Dove critica modo como imprensa trata as mulheres no esporte

Dove critica modo como imprensa trata as mulheres no esporte

Em nova campanha poderosa, conveniente e necessária em tempos de Jogos Olímpicos, a Dove resolveu combater o machismo no mundo do esporte (e no mundo jornalístico).

Campanha da Dove: contra a imprensa machista no mundo do esporte
Campanha da Dove: contra a imprensa machista no mundo do esporte

m vez de falar de chutes, dribles, saltos, arremessos, pontos, velocidade e recordes, eles falam de bundas, peitos, corpos sensuais e atraentes.

Em nova campanha poderosa, conveniente e necessária em tempos de Jogos Olímpicos, a Dove resolveu combater o machismo no mundo do esporte (e no mundo jornalístico).

A campanha “#MyBeautyMySay” diz o que deveria ser óbvio: pede aos meios de comunicação e ao público em geral para focarem nas habilidades esportivas das mulheres atletas, não em seus corpos.

No vídeo introdutório, as imagens de atletas são desfocadas (ou seja, vão para segundo plano) e dão lugar a comentários machistas reais, tirados da imprensa.

Os comentários são um tanto grosseiros e focam no corpo e na beleza, não na performance esportiva.

Tudo, menos esporte

Em um cálculo da Dove em 2016, os comentários sobre mulheres atletas giram em torno de muitas coisas, menos do esporte.

Segundo a marca, 13% dos comentários jornalísticos analisados falavam da roupa das mulheres; 33% falavam de seus corpos; 41% falavam de sua beleza; 5% falavam da idade delas; e 8% falavam de seus cabelos.

No hotsite da campanha, a Dove mostra o impacto dos veículos sexistas. A marca calcula que, desde janeiro deste ano, o público foi exposto a 25,3 milhões de mensagens do tipo.

Há uma ferramenta interessante no site: após mostrar a frase sexista e o veículo responsável por ela, há a opção de enviar uma mensagem direta a ele.

A partir de amanhã (27), um outdoor da Dove na Times Square, em Nova York, vai transmitir comentários sexistas reais da mídia sobre atletas mulheres.

Assista:

Brasil

Por aqui, o UOL Esporte lançou, recentemente, a campanha “Quero Treinar em Paz”, onde entrevistou 21 mulheres (atletas, ex-atletas, técnicas) para falar sobre os machismos do mundo esportivo.

O projeto, em parceria com as ONGs Think Olga e AzMina, conta com cinco vídeos e diversas resportagens, a serem publicados em série até o dia 29, às vésperas dos Jogos Olímpicos.

Para o UOL, o AzMina criou o “Manual didático de como não ser um machista em contextos esportivos”, com dicas para homens de como agir de maneira correta e não machista.

O site também está divulgando a hashtag #QueroTreinarEmPaz, para colher e encorajar depoimentos de mulheres sobre o machismo no meio esportivo.

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Fonte: Exame

Dissertação de Mestrado discute jornalismo em instituições públicas

Dissertação de Mestrado discute jornalismo em instituições públicas

Edson Gil Santos Júnior concluiu mestrado na Universidade Estadual de Ponta Grossa, Área de Processos Jornalísticos, analisando “O jornalismo da fonte como parte necessária de um jornalismo plural democrático”. Para isso, verificou as rotinas da divulgação da Assembleia Legislativa do Paraná.

Nas conclusões, o autor relata que o estudo serviu “para delimitar mais claramente fronteiras entre o jornalismo da fonte de instituição pública, com a comunicação pública e o jornalismo público. Concluiu que, por mais que o jornalista da fonte produza conteúdo para uma instituição custeada com recursos públicos, isso não quer dizer que de maneira plena seja produzida comunicação pública e jornalismo público. Por outro lado, seria equivocado afirmar categoricamente que este profissional não produz, em grande parte de suas rotinas laborais, noticias de interesse público, de utilidade pública e de maneira objetiva ao ponto de ser considerada comunicação pública, que por vezes estimula o civismo e ainda promove a cidadania nos moldes do jornalismo público”.

