixa de ser visto pelo que é, um grupo que tem uma posição política diferente da sua, para ser encarado como inimigo, um erro clássico de quem ainda não aprendeu a brincar de democracia. Como resultado, chegou-se ao ponto de construir um muro para separar manifestantes durante a votação da aceitação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, em abril de 2016.

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DADOS COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE SOBRE INTOLERÂNCIA POLÍTICA

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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Quase todas as intolerâncias políticas são visíveis, mostrando que as pessoas não se constrangem em ofender ou discriminar os outros por posicionamentos políticos.

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Analisamos que as pessoas demonstram ser intolerantes tanto quando o assunto é relativo a posições políticas abstratas quanto a pessoas físicas que se posicionam politicamente.

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As menções encontradas são predominantemente negativas. O 0,8% de menções positivas demonstra que pouquíssimas pessoas se propõem a criticar ou desconstruir esses posicionamentos políticos intolerantes nas redes sociais.

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Com o cenário de crise política tomando todos os noticiários do período, podemos notar a abismal diferença do grafo de intolerância política com o das outras intolerâncias. No período, grandes influenciadores aqueceram a discussão digital, o que gerou centenas de focos de compartilhamento e disseminação de intolerância das mais diversas vertentes, como pode ser visto nos comentários abaixo:

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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O segundo período demonstra como o cenário tenso na política se estendeu pelos meses de maio e junho, dando continuação à escalada de comentários intolerantes, movimentando o cenário digital.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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Intolerância relacionada à idade/geração

O tempo passa para todo mundo, inclusive pros intolerantes

Todo mundo nasce pequenininho, cresce e envelhece. O ciclo natural da vida é imutável e iminente. Mesmo assim, tem gente que acha que não vai envelhecer nunca e ainda faz questão de deixar a vida de quem já envelheceu, e por isso tem limitações naturais, ainda mais difícil.

Para não alimentar a intolerância que pode engolir todos nós daqui a alguns anos, é melhor repensar em como tratamos nossos velhinhos e velhinhas ainda hoje. Não ter paciência com o tempo que eles precisam pra andar, falar ou entender algo é a conduta padrão. Com isso, deixamos a pressa do dia a dia engolir as pessoas que têm mais a nos ensinar. Vale a pena pensar aonde queremos chegar com toda essa pressa e mudar nossa relação com os idosos. Ninguém é velho demais para nada, inclusive para deixar de ser intolerante.

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DADOS  COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE INTOLERÂNCIA COM A IDADE/GERAÇÃO.

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.IDADE_2

As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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A maioria das menções intolerantes relativas à idade é visível. Grande parte delas visa caracterizar alguém de forma negativa e, ao mesmo tempo, relacionar essa característica com sua idade avançada.

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Quase três quartos das menções encontradas se referiam a casos e pessoas reais, que utilizam o termo “velho” como complemento a uma característica negativa como “nojento”, “babão” e “safado”.

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Mais de 90% das menções são negativas, categorizando a idade, principalmente a velhice, como algo negativo, tendo pouco questionamento sobre a presença desta intolerância.

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A intolerância geracional é difundida nas redes de maneira avulsa e pouco concentrada. A maioria das menções aparece em formato invisível e demonstra conexões frágeis e sem grande influenciadores ou relevância, como ilustram os exemplos acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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O segundo período não destoou do primeiro. O comportamento segue o mesmo com a intolerância geracional: pouca relevância e baixo engajamento, apresentando apenas uma concentração de menções (ponto 1).

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Racismo

Não existe racismo no brasil?

A velha história de que o Brasil é uma democracia racial não passa de um mito, daqueles muitas vezes vendidos como verdade, principalmente para a construção de uma imagem positiva do País lá fora. Apesar de sua composição multiétnica e multicultural, a sociedade brasileira não está, nem de longe, livre do racismo.

FOI A POPULARIZAÇÃO DAS REDES SOCIAIS (MAIS UMA VEZ) QUE AJUDOU A TRAZER ESSA DISCRIMINAÇÃO AINDA MAIS À TONA.
O racismo se explicita de maneira estridente por meio da exclusão social, que faz com que a maioria absoluta dos presos e mortos pela polícia seja negra. Por outro lado, muitas vezes ele aparece velado, disfarçado sob a ideia de que vivemos em um regime de igualdade racial.

Foi a popularização das redes sociais (mais uma vez) que ajudou a trazer essa discriminação ainda mais à tona. Casos notórios, como as ofensas contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, a atriz Taís Araújo e a cantora Ludmilla, entre outros, ajudaram a tornar o racismo à brasileira um pouco mais explícito. Foi a popularização das redes sociais (mais uma vez) que ajudou a trazer essa discriminação ainda mais à tona. Casos notórios, como as ofensas contra a jornalista Maria Julia Coutinho, a atriz Taís Araújo e a cantora Ludmilla, entre outros, ajudaram a tornar o racismo à brasileira um pouco mais explícito.

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DADOS  COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE SOBRE RACISMO.

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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A intolerância religiosa é bem dividida em relação a invisível e visível, pois muitos dos comentários (53,8%) não possuem a intenção de ofender, mas acabam reforçando estigmas preconceituosos, como a frase “chuta, que é macumba”.

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Para as intolerâncias raciais, os comentários são bem divididos entre casos reais ou abstratos, indicando sua presença tanto em relações interpessoais quanto no ideário da população.

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Análise: no caso racial, 97,6% das menções são negativas e apenas 2,1% são positivas. Tal dado mostra como é difícil detectar e criticar positivamente intolerâncias que normalmente são exprimidas de forma velada e implícita.

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Não é novidade no Brasil que comentários racistas são em sua maioria velados e até muitas vezes inconscientes, presentes no vocabulário popular e enraizados na cultura. O cenário digital não é diferente. Majoritariamente foram registrados comentários com intolerâncias invisíveis, como demonstrados nos casos acima.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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Já no segundo período, registramos alguns comentários que tentavam desconstruir comentários intolerantes (ponto 2). No mais, foram comentários avulsos e sem grande relevância.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Intolerância religiosa

Pelo direito de acreditar (ou não acreditar)

As pessoas acreditavam em muita coisa. Os egípcios ergueram grandes estátuas de deuses-cachorro, os vikings louvavam divindades com martelos gigantes, os gregos negociavam seus destinos com os deuses, e, bem, o que dizer do bom velhinho que entrega presentes no Natal? O fato é que não interessa se eles existem mesmo ou não. Seres humanos acreditam em coisas diferentes, e é isso que os torna tão especiais e interessantes. É nosso dever aprender a conviver e respeitar com pensamentos e crenças diferentes. Afinal, você também quer ter o direito de acreditar – ou não – no que bem entender, né?