Edson buscou, entre outros objetivos, “identificar se o trabalho é jornalismo, assessoria de imprensa ou jornalismo da fonte”, levando em conta a legislação, o uso das tecnologias digitais e a mudança de comportamento dos profissionais. Ao final, sugere que na Assembleia é realizado um “jornalismo da fonte e assessoria de imprensa em transformação”.

Edson trabalhou em TV, revistas, jornais impressos e como assessor de imprensa de associações e órgãos públicos. Por meio dessa experiência profissional, percebeu similaridade das funções dos jornalistas e dos assessores de imprensa, “considerando a maneira de escrever, o conhecimento do que o público quer ler como saber expor de forma profissional o acontecimento de um fato”. Após o levantamento efetuado para a dissertação, a visão, sem sua própria avaliação, foi desconstruída e deu lugar a questionamentos. Ele conclui, por exemplo, que o assessor de imprensa não é jornalista, por mais que o conhecimento em jornalismo proporcione plenas condições de o profissional desenvolver um excelente trabalho para seu assessorado.

Ele separa jornalismo na fonte de assessoria de imprensa. “A função do assessor de imprensa, respeitando a ética profissional, é cuidar da imagem do assessorado perante a imprensa e, por consequência, junto à sociedade através da imprensa. Por outro lado, o jornalista da fonte tem outra missão no contexto profissional que é fazer jornalismo para os canais de informações da fonte. Este modelo de profissional é um produtor de conteúdo, que tem funções e rotinas parecidas com o jornalista de redação, porém de modo monotemático, considerando a instituição pública para qual se presta o serviço”.

Em virtude disso, o jornalista da fonte, como apresentado no trabalho deveria ter um cargo específico no organograma profissional das instituições, principalmente as públicas e, assim, não deve fazer releases, sugerir pautas, não tem como função atender a postura do assessorado ou gerenciar situações de crise comunicacional da fonte, mas, sim, reportar o que acontece na fonte de informação e que seja de interesse público de forma isenta e objetiva.

“Tanto nas experiências do Senado Federal quanto da Câmara dos Deputados estas funções apresentam fronteiras bem definidas. Porém, na Assembleia Legislativa do Paraná nem tanto. Os meios de comunicação legislativos na esfera federal, mesmo com a influência das Mesas Diretoras, deixam explicita a diferença em relação às assessorias de imprensa, pois os profissionais da fonte trabalham para produtos específicos do Poder, isto é, canais de informação em rádio, televisão, jornal e internet.”

“Também não se pode afirmar de forma absoluta que estes aparelhos midiáticos estatais não produzem comunicação pública, pois as informações disseminadas por estes órgãos são de interesse público e, como visto nas diversas experiências legislativas, inclusive na Alep, nem sempre sofrem a censura do chefe do poder, apenas obedecem a um perfil editorial pré-estipulado, transvestido de objetividade para evitar que a estrutura de comunicação da Casa cause conflitos entre os parlamentares”.

O autor também relata, ao final, que “a credibilidade diariamente conquistada é posta à prova constantemente pela quantidade nunca até hoje vista de informações disponibilizadas na internet, em um momento em que se multiplicam os formadores de opinião, jornalistas ou não, muitas vezes com o conhecimento raso sobre a vida pública de um município, estado ou país, mas que difundem boatos que prejudicam a democracia. Cabe à mídia da fonte ser referência oficial de informações credíveis juntamente com outros veículos comerciais bem conceituados pelo público”.

“Os meios próprios da fonte, principalmente aqueles que representam o setor público, ou mesmo no caso do Poder Legislativo, que representa a população, devem ser exemplos na difusão de notícias claras, objetivas, que promovam a democracia e a cidadania. É necessário que, neste contexto de jornalismo plural, o jornalismo que é custeado com recursos públicos seja referência de respeito ao cidadão, na primazia do interesse público e na informação de qualidade.

Para acessar o trabalho clique aqui

 

Guia de monitoramento: Violações de direitos na mídia brasileira III

Guia de monitoramento: Violações de direitos na mídia brasileira III

capa_guiaiiiEsse Guia é decorrente de forte demanda da sociedade brasileira, provocada pela proliferação de narrativas midiáticas que violam direitos elementares, previstos em lei. Capitaneada pela TV, a tendência espraia-se por outros meios e dilui as fronteiras entre jornalismo, entretenimento e propaganda, afetando a credibilidade da imprensa e colocando em xeque as regras da democracia.

Editada no âmbito de um programa de monitoramento de mídia desenvolvido por um pool de organizações e coordenado pela ANDI, a publicação constitui-se em instrumento de diálogo com as instituições que integram a estrutura democrática brasileira e a sociedade em geral, que vêm sendo impactadas negativamente por essas narrativas, apelidadas por estudiosos do fenômeno de “policialescas”.

No Volume I, o leitor encontra um guia prático para identificar violações de direitos no campo da comunicação de massa, com exemplos extraídos de programas de rádio e TV de todas as regiões do País, e um apanhado inédito dos dispositivos legais que buscam harmonizar o direito à liberdade de expressão com outros direitos dos cidadãos, como o de terem a imagem e a privacidade respeitadas.

No Volume II, são reunidos artigos que refletem o teor dos debates travados pela sociedade civil em relação às produções em foco. São reflexões de estudiosos, militantes e observadores em geral do campo, abrangendo diferentes perspectivas, a partir mesmo do perfil dos autores, oriundos da academia e de organizações que defendem a liberdade de expressão e o direito à comunicação.

No Volume III, são apresentados os dados de pesquisa realizada em programas de rádio e TV das cinco regiões brasileiras, acusando níveis preocupantes de violações de direitos e de infrações a leis e a normas autorregulatórias do campo midiático. E a partir dos elementos constitutivos do modelo “policialesco” identificados na amostra, é aberto amplo debate sobre o fazer jornalístico — seus limites e responsabilidades.

Realização: 

ANDI – Comunicação e Direitos em parceria com Artigo 19, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC/MPF), apoio da Fundação Ford e patrocínio da Petrobras.

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Fonte: Andi

Gastos do Governo Federal com publicidade caíram 24% em 2015

Gastos do Governo Federal com publicidade caíram 24% em 2015

TVs, jornais e revistas foram os que mais perderam. Só internet ganhou mais verbas no ano passado. A redução é a maior desde o ano de 2000. A análise é do jornalista Fernando Rodrigues.

Brasília - O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva fala sobre a campanha do governo federal de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor de doenças como a dengue, febre chikungunya e zika vírus, no programa Bom Dia Ministro. (Antonio Cruz/Agência Brasil)

O ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva

A presidente Dilma Rousseff patrocinou em 2015 a maior queda da história no valor de gastos com propaganda estatal federal desde o ano 2000 –que é quando essa estatística começou a ser coletada.

O valor total gasto caiu de R$ 2,456 bilhões em 2014 para R$ 1,864 bilhão em 2015 –uma redução de 24,1%.

Essas cifras são oficiais e se referem às administrações direta (ministérios, por exemplo) e indireta (empresas estatais). Quem supervisiona esse gasto é o ministro Edinho Silva, titular da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) Eis os dados (clique na imagem para ampliar):

Publicidade-estatal-direta-e-indireta-2000-2015QUEM MAIS PERDEU: MÍDIA TRADICIONAL
Como se observa na tabela acima, TVs, jornais e revistas foram os que mais sofreram. Esses 3 meios tiveram quedas acima da média de 24,1% no bolo publicitário estatal federal geral.

O ÚNICO QUE GANHOU: INTERNET
O meio digital já é o 2º que mais recebe verbas publicitárias do governo federal. Foram R$ 234 milhões em 2015, uma alta de 11,6% sobre 2014. Só fica atrás de TV.

Os veículos de internet receberam juntos mais dinheiro de publicidade estatal do que jornais e revistas somados (R$ 155,5 milhões).