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No Brasil, quem acaba sofrendo mais com a intolerância religiosa são, principalmente, as religiões de matrizes africanas. Isso pode ser explicado pelo fato de que a maioria esmagadora da sociedade costuma seguir dogmas ocidentais – que fazem questão de demonizar diferentes culturas, especialmente as
africanas. Mesmo fazendo parte da história do País, as religiões africanas carregam toneladas de preconceitos, reforçados por expressões que se tornaram naturais, do tipo “chuta, que é macumba”. É importante tomar cuidado com o que se fala. Às vezes, reafirmamos preconceitos sem perceber. Então, da
próxima vez que o azar bater à sua porta, não é legal jogar a culpa no gato preto que cruzou seu caminho.

 

DADOS  COLETADOS NAS REDES SOCIAIS SOBRE INTOLERÂNCIA RELIGIOSA.

(ABRIL, MAIO E JUNHO DE 2016) MONITORAMENTO BY TORABIT

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam necessariamente a real incidência da intolerância em relação à aparência no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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A intolerância religiosa é bem dividida em relação a invisível e visível, pois muitos dos comentários (53,8%) não possuem a intenção de ofender, mas acabam reforçando estigmas preconceituosos, como a frase “chuta, que é macumba”.
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A maior parte das menções é abstrata, isto é, não possui uma vítima em específico. A ofensa é destinada a um grupo de pessoas, não atingindo, na maioria das vezes, um indivíduo em particular.
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A maior parte das menções é intolerante, mesmo que invisível e abstrata. É expressiva a quantidade de menções neutras, 7,4%, mostrando que muitas pessoas comentam sobre o assunto, mesmo não mostrando posicionamento.
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No segundo período, confirmamos nosso primeiro mapa, afirmando o cenário avulso e aleatório dos comentários intolerantes com religiões e destacando a maior incidência de comentários contra a religião evangélica.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Muito além das fronteiras

Xenofobia

A crescente onda migratória dos últimos anos fez com que a xenofobia voltasse com força em todo o mundo, particularmente na Europa. Impulsionado pelo número cada vez maior de refugiados, que em grande parte fogem de conflitos armados e da miséria que assola países da África, Ásia, América e do Oriente Médio, o discurso de ódio contra estrangeiros tem ganhado muitos adeptos.

Apesar de não estar exatamente no centro de toda essa questão, o Brasil não foge à regra, com um enorme crescimento no número de casos de xenofobia nos últimos anos. Dados da Secretaria Especial de Direitos Humanos, do Ministério da Justiça e Cidadania, mostraram um aumento de 633% nas denúncias de xenofobia no País apenas em 2015. As maiores vítimas foram haitianos, com 26,8%, e árabes, com 15,4%.

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Como gritam os números, a chegada em massa de imigrantes haitianos foi o ponto de partida dessa explosão por aqui, mas eles não são as únicas vítimas. Pessoas de outros países também já relataram agressões, especialmente latino-americanos, africanos e árabes. Além disso, temos no Brasil uma espécie de xenofobia interna, com o discurso de ódio regional sempre presente, principalmente contra nordestinos

 

TEMOS NO BRASIL UMA ESPÉCIE DE XENOFOBIA INTERNA, COM O DISCURSO DE ÓDIO REGIONAL SEMPRE PRESENTE, PRINCIPALMENTE CONTRA NORDESTINOS.

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As proporções mostradas nesse mapa de calor não revelam a real incidência de intolerância no Brasil, já que ele também é afetado pela densidade de pessoas com acesso à internet no País.

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A maioria das menções captadas mostra uma intolerância visível, em que a pessoa é discriminada abertamente de acordo com seu local de origem. Comentários que relacionam árabes a bombas e a frase “japonês é tudo igual” são constantes.

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A xenofobia expressa nas redes demonstra ser um pouco mais real do que abstrata, demonstrando casos de intolerância regional, étnica e xenófoba.

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Apesar de os comentários serem majoritariamente negativos, encontramos mais de 12% de comentários positivos, indicando que muitas pessoas problematizam esse tipo de intolerância nas redes.

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O cenário xenófobo digital no Brasil não tem tanta relevância como no exterior, e é mais incidente em regiões específicas, como o Nordeste. Por isso o grafo da intolerância é totalmente disperso e sem grandes concentrações.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

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O segundo período reforça a ideia de que os comentários xenófobos são raros e avulsos. As pequenas concentrações são, na maioria das vezes, desconstruindo comentários preconceituosos.

Os pontos de conexões não analisados tiveram suas menções de origem apagados pelas redes sociais, devido seu teor ofensivo antes da nossa captura.

Intolerância na sua timeline:

 

Vai deixar barato?

Já passou o tempo em que a internet era terra de ninguém. Mesmo com a escalada da intolerância nas redes, hoje existem alguns serviços importantes para denunciar os intolerantes digitais. Não pode ter moleza para a intolerância na web, e isso está nas nossas mãos. Seja no Facebook, no Twitter ou nos comentários de algum portal de notícias, se algo soar ofensivo, você pode e deve denunciar.

Delegacias especializadas em crimes virtuais:

DIG-DEIC – 4ª Delegacia – Delitos praticados por Meios Eletrônicos. Presta atendimento presencial, por telefone e via Web. Endereço: Av. Zack Narchi, 152, Carandiru – São Paulo (SP) Fone: (11) 2224-0721 ou 2221 – 7030.

Rio de Janeiro:

Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) – Rua Professor Clementino Fraga, nº 77 (2º andar), Cidade Nova (prédio da 6ª DP), Rio de Janeiro/RJ (CEP: 20230-250), telefones (0xx21) 2332-8192, 2332-8188 e 23328191 e e-mails drci@pcivil.rj.gov.br.

Espírito Santo:

Delegacia de Repressão a Crimes Eletrônicos (DRCE) – Av. Nossa Senhora da Penha, 2290, Bairro Santa Luiza, Vitória/ES (CEP: 29045-403), telefone (0xx27) 3137-2607 e e-mail drce@pc.es.gov.br.

Minas Gerais:

DEICC – Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos – Av. Nossa Senhora de Fátima, 2855 – Bairro Carlos Prates – CEP: 30.710-020, Telefone (33) 3212-3002, e-maildercifelab.di@pc.mg.gov.br.

Paraná:

Nuciber da Polícia Civil do Paraná – Rua José Loureiro, 376, 1º andar – sala 1  – Centro – 80010-000 – Curitiba-PR, Tel:(41) 3323-9448 – Fax: (41) 3323-9448, e-mail cibercrimes@pc.pr.gov.br.

Rio Grande do Sul:

Delegacia de Repressão aos Crimes Informáticos (DRCI/DEIC) – Av. Cristiano Fischer, 1440, Bairro Jardim do Salso em Porto Alegre, na mesma sede do DEIC. O telefone de contato é (0xx51) 3288-9815, e-maildrci@pc.rs.gov.br.