DADOS DETALHADOS
Ainda não foram totalmente tabulados os dados individuais que cada veículo de comunicação recebeu. Para saber como foi em 2014, clique neste post.

A seguir, as tabelas originais, divulgadas pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (clique nas imagens para ampliar):

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Fonte: http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br

 

 

 

Mulher e mídia: uma pauta desigual?

Mulher e mídia: uma pauta desigual?

“A mídia comanda, sem mandar. Mandam a mulher ser bela, ser magra, ser boba, ser mãe, ser invejosa, competir com as outras[…]” 

Intensa repercussão nas redes sociais problematizando o papel da mídia na construção da ‘mulher ideal”. Imagem: Reprodução Coletivo Não me Kahlo.
Intensa repercussão nas redes sociais problematizando o papel da mídia na construção da ‘mulher ideal”. Imagem: Reprodução Coletivo Não me Kahlo.

Para muitos/as pesquisadores/as, os veículos de comunicação fixam estereótipos geradores de preconceitos e discriminação, produzindo e reproduzindo valores e hábitos consoantes a formações ideológicas sexistas. A mídia reforça um modelo de superwoman, isto é, da mulher que está inserida no mercado de trabalho, que cuida dos filhos, do marido e da casa e ainda está sempre arrumada, reforçando modelos de beleza calcados na feminilidade e na juventude.

Para a coordenadora do Observatório da Mulher[1], Rachel Moreno, “a mídia comanda, sem mandar. Mandam a mulher ser bela, ser magra, ser boba, ser mãe, ser invejosa, competir com as outras, manda correr em busca da felicidade perfeita que virá a partir da compra de produtos e valores, da exibição de marcas e etiquetas que nos identifiquem e qualifiquem. Sem tom de mando, a mídia evita a resistência e a rebelião” (MORENO, 2009, p. 13).

Como exemplo do que foi elencado por Rachel Moreno, podemos citar a reportagem da revista Veja, publicada em 18/04/16, intitulada Bela, recatada e “do lar”. A matéria, assinada pela jornalista Juliana Linhares, apresenta um perfil da vice-primeira-dama do Brasil, Marcela Temer, descrita como uma mulher “43 anos mais jovem que o marido, aparece pouco, gosta de vestidos na altura dos joelhos e sonha em ter mais um filho com o vice” (LINHARES, 2016).

A veiculação do texto pode ser concebida como exacerbação de uma “fórmula para o sucesso”, ou mesmo a exaltação de um aspecto da condição feminina que naturaliza a subalternidade até com certo glamour, uma vez que expõe faces do cotidiano da mulher de um dos políticos mais influentes no Brasil. Contudo, a matéria deixa de explicitamente problematizar tal naturalização, o que poderia ter oferecido, aos seus/suas leitores/as, um cardápio eclético acerca do significado do que pode vir a “ser mulher” em nossa sociedade.

Ao longo de cinco parágrafos, o texto evidencia as qualidades de personagem, ao exercer seu papel de mãe e esposa dedicada, reforçando estereótipos da maternidade plena e da beleza feminina. Desse modo, a revista aposta, mesmo que de modo subliminar, na exacerbação do que considera como positivo para o modelo “ideal” de esposa para um politico. Uma receita que explicita o patriarcado, mas não questiona as razões que justificam a sujeição ao lar como único destino para uma parcela das mulheres brasileiras.

Não seria exagero dizer que a mídia detém grande poder de sedução e influência sobre a sociedade justamente por fazer a mediação entre a esfera pública e a privada. Ou melhor, por sua capacidade de reproduzir, para um grande número de pessoas, algum fato social. Tal postulação fica evidente quando percebemos que o texto “Bela, recatada e ‘do lar’” tornou-se um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e provocou a reação dos/as internautas, que rechaçaram a exposição do modelo de mulher estampado nas páginas do semanário, e utilizaram postagens com a hashtag #belarecatadaedolar e a paródia #belaescrachadaedobar.