Distrito Federal:

Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (DICAT) – Não atende diretamente ao público, neste caso a vítima pode procurar a delegacia mais próxima para efetuar registro de ocorrência, A DICAT é uma Divisão especializada em crimes tecnológicos que tem como atribuição assessorar as demais unidades da Polícia Civil do Distrito Federal, o telefone é (0xx61) 3462-9533 e e-mail dicat@pcdf.df.gov.br.

Goiás:

Gerência de Inteligência da Polícia Civil – Setor de Análise (0xx62) 3201-6352 e 6357).

Pará:

Delegacia de Repressão aos Crimes Tecnológicos – Travessa Vileta, n° 1.100,  Pedreira. Belém-PA. CEP: 66.085-710, com telefone de contato (91) 4006-8103, e-mail drct@policiacivil.pa.gov.br. A DRCT é vinculada à Diretoria de Repressão ao Crime Organizado.

Mato Grosso – Cuiabá:

Gerência de Combate a Crimes de Alta Tecnologia – GECAT –  Av. Cel. Escolástico Nº, Bandeirantes – Cuiabá – Cep: 78.010-200 – Telefone: (65) 363-5656

Sergipe – Aracaju

Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos (DRCC) – Rua Laranjeiras, nº 960, Bairro Centro  – Aracaju – Cep: 4900-000 telefone: (79) 3198-1124

Para denúncias via e-mail:
webpol@policia-civ.sp.gov.brPolícia de São Paulo especializada em crimes na internet. Aceita denúncias anônimas.

cibercrimes@pc.pr.gov.br – Delegacia do Paraná especializada em crimes na internet.

drce@pc.es.gov.br – Delegacia do Espírito Santo especializada em crimes na internet.

drci@pcivil.rj.gov.br – Delegacia do Rio de Janeiro especializada em crimes na internet.

drct@policiacivil.pa.gov.br – Delegacia do Pará especializada em crimes na internet.

dercifelab.di@pc.mg.gov.br – Delegacia de Minas Gerais especializada em crimes na internet.

mail-abuse@cert.br – Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT) – Para enviar denúncias de mensagens ofensivas (deve-se enviar uma cópia do e-mail original, e você deve informar a instituição que está sendo utilizada no golpe).

phishing@cais.rnp.br – Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS) da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) – Para encaminhamento de denúncias (deve-se enviar uma cópia do e-mail original, e você deve avisar a empresa de que o seu nome está sendo usado na execução de um golpe virtual).

artefatos@cais.rnp.br – Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança (CAIS) da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) – Para enviar denúncias de aplicativos suspeitos (cavalos de troia e outros programas maléficos usados nos golpes on- line).

crime.internet@dpf.gov.br – Denúncias de crimes na internet podem ser feitas ao novo canal da Divisão de Comunicação Social da Polícia Federal.

Para denúncias via sites:

www.humanizaredes.gov.br – Denuncie mensagens preconceituosas, racistas, xenofóbicas e que violem os Direitos Humanos.

www.safernet.org.br/site – Organização não governamental que reúne especialistas para combater crimes digitais. Denuncie crimes como pornografia infantil, racismo, xenofobia, intolerância religiosa, neonazismo, apologia e incitação a crimes contra a vida, homofobia, apologia e incitação a práticas cruéis contra animais e tráfico de pessoas.

www.ic3.gov/default.aspx – Site para denunciar crimes digitais internacionais.

Para denúncias por telefone:
Você também pode contar com o serviço do Departamento de
Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, é só discar 100.

Campanhas sobre intolerância da

nova/sb

Empatia, tolerância, não são coisas fáceis. Se colocar no lugar do outro para descobrir como melhor retratar as pessoas é o que a nova/sb faz. Seja qual for o tema ou o cliente. Mesmo quando não abordamos diretamente a intolerância. Todas as peças seguem um rígido controle de qualidade com relação a estereótipos em textos e imagens. Mas a gente vai bem alem disso para mostrar pessoas como pessoas, com muita sensibilidade.

Homofobia
Foi assim que fizemos a primeira campanha contra a homofobia de um governo de Estado na America Latina, em 2011. Além do filme (com versão também em inglês para divulgação no exterior), foram feitas peças para internet, spot de rádio e mídia impresa, com cartazes e outdoors com modelos LGBTs. Toda a estratégia criativa foi discutida com organizações LGBTs.

Racismo
Para o Dia da Consciência Negra (20/11), o poema Encontrei Minhas Origens, do poeta e pesquisador Oliveira Silveira, que conta a história dos negros no país e a sua trajetória rumo ao encontro de uma vida brasileira e a uma identidade nacional.

Mais da metade dos homicídios no Brasil (53%) atinge pessoas jovens. A maioria deles (75%) são jovens negros, de baixa escolaridade, na faixa etária de 15 e 29 anos. O filme Juventude Viva, criado em 2013 para o governo federal, vai ao ponto.

Inclusão
Por que o abraço é mais gostoso de olhos fechados? Ou que fechamos os olhos na hora do beijo. Mostrar a sensibilidade de todos os sentidos além do que cada um de nós enxerga foi o desafio da campanha Além do Que Você Enxerga, que fizemos para os 50 anos da Dorina Norwill para Cegos.

Mulher
Em 2014, a gente fez um filme para a internet assinado pela nova/sb com um recado muito claro: vitima nunca é culpada.

A violência contra a mulher, aliás, foi tema de várias de nossas campanhas:
A campanha Metrô contra o abuso usou o conceito “Você não está sozinha” para mostrar que que a vítima tem todo o apoio do Metrô de São Paulo – seus funcionários, mais de 1.000 agentes treinados, as mais 3.000 câmeras – para cuidar desse tipo de caso. As peças reforçam os canais de denúncia, como SMS e aviso aos funcionários, e estimulam os outros passageiros que presenciarem esses casos de abuso a também denunciar.

A mulher não é objeto. Muito menos ponto turístico. Com dois anúncios, criados pela nova/sb, a revista Marie Claire convocou em 2007 os brasileiros para uma mobilização nacional contra o turismo sexual.

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A campanha Disque 180 divulgou o número para denunciar a violência contra a mulher.

A gente também mostrou que a mulher é a protagonista na luta pelos próprios direitos.  A campanha do Dia da Mulher 2016 mostra a mulher na estrada, no trabalho, nos esportes, na ciência. Com mais direitos, mais participação e mais poder as mulheres podem construir a vida assim, do jeito que quiserem!

Tô na luta conta a trajetória de coragem, desafios, superação e vitórias da lutadora Joice Silva que, na voz de Karol Conka, foi transformada em um verdadeiro grito de guerra. A rapper brasileira Karol Conka vem se destacando no cenário musical por falar do empoderamento das mulheres negras, com letras fortes e realistas.

Conviver, Aceitar

A ideia de debruçar-se sobre a intolerância como fenômeno crescente na sociedade brasileira e entender suas origens, causas e facetas surgiu após nos depararmos com casos que, dia após dia, reforçavam nossa crença de que a comunicação pode ser um agente transformador na vida das pessoas.

Manifestações de xenofobia, homofobia, racismo, misoginia, intolerância geracional, política, de aparência, classes sociais e de ciência são, antes de tudo, dificuldades de diálogo. Diálogo no sentido de troca de ideias que tenha por finalidade alguma forma de resolução, solução, encontro dos diferentes em favor de algo comum. A diversidade é fundamental e deve ser preservada, mas não há sentido em relacionar-se com outras pessoas se não houver interesse e finalidade comuns nessa troca.

A comunicação e o diálogo, que a cada dia recebem novos significados e nuances em tempos digitais, têm a ver com a empatia, com a aceitação, com a capacidade de imaginar-se no papel do outro. Afinal, não é isso o que mais queremos quando estamos diante do outro? Sermos compreendidos? É essencial entender que esse processo é uma mão dupla: aceitar para ser aceito, compreender para ser compreendido.

Nesse esforço diário, a tolerância é só o começo. Apenas suportar a presença e as escolhas dos outros parece muito pouco para uma sociedade que deseja evoluir. Aceitação e convivência são o objetivo final. Desejamos que esse esforço seja mais um passo nessa jornada.

Nesse sentido, apesar de termos usado e abusado do termo “intolerância”, cujo contrário é a “tolerância”, nós também queremos, com o devido respeito, ser intolerantes com a tolerância. Porque essa expressão remete à indulgência e à condescendência. Não é isso que se quer, nenhuma condescendência. Enfim, por que daqui pra frente não passamos a usar o termo “aceitação” no lugar de “tolerância”?

Comunica Que Muda by nova/sb

Apêndice – Metodologia de pesquisa

Ambiente de análise: foram analisadas as redes Facebook, Twitter e Instagram, além de páginas de blogs e comentários de sites da internet.

Métricas selecionadas: número de menções, mapa de calor da intolerância, nuvens dos termos mais citados em cada universo de busca.

Taxonomia e categorização: intolerância visível vs. invisível; intolerâncias reais vs. abstratas; menções intolerantes (negativas) vs. reações a intolerâncias (positivas).

Dados: primários e secundários.

Monitoramento realizado com o método de amostragem aleatória simples.

Período analisado: abril a junho de 2016.

O monitoramento foi feito via plataforma Torabit.

Créditos

Coordenação-geral: Bia Pereira, Caio Túlio Costa, Fernando
Cespedes e Stephanie Jorge

Supervisão: Ana Cristina Gonçalves e Karla Mendes

Direção de criação: Hermes Zambini e Marcelo Maia

Direção de arte: Fabricio Curi, Henrique Castro e Bruna Paniago

Redatores: Caio Túlio Costa, Fernando Cespedes, Ketlyn Araújo,
Lucas Quinelato, Marcelo Nascimento, Rodrigo Camargo,
Stephanie Jorge e Vitor Medalla

Planejamento: Bia Pereira, Caio Túlio Costa, Fernando
Cespedes, Rodrigo Camargo e Stephanie Jorge

Atendimento: Joana Araújo

Monitoramento: Lucas Quinelato, Rodrigo Camargo
e Vitor Medalla

Análise: Caio Túlio Costa, Lucas Quinelato, Rodrigo Camargo,
Stephanie Jorge e Vitor Medalla

Arte-final: Ricardo Reis

Produção digital: João Paulo Oliveira

Produção gráfica: Paulo Gonçalves e André Silva

Revisão de texto: Ricardo Milesi

Realização: nova/sb

Fonte: Comunica que muda

Comunicação pública não pode estar sujeita a partidos políticos, diz presidente da Public Media Alliance

Comunicação pública não pode estar sujeita a partidos políticos, diz presidente da Public Media Alliance

Para Sally-Ann Wilson, presidente de associação internacional que congrega 104 emissoras públicas de rádio e TV de 54 países, ‘é essencial que tenhamos uma comunicação pública que possa oferecer uma visão alternativa da mídia privada’

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Em pelo menos 150 países, com configurações políticas diversas, existe algum sistema de comunicação pública. “Em geral, onde a democracia está, a comunicação pública também está”, diz Sally-Ann Wilson, presidenta executiva da Public Media Alliance (PMA), maior entidade representativa desse tipo de organização midiática no mundo.

A organização tem um conselho administrativo presidido pela paquistanesa Moneeza Hashmi e composto por executivos de mídia de países como Austrália, Grã-Bretanha, Índia, Namíbia e Botswana.

A PMA congrega 104 emissoras de rádio e TV de 54 países e atua pela manutenção da autonomia e independência dos veículos em casos de tentativas de interferência.

Em um dos casos mais recentes, a PMA se posicionou contrária a medidas adotadas pelo presidente polonês, Andrzej Duda. Por decreto, ele modificou a legislação para que o diretor da organização pública de comunicação, antes escolhido por uma junta independente, passasse a ser indicado pelo ministro das Finanças.

“Mesmo em países em que a comunicação pública é realmente bem-sucedida, há uma tensão constante para se manter esse equilíbrio no que diz respeito às leis de meios, às regulamentações”, disse Sally-Ann Wilson, em entrevista por telefone à Agência Brasil.

Sally-Ann foi por mais de dez anos produtora de TV da britânica BBC, considerada a mais bem-sucedida corporação de mídia pública do mundo, e esteve no Brasil há dois anos para participar de um congresso mundial de emissoras públicas sediado na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). A EBC não faz parte da associação.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Agência Brasil: Por que um país deveria investir na consolidação de uma comunicação pública?
Sally-Ann Wilson: Como sabemos, a mídia é poderosa, pois molda a forma como pensamos e agimos. E quem, num país democrático, quer ser moldado pelos interesses de políticos ou interesses comerciais? Entendemos que é um direito humano fundamental ter acesso a uma mídia independente e imparcial. Uma boa organização de comunicação pública vai fornecer um espaço midiático confiável, compartilhado e independente para um país. Isso é essencial para uma democracia eficaz, pois ela depende de cidadãos informados. O público precisa de um espaço livre e aberto à discussão que não seja influenciado por políticos e parlamentares nem por interesses comerciais privados. Um espaço saudável de comunicação pública é bom para a coesão social, para a economia e também para a democracia.