A revista talvez não contasse com a capacidade de mobilização de diversos/as leitores/as que acessaram as redes sociais para problematizar o papel da mídia no Brasil e visibilizar perfis de mulheres que puderam fazer outras escolhas, aquelas que subverteram a ordem comandada pelos desvalores que imputam sérias restrições ao público feminino. Mulheres que não se enquadram no que o veículo expõe como o “padrão de feminino” tão necessário para a conformação da ficcional e cada vez mais encenada “tradicional família brasileira”.

*Ana Veloso é professora do Departamento de Comunicação da UFPE e pesquisadora do Observatório de Mídia – Gênero, Democracia e Direitos Humanos.

  1. Organização que busca contribuir, resgatar e tornar visíveis as lutas das mulheres no Brasil. Tem como objetivos promover os direitos das mulheres, democratizar a comunicação e produzir e veicular informações sob o ponto de vista das mulheres (http://observatoriodamulher.org.br/site/).  Acesso: 15 set 2010.

 

Referências:

MORENO, Rachel. Vigiar, seduzir, excluir – a colonização das mentes. In: LIMA e VICENTE. O Controle social da imagem da mulher na mídia. São Paulo: Articulação Mulher e Mídia, 2009, p. 11-16.

LINHARES, Juliana. Bela, recatada e “do lar”. Revista Veja, 18/04/2016.

Fonte: ombudsPE

Enquete: mídia transmite informações pouco objetivas

Enquete: mídia transmite informações pouco objetivas

Segundo os dados da enquete Sputnik-Opinião, a grande maioria dos habitantes da Alemanha (68%), França (67%) e quase metade da população do Reino Unido (46%) acham que informação da mídia e a que é fornecida pelas autoridades dos seus países sobre os crimes dos migrantes e refugiados não é objetiva.

Os dados foram obtidos por uma enquete de opinião pública, realizada pela empresa Populus e Ifop para a agência de notícias e rádio Sputnik.

Os franceses são menos crédulos. Só 17 % acreditam na informação da mídia sobre os crimes cometidos pelos migrantes e refugiados. Na Alemanha a porcentagem dos habitantes que confiam na mídia local é um pouco maior (25%), no Reino Unido 36% dos entrevistados têm confiança na mídia a respeito dos crimes cometidos por migrantes.

Os dados da pesquisa mostraram que a maioria dos europeus demonstra ter consciência da realidade nesta matéria: apenas 7% na Alemanha, 16% na França e 18% no Reino Unido tiveram dificuldade em responder à pergunta.

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A pesquisa no Reino Unido e na Alemanha foi realizada pela imprensa Populus entre 3 e 4 de fevereiro de 2016. Na pesquisa participaram 3.556 entrevistados, no Reino Unido (1.047), na Alemanha (1.010). A pesquisa na França, foi realizada pela maior empresa de pesquisa IFop entre 3 e 5 de fevereiro de 2016. Na pesquisa participaram 1.499 entrevistados. A amostra é representativa da população por sexo, idade, geografia.

O que é o Sputnik-Opinião?

Este projeto internacional de estudo da opinião pública começou em janeiro de 2015. As conhecidas empresas Populus e IFop são parceiras do projeto. No quadro da Sputnik-Opinião (Sputnik.Polls) são realizadas regularmente pesquisas em vários países da Europa e dos EUA sobre os temas sociais e políticos de maior atualidade.

A Sputnik (sputniknews.com) é uma agência de notícias e rádio com representações e redações multimídia em dezenas de países. A Sputnik inclui sites (34 ao todo), emissões rádio analógicas e digitais, aplicativos para celular e páginas nas redes sociais.

Fonte: Sputnik

Na semana do impeachment, 3 das 5 notícias mais compartilhadas no Facebook eram falsas

Na semana do impeachment, 3 das 5 notícias mais compartilhadas no Facebook eram falsas

A “guerra da desinformação” nas redes sociais fez mais de 200 mil vítimas na semana que antecedeu o domingo de votação do impeachment, na Câmara dos Deputados

Mandado de prisão contra Lula foi um dos boatos
Mandado de prisão contra Lula foi um dos boatos – EPA

 

Levantamento do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas de Acesso à Informação da USP, ao qual a BBC Brasil teve acesso, revela que três das cinco reportagens mais compartilhadas por brasileiros no Facebook entre terça-feira e sábado são falsas.

Apesar de ocuparem o topo do ranking de acessos, as matérias são desmentidas em notas oficiais ou reportagens publicadas pela imprensa (veja mais abaixo).

Criado pelos professores da USP Marcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado, o grupo investigou o desempenho de 8.290 reportagens, publicadas por 117 jornais, revistas, sites e blogs noticiosos neste período.

Estatísticas

Os boatos presentes no “top 5” de compartilhamentos na rede social mais popular do país são os seguintes:

“Polícia Federal quer saber os motivos para Dilma doar R$30 bilhões a Friboi”, do site Pensa Brasil (3º lugar no ranking geral da semana, com 90.150 compartilhamentos)

“Presidente do PDT ordena que militância pró-Dilma vá armada no domingo: ‘Atirar para matar'”, do site Diário do Brasil (4º lugar, com 65.737 compartilhamentos).

“Lula deixa Brasília às pressas ao saber de nova fase da Lava-Jato. Seria um mandado de prisão?”, do site Diário do Brasil (5º lugar, com 58.601 compartilhamentos).

Boato sobre perdão de dívida de frigorífico por Dilma foi um dos mais compartilhados - Ag. Brasil
Boato sobre perdão de dívida de frigorífico por Dilma foi um dos mais compartilhados – Agência Brasil

Procurado pela reportagem, o Diário do Brasildisse que a reportagem sobre o suposto presidente do PDT “não era exclusiva” e insiste que a notícia é real – ainda que o homem retratado na reportagem não seja presidente regional da legenda, que desmentiu o boato.

Sobre o suposto mandado de prisão contra Lula, o site diz que a reportagem original foi publicada em 10 de março, às vésperas da Operação Xepa – que não trouxe qualquer mandado contra o ex-presidente.

A reportagem fez novos questionamentos e perguntou por que a matéria foi republicada no dia 14, mas não teve resposta. O Pensa Brasil não respondeu aos questionamentos da BBC Brasil.

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Os relatórios também mostram que os “virais falsos” atingem tanto a oposição quanto apoiadores do governo – na última semana, entretanto, os boatos contrários à presidente tiveram maior repercussão.

As estatísticas são divulgadas na página “ Monitor do debate político no meio digital“, recém-criada no Facebook.

O principal desmentido aos boatos campeões de audiência da semana vem do PDT, em nota oficial assinada por seu presidente no Distrito Federal, Georges Michel Sobrinho.

Repetida mais de 60 mil vezes, a reportagem falsa diz que um homem chamado José Silvio dos Santos seria o presidente do partido no DF e teria convocado militantes para atirarem em parlamentares neste domingo.

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Santos, segundo o líder do partido, nunca exerceu cargos na legenda.

“O PDT torna público que este cidadão, por não ter nenhuma autorização para se manifestar em nome da instituição, foi expulso do quadro de filiados do partido”, diz a nota.

Já a reportagem sobre a “doação de R$ 30 bilhões” pelo governo à Friboi foi desmentida, em entrevista à BBC Brasil, pelo próprio presidente da JBS, que controla o frigorífico – e não foi consultado pela publicação.

Notícias sobre a suposta doação circulam nas redes desde pelo menos 2014, com textos às vezes idênticos. A mais recente – reforçada por mais de 90 mil internautas – afirma que Dilma Rousseff teria “concedido anistia à divida de R$ 30 bilhões da Friboi com o BNDES”.

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“A JBS (…) deve R$ 40 e poucos milhões, que vieram de aquisições que fizemos da Tyson e da Seara”, disse o presidente Wesley Batista à repórter Ruth Costas, em 2015.

Questionado sobre a verba recebida pelo BNDESPar, braço de participações acionárias do banco público, Batista respondeu: “O total de aportes na JBS foi da ordem de R$ 5 bilhões. Eles compraram isso em ações que hoje, felizmente, valem muito mais”.