Agência Brasil: Como assegurar essa autonomia?
Sally-Ann: É realmente importante tentar garantir que a comunicação pública seja livre de qualquer interesse. Inevitavelmente, os interesses vão se imiscuir na esfera da comunicação pública, mas o que se deve é assegurar que haja transparência sobre qualquer tentativa de se exercer essa influência. Nós cremos que é fundamental, para isso, assegurar a existência de leis de meios apropriadas e o pano de fundo regulatório adequado para uma emissora pública. Garantir que o mandato do presidente-executivo não coincida com as eleições presidenciais e parlamentares é uma boa medida, pois assim se pode tentar retirar a influência de políticos sobre o que é veiculado na comunicação pública. O mais efetivo é a existência de um comitê indicado pela sociedade e que os diretores dos veículos públicos sejam indicados por ele. Sempre haverá alguma influência política, mas pode ser mantida a um mínimo e equilibrada por outros interesses. Aqui, no Reino Unido, estamos estudando mudanças, pois, agora, temos um novo ciclo eleitoral, de cinco anos, então a BBC vai ter o período de reavaliação [do planejamento estratégico] alterado, para que seja feito a cada 11 anos e não 10 anos, como antes. Uma organização de comunicação pública não pode estar sujeita a partido político. O importante é ter certeza de que a regulamentação seja um processo democrático e manter isso o mais independente possível, mas sempre vai haver tensão.

Agência Brasil: No atual momento de crise econômica e recessão no Brasil, alguns setores da sociedade questionam a necessidade de se manter uma estrutura de comunicação pública.
Sally-Ann: Uma boa comunicação pública deve prestar contas à sociedade e ser transparente para o público. É um equilíbrio bastante difícil. As tensões são frequentes. Mesmo em países em que a comunicação pública é realmente bem-sucedida, há uma tensão constante para se manter esse equilíbrio no que diz respeito às leis de meios, às regulamentações, nesse espaço simbólico onde a mídia é colocada. Os cidadãos são, muitas vezes, mais compreensíveis do que achamos. Mas é importante ter uma cultura de comunicação pública e promovê-la. Aqui, no Reino Unido, temos uma longa história de comunicação pública, mas em países em que o tema é novo, eu acho que deve haver um trabalho de conscientização sobre o seu valor.

Agência Brasil: E como pagar a conta?
Sally-Ann: Há uma grande variedade de meios [de financiamento] em diferentes países. Em muitos, há uma taxa cobrada por domicílio. O importante é que os recursos tenham destinação específica, que as leis estejam lá para garantir que o dinheiro vá para a emissora pública, e também assegurar que as empresas de comunicação pública prestem contas à sociedade. Precisamos poder enxergar se a companhia não se tornou grande demais e não está somente desperdiçando dinheiro. O fato de ser propriedade pública significa que a organização deve ter suas contas abertas para escrutínio. Por outro lado, também é preciso que a empresa tenha dinheiro suficiente para funcionar eficientemente.

Agência Brasil: Como as empresas privadas de comunicação costumam reagir à implantação de um sistema público de comunicação?
Sally-Ann: Vivemos em uma era midiática altamente fragmentada e competitiva e sempre há muita competição por audiência. Em todos os lugares do mundo, companhias privadas veem as empresas públicas de comunicação com uma vantagem desleal. Por serem subsidiadas, são vistas como não sendo obrigadas a lutar pela própria sobrevivência ou que pagar para se manter. Mas, na verdade, é essencial que tenhamos uma comunicação pública que possa oferecer uma visão alternativa da mídia privada. Porque se é patrocinada comercialmente, pode haver distorções nas histórias, distorções na linha editorial. E todos temos o direito, como cidadãos mundiais, a ter acesso a uma mídia gratuita. Precisamos entender que muitos veículos de mídia têm um viés. Precisamos apoiar a comunicação pública e tentar assegurar que ela não tenha viés.

Agência Brasil: Uma outra crítica frequente à comunicação pública é sua baixa audiência.
Sally-Ann: A sociedade precisa entender que o dinheiro investido em uma organização de comunicação pública não se traduz somente pelo tamanho da audiência. Se uma organização de comunicação pública tem uma audiência maior, suas rivais privadas a acusam de concorrência desleal, por ser subsidiada. Por outro lado, se a audiência for muito baixa, as empresas privadas dizem que ninguém está vendo ou ouvindo. Mais uma vez, é tentar manter um equilíbrio entre alta qualidade, que assegure programação para todos, sem passar a impressão de que uma baixa audiência significa que esses programas são difíceis de assistir, mas sim que têm informações vitais que o público precisa conhecer. Eu não acho que uma boa organização de comunicação pública possa ser reduzida a números de audiência, essa não é uma razão para acabar com uma empresa.

Agência Brasil: Como o entendimento do público sobre as especificidades da comunicação pública pode ser determinante para seu sucesso?
Sally-Ann: O entendimento do público sobre o que é a comunicação pública é realmente necessário para que uma emissora pública, de rádio, TV ou portal online possa sobreviver. O público precisa saber qual a diferença. O público precisa ser capaz de perceber que se trata de uma novidade de alta qualidade, que reflete a vida deles. Não é simplesmente entretenimento trazido de outras partes do mundo, é um espaço midiático que reflete como eles vivem sua vida, em toda sua diversidade.

Agência Brasil: Qual o alcance da comunicação pública hoje no mundo?
Sally-Ann: Há cerca de 150 países que têm algum tipo de organização de comunicação pública. Elas são muito diversas na maneira como são financiadas. Nos últimos anos, houve um recuo, pois quando a internet surgiu, todos pensavam que fosse ser grátis e democrática, para todos. Mas vimos que há corporações digitais gigantes que ocupam esse espaço midiático, como Google, Facebook etc. Por isso, é importante que cada país procure ter, em tempos de crise e urgência, algum tipo de mídia que seja pública e confiável para o público, proporcionando informação vital para áreas de debates cruciais em tempos de crise. Então, vimos um recuo e agora estamos vendo uma retomada novamente do interesse em comunicação pública e o que ela pode fazer, contanto que seja regulada apropriadamente.

Agência Brasil: E a comunicação pública encontra-se, em geral, sob ameaça?
Sally-Ann: Há lugares em que floresce, há lugares em que fenece. Nos lugares em que está bastante ameaçada, isso se dá pela influência de uma mídia pouco democrática, de grandes conglomerados globais. Há bolsões em que a comunicação pública é forte, Escandinávia, por exemplo. Em geral, onde a democracia está, a comunicação pública também está. Mas em qualquer lugar, é preciso tomar cuidado para que não se torne muito grande. Há países em que se colocou dinheiro demais, então é preciso reduzir para que o público não deixe de acreditar. Ao mesmo tempo, há países em que o governo controla, e isso não é comunicação pública.

Agência Brasil: Em sua opinião, o Brasil deu bons passos em direção a uma boa comunicação pública?
Sally-Ann: Quando da criação da EBC, houve sim a sensação verdadeira de que isso foi um bom passo. Quando fomos ao Rio, percebemos um crescente interesse por comunicação pública em toda a América Latina. Isso foi um sinal muito bom. Mesmo sem saber bastante sobre os detalhes, me pareceu um avanço positivo e eu acho que isso encorajou outras partes do mundo.

Agência Brasil: Ao longo dos últimos meses de agitação política no Brasil, a comunicação pública foi frequentemente acusada de partidarismo. Esse tipo de mídia é mais sujeita a esse tipo de crítica?
Sally-Ann: É preocupante ver o tamanho da agitação que ocorre hoje no Brasil. Acho que é um momento para que o público perceba que pode confiar em seus meios de comunicação, e também que os políticos cumpram as regras. Não acho que a comunicação pública seja geralmente vista como mais partidária do que qualquer outra tipo de mídia. Com frequência é menos. Mas é um imperativo que seja transparente e que preste contas, pois esse tipo de confiança é crítica.

Fonte: Agência Brasil

Grupo de Pesquisa lança site com estudos em Comunicação Política e Eleitoral

Grupo de Pesquisa lança site com estudos em Comunicação Política e Eleitoral

O portal reúne trabalhos acadêmicos de 13 pesquisadores entre doutores, doutorandos, mestres e mestrandos

Sem títulokkkkkkkkk

Pesquisadores, estudantes e interessados em Comunicação Política e Eleitoral terão mais uma ferramenta de pesquisa, leitura e conhecimento na área. Nesta sexta-feira, 1º de abril, o CEL, (Grupo de Pesquisa em Comunicação Eleitoral) da Universidade Federal do Paraná, lança site voltado aos estudos e trabalhos acadêmicos nas áreas de Comunicação Eleitoral, Partidos Políticos, Comunicação Governamental e Gênero e Política.  O endereço é http://www.comunicacaoeleitoral.ufpr.br. O site ainda possui páginas e perfis nas plataformas do Facebook e Instagram.

Coordenado pela Prof. Dra. Luciana Panke, o grupo de pesquisa é certificado pelo CNPq e integra a linha de Pesquisa Comunicação, Política e Atores Coletivos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da UFPR, com parceria do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPR e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora. Pesquisadores de outras universidades também participam do grupo. O site conta com cerca de 100 trabalhos entre e-books, capítulos de livros, artigos publicados em revistas científicas, anais de eventos, revistas eletrônicas e demais publicações.

O portal reúne trabalhos acadêmicos de 13 pesquisadores entre doutores, doutorandos, mestres e mestrandos. “É uma ferramenta para dar visibilidade aos nossos estudos e colocar nossas pesquisas à disposição de outros pesquisadores e interessados na área, para que possamos fomentar as discussões sobre comunicação política e eleitoral e ampliar o debate em torno desse assunto”, avaliou a coordenadora do CEL, Luciana Panke.

Além dos trabalhos acadêmicos e discussões metodológicas, o site oferece notícias relacionadas às áreas de interesse, entrevistas, publicações, calendário de eventos e possibilita que o internauta tenha contato com os pesquisadores do grupo por meio de diversas plataformas. Por meio do site, será possível também acompanhar o andamento das pesquisas de cada um dos integrantes e informar-se sobre congressos e chamadas de revistas cientificas nas áreas de Comunicação e Ciência Política.

Contato:

Assessoria de Imprensa

Ricardo Tesseroli – 41 9919 1656

comunicacaoeleitoralufpr@gmail.com

Por favor, onde posso me informar sobre a crise?

Por favor, onde posso me informar sobre a crise?

A crise política funcionou como agravante de uma situação que as pessoas já vinham sentindo quando entravam em alguma rede social e percebiam a avalanche de novos dados

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Esta é a pergunta que mais tenho escutado nos últimos dias durante conversas pela internet e em debates públicos ou de botequim. Impressiona a quantidade de brasileiros confusos e desorientados diante de uma batalha informativa que aumenta de intensidade a cada dia e cujo desfecho não é possível vislumbrar. É o drama vivido por pessoas que não vestiram nenhuma camiseta partidária e que sofrem as consequências de um turbilhão de versões e contra- versões difundidas freneticamente por uma imprensa que perdeu o senso de isenção.

Para tentar dar uma resposta aos milhares de leitores perplexos é necessário primeiro entender por que as pessoas estão vivendo este tipo de preocupação hoje . A desorientação informativa tem duas causas principais: uma estrutural, a mudança nos hábitos, comportamentos e valores informativos provocada pela internet, redes sociais, blogs e outros sistemas que dão às pessoas o poder de publicar suas opiniões e informações; e uma causa conjuntural, provocada pela crise político/partidária que estamos vivendo no Brasil e que gerou uma polarização ideológica nos veículos de comunicação do país.

A crise política funcionou como agravante de uma situação que as pessoas já vinham sentindo quando entravam em alguma rede social e percebiam a avalanche de novos dados, fatos e eventos que desafiam a capacidade de compreensão e contextualização, ou seja, de transformá-los em informações capazes de orientar nossos comportamentos.

O tsunami noticioso

A guerra de versões e contra-versões já existia em crises anteriores, como o golpe de 1964 e o impeachment de Collor, mas os protagonistas da guerra informativa se resumiam a uns poucos jornais, uma dúzia de emissoras de rádio e não mais de três redes de televisão. Agora há quase 100 milhões de brasileiros com acesso à rede social Facebook, onde se informam e opinam sobre os fatos de atualidade. Cerca de 25 milhões dos internautas tupiniquins visitam diariamente blogs noticiosos, um número muito maior do que a soma de todos os leitores de todos os jornais e revistas publicados no país. O resultado inevitável é uma mega cacofonia informativa.

A busca de resposta para a pergunta do título implica num mergulho em um dos mais complexos dilemas da nova era informativa que estamos vivendo. As pessoas estão procurando uma referência, uma espécie de oráculo informativo no qual possam confiar integralmente. Mas a dura realidade é que este oráculo não existe, o que nos leva a ser contaminados pela sensação de que vivemos no meio de um caos informativo. As pessoas procuram certezas mas só encontram dúvidas.

Fomos, em grande parte, educados na tradição cristã de que há uma verdade absoluta. Os antigos acreditavam que ela emanava de divindades. Hoje, a cultura ocidental tende a transferir a certeza informativa para empresas, como jornais, e instituições como os tribunais, juízes e cortes supremas. No entanto, depois da revolução nas tecnologias de informação provocada pela internet, até esta certeza começou a ser posta em dúvida graças à divulgação massiva de dados, fatos, eventos e processos antes ocultos sob o manto do sigilo e da omissão noticiosa.

A ilusão da verdade absoluta

O certo é que perdemos o conforto de depositar em alguém ou em alguma instituição a tarefa de nos dizer o que é certo ou errado, justo ou injusto, necessário ou supérfluo. E na atual conjuntura de crise nacional, não temos nem um jornal plenamente confiável e nem uma televisão acima de qualquer suspeita. Não podemos nem mais acreditar no que dizem governantes, políticos, magistrados, pesquisadores e líderes religiosos. Suas declarações e ações respondem a interesses ou estratégias partidárias e nos faltam elementos para identificá-los e compreendê-los.

As pessoas comuns sentem os efeitos da insegurança informativa de forma diferente. Quem vestiu a camiseta partidária tem menos preocupações porque de certa forma transferiu suas dúvidas para uma instituição ou liderança. O que o partido ou dirigente partidário decidirem, é o que vale e é verdadeiro. Já os que não militam em organizações políticas e decidiram pensar pela própria cabeça estão mergulhados na incerteza, que é angustiante e que motiva a pergunta do início deste artigo.

Para respondê-la é necessário primeiro admitir que não podemos nos informar lendo apenas um jornal, uma revista ou assistindo apenas a um telejornal ou só os blogs com os quais concordamos politicamente. A diversidade de fontes é hoje mais importante do que nunca por causa da avalanche de informações publicadas diariamente em todos os veículos de comunicação, tanto os impressos e audiovisuais, como os da internet. É o que dizem os pesquisadores científicos, talvez aqueles que mais dependem de informação confiável e exata para poder desempenhar seu trabalho.

Evidentemente são pouquíssimas as pessoas que dispõem de tempo para ler diariamente vários jornais, revistas, assistir diferentes telejornais e passar várias horas na internet navegando por sites noticiosos. Mas o pouco que cada um sabe pode se transformar num belo acervo informativo quando compartilhado em grupos ou comunidades sociais. É o que está acontecendo em países onde a avalanche informativa é mais intensa, como os Estados Unidos.

Apanhadas no meio do fogo cruzado da batalha informativa as pessoas buscam nas conversas e debates com vizinhos, colegas ou amigos a forma de compensar a angústia por não terem condições de entender o que está acontecendo. Os que já praticam esta modalidade de captação, processamento e difusão de notícias sabem que é inviável chegar a certezas absolutas. Mas pelo menos a angústia diminui.

A produção colaborativa de informações não é mais um jargão exclusivamente jornalístico pois está sendo adotado também por grupos de cidadãos que já sentem na carne a necessidade de mudar comportamentos e valores na hora de se informar. Estamos sendo obrigados a reaprender a ler uma notícia porque suas causas e consequências passam a ser mais importantes do que o fato, dado ou evento noticiado . Também estamos sendo forçados a trocar nossos valores individualistas pela colaboração. Para nos informar visando formar opiniões pessoais, precisamos agora mais do que nunca conversar com outras pessoas e ouvir delas os dados e informações de que não dispomos.

Talvez esta não seja a resposta que muitos esperavam, mas é a melhor que se pode dar no contexto atual.

Fonte: Observatório da Imprensa

Seminário “Política, Economia, Direito e Mídia: os fundamentos da crise”

Seminário “Política, Economia, Direito e Mídia: os fundamentos da crise”

Fórum 21 –  Ideias para o avanço social promove seminário na Câmara Legislativa de Brasília.

“O desafio é trazer transparência histórica a um ambiente democrático aturdido pela corrosão do estado de Direito, pela judicialização da política, pelo questionamento das urnas, pela ofensiva aos direitos sociais e pela desqualificação midiática da luta por um Brasil justo e soberano”.

 

Data: 21/03/2016

Local: Câmara Legislativa do DF

Horário: 19h

 

Programação: Para dialogar com os acontecimentos em curso temos que associar política e direito, política e economia, política e mídia, evidenciando o campo unificado de poder que dificulta o debate do passo seguinte do desenvolvimento brasileiro. Para contribuir com essa mesa de diálogo o fórum21 convidou:

Wadih Damous – Deputado Federal – PT(RJ)

Vanessa Petrelli – Profa titular da Universidade Federal de Uberlândia e Diretora do Instituto de Economia

Marcelo Lavenère – ex presidente do conselho Federal da OAB

Venício Lima – Prof Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB

 

Para brasileiro, corrupção é um problema dos outros

Para brasileiro, corrupção é um problema dos outros

 

Pesquisa do Instituto Data Popular revela atitudes corruptas diárias, mas que não recebem a devida importância

video-corrupcao-pesquisa

Operação Lava-jato, Petrolão, dinheiro em cueca de político, propina… O tema corrupção ganhou espaço na agenda e nos pensamentos dos cidadãos. O problema é que, para o brasileiro, o corrupto sempre é o outro. Foi isso que uma pesquisa do Instituto Data Popular revelou ao perguntar para 3.500 pessoas, em 146 cidades, se elas já tinham cometido alguma atitude ilícita ou conheciam alguém que já tivesse. Os resultados mostram que, mesmo cometendo ações ilícitas no dia-dia, o brasileiro não admite o mau comportamento.

Confira o vídeo.

 

Fonte: Época

O futuro do impeachment

O futuro do impeachment

Mais do que o tema do impeachment, a grande questão é saber o que esperar deste ano eleitoral.

Passado o carnaval é muito comum ouvir “agora sim o ano começa”. Pois bem, o ano de 2016 começa, de fato, com algumas questões difíceis de responder visto a complexidade do cenário que se apresenta. O objetivo é levantar questões e, de certo modo, provocar você que está lendo este artigo para que desde o “início do ano” comecemos um debate que deve se tornar, cada vez mais, consistente com relação ao cenário político brasileiro. Aqui se coloca como pano de fundo a questão do impeachment e seus desdobramentos tanto para os profissionais de Relações Governamentais quanto para os cidadãos.

O segundo semestre de 2015 foi tomado pelo tema do impeachment e vimos surgir várias opiniões que, com raras exceções, eram rasas e traziam muito mais a paixão por algum lado da história do que, de fato, uma analise embasada do importante momento histórico que estamos vivendo.

Acredito que este artigo possa servir para que, utilizando as mídias sociais, possamos construir um debate e que as opiniões sejam embasadas em informações que apesar de disponíveis são pouco consultadas e utilizadas.

Para se ter uma ideia de junho à dezembro de 2015 foram 885 discursos sobre o impeachment feitos na Câmara e Senado Federal. Ou seja, foi um tema importante para a classe política e aqui vem a primeira questão. Será um tema relevante, também, no ano de 2016? A evolução do processo de delação premiada trouxe à luz do debate novos atores que, até então, estava desvinculados diretamente desta situação. E aqui destacamos que seja um membro pertencente à situação ou à oposição foram mencionados novos nomes de pessoas importantes na arena política. E então surge uma segunda questão. A inclusão destes nomes no radar da mídia e da justiça não trará um receio aos parlamentares com relação aos limites que estas delações e investigações podem chegar? Um fato observado não apenas na política brasileira, mas também por estes lados, é que existe um grande empenho em caçar e extirpar a corrupção desde que espada da justiça esteja apontada para o lado do adversário. Quando a justiça começa a diversificar os alvos, em muito casos, a oposição tende a se amansar buscando novas pautas para o debate.

Temos que considerar, também, qual será o impacto que as eleições municipais terão no cenário federal. Com uma eleição de mudanças significativas no sistema de financiamento da campanha a questão que se coloca é: haverá uma reorganização ou até mesmo uma diminuição da pressão contra o governo visando uma estratégia de realização de projetos tendo como objetivo beneficiar os municípios em ano eleitoral? Em outras palavras, com a proibição da doação por empresas nas campanhas restará, como meio legal, para os candidatos buscarem apoio de pessoas físicas. Pode ser que realizando projetos para os municípios fique mais fácil angariar fundos, visto que demonstrar boas relações com o legislativo federal pode acabar por incentivar empresários colocarem a mão no bolso.

Enfim, o tema do impeachment serve como pano de fundo, mas a grande questão é saber dos cidadãos e dos profissionais que se relacionam com a política no dia-a-dia o que esperar deste ano? E mais, desde já iniciarmos um debate para que as questões políticas brasileiras estejam cada vez mais amadurecidas dentro de nossas cabeças e consigamos pensar melhores maneiras de trabalhar com política no país.

Fonte: http://openlex.com.br/2016/02/15/impeachment/ – por Ivan Ervolino. Saiba mais em: http://openlex.com.br/ Título original: “Todo carnaval tem seu fim…falaremos sobre impeachment este ano?”

Openlex é uma empresa responsável pelo sistema SigaLei, plataforma de acompanhamento das atividades e processos do  legislativo. A ferramenta monitora as atividades do Poder Legislativo com o objetivo de identificar propostas e decisões que impactam as atividades dos profissionais de relações governamentais.

 

A Viagem Interrompida

A Viagem Interrompida

Com base na imprensa, pesquisa mostra como as elites golpearam o avanço comunista em Santo André.

O historiadora e jornalista Eduardo Luiz Correia desenvolveu pesquisa que começa pela repercussão na imprensa sobre a eleição e posterior proibição dos mandatos comunistas na década de 1940, para observar a articulação das elites contra a perda de espaço eleitoral para o PC do Brasil.

O PCdoB de Santo André em parceria com a Fundação Mauricio Grabois e a editora Anita Garibaldi trazem para a militância da cidade do ABC paulista o lançamento do livro “A Viagem Interrompida – A aventura comunista na Santo André da década de 1940”. O livro escrito por Eduardo Luiz Correia conta a surpreendente história da eleição do primeiro prefeito operário e comunista no Brasil: Armando Mazzo, e mais uma grande bancada de parlamentares comunistas no coração do Grande ABC. O livro também conta como foi a articulação de direita para a cassação do registro das candidaturas e o impedimento de assumirem seus cargos legislativos e executivo.

O livro já tem lançamento agendado em Santo André e São Paulo. O evento no ABC será na sexta-feira, 4 de março às 19h00, na Casa da Palavra (Praça do Carmo,171), em Santo André. Na segunda-feira, 28 de março, às 19h00, o lançamento será em São Paulo, no Centro de Estudos Barão de Itararé, à Rua Rego Freitas, 454, 8º andar – conj. 83, na República.

A farsa golpista

O livro resgata um momento histórico da política de Santo André, que muitos desconhecem; e tem similaridades históricas curiosas com a conjuntura atual, de articulação golpista da direita contra os sucessivos governos de esquerda no Brasil. Embora o contexto histórico seja distinto, o livro mostra que as elites nacionais nunca aceitaram passivamente o avanço da esquerda nos espaços de poder. “Cá entre nós, nada de muito diferente do que acontece hoje em dia”, compara o autor, em entrevista ao Portal Grabois.

Correia diz ter a expectativa de que o livro seja mais uma referência, especialmente em Santo André, para entendermos que já houve outros movimentos políticos e populares com muitas potencialidades e que foram cerceados de maneira muito dura pela elite. Toda a pesquisa de mestrado do autor começa pela tentativa de identificar na imprensa da época as repercussões sobre a eleição e cassação dos mandatos comunistas, embora aquela fosse uma imprensa muito censurada.

foto do autor: Eduardo Correia.

Embora o tom fosse bastante “oficialesco”, segundo ele, era no sensacionalismo sangrento do jornal A Noite que se entende o alinhamento mais explícito da imprensa com a classe dominante. Correia cita uma notícia sobre o alarmante e possível desembarque de armas comunistas em Santos, alardeado pelo jornal num dia, e esquecido no outro, como se nada tivesse publicado. Esse clima de guerra fria marca o modo como a perseguição aos comunistas vai se intensificando, mesmo em ambiente de redemocratização. “Mesmo com toda a demonização, os comunistas se tornaram a terceira força eleitoral na região”, diz o pesquisador, mostrando como a consciência de classe era consistente, ali.

Tradição de esquerda

Sob o comando do presidente Dutra, o Brasil na época tornou-se a ponta-de-lança da política anticomunista na região. Dessa forma, diferente de “A Vitória dos Candidatos de Prestes”, de Ademir Médici, mais focado no contexto local, “A Viagem Interrompida” busca apresentar um panorama da geopolítica da época, uma das mais agitadas e fascinantes da histórica política brasileira. “Foram eleições que, a partir do microcosmo das disputas políticas no município de Santo André, em São Paulo, permitem contextualizar os primeiros passos da Guerra Fria no Brasil e na América Latina”, afirma Correia.

Apesar da cassação dos candidatos eleitos e do próprio Partido, tradicionalmente, o ABC manteve uma cultura trabalhista e operária, com intensos reflexos políticos e eleitorais, nas décadas seguintes. Correia cita, por exemplo, um conhecido quadro do PCB, Lincoln Grillo, que assumiu a Prefeitura de Santo André, pelo MDB, em plena ditadura, em 1976. Uma das gestões mais marcantes e transformadoras da cidade foi a de Celso Daniel, do PT. Atualmente, o PT está no governo, com o prefeito Carlos Grana. Além disso, a mobilização operária no ABC contra a ditadura, no final dos 1970, foi intensa e marcou os destinos do país.
fonte: resenha de Cezar Xavier, http://grabois.org.br/portal/noticia.php?id_sessao=54&id_noticia=14806

 

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