“A JBS vendeu participação acionária para o BNDESPar, que participa em 200 ou mais empresas”, disse ainda o presidente da controladora da Friboi.

A quinta história mais compartilhada no Facebook sugere que Lula teria deixado Brasília ao saber de nova fase da Lava Jato, sob “risco iminente de um mandado de prisão”.

Boatos falaram em falsa ação armada contra manifestações - Agência Brasil
Boatos falaram em falsa ação armada contra manifestações – Agência Brasil

Mas nenhuma etapa da Lava Jato foi deflagrada desde a publicação, no último dia 13. A última aconteceu no dia 12, com a prisão preventiva do ex-senador Gim Argello (PTB-DF), sem menções ao ex-presidente.

Também não houve mandado de prisão contra Lula.

A ferramenta digital criada pelos pesquisadores mapeia, de hora em hora, todas as reportagens publicadas pelos 117 veículos de comunicação selecionados e verifica seus compartilhamentos a partir de um sistema oferecido pelo próprio Facebook.

Além do levantamento digital, os pesquisadores fizeram pesquisas de opinião em protestos realizados tanto por grupos ligados à direita, quanto à esquerda, na avenida Paulista, em São Paulo.

“Cada lado dessa disputa construiu narrativas mais ou menos simplistas para defender suas posições. Tanto os boatos como as matérias produzidas foram muito compartilhados quando se adequaram a essas narrativas”, explica Marcio Moretto.

“Uma das narrativas de ambos os grupos foi de que o outro era formado pelos verdadeiros corruptos.”

O professor diz que as pesquisas também mostraram que ambos os lados da disputa do impeachment “eram propensos a acreditar em boatos que confirmavam suas narrativas pré-estabelecidas”.

Para pesquisadores, "imaturidade" brasileira nas redes explica popularidade dos boatos - Thinks tock
Para pesquisadores, “imaturidade” brasileira nas redes explica popularidade dos boatos – Thinkstock

Ele dá exemplos de mitos citados pelos dois lados nas ruas: “‘Lulinha é sócio da Friboi’, de um lado, e ‘Sergio Moro é filiado ao PSDB’, de outro”.

Para o pesquisador, a popularidade dos boatos tem a ver com a maturidade dos usuários de redes sociais.

“Parte considerável das brasileiras e dos brasileiros entrou na era digital muito recentemente com a popularização dos smartphones. É de se esperar que com o tempo, conforme as pessoas se acostumem com as plataformas e conforme o debate em torno delas amadureça, elas se relacionem com essas ferramentas de maneira mais crítica e menos ingênua”, diz Moretto.

O estudo realizado nos dias anteriores ao impeachment verificou 6,1 milhões de compartilhamentos na rede social. Por questões técnicas, o levantamento não incluiu as reportagens publicadas na segunda-feira – e se resumiu a publicações entre terça-feira e sábado.

Fonte: BBC

Simpósio de Comunicação Social – “A visão de um novo mundo”

Simpósio de Comunicação Social – “A visão de um novo mundo”

O primeiro Simpósio de Comunicação Social acontecerá em Campina Grande em 27 de Abril de 2016 com o tema: “A visão de um novo mundo”

Data do evento
27/04/2016 às 18:00

Local do evento
Teatro Municipal Severino Cabral
Avenida Marechal Floriano Peixoto – lado ímpar
Centro , Campina Grande – Paraíba

O objetivo é difundir o conhecimento da área de Comunicação Social, abordando conteúdos que são pouco abordados na vida acadêmica e profissional dos participantes, de forma a despertar o desejo de desenvolver o conhecimento nas diversas vertentes desta ciência.
Será abordado nas palestras o poder da mídia e sua importância nos dias atuais, sabemos que esta possui relevância impar e é notória toda essa influência e persuasão que ela possui sobre a sociedade. Este fato deriva da difusão dos meios de comunicação.
O meio jornalístico atualmente se depara com diversas formas de produzir, publicar e relacionar-se com o mundo, tendo em vista que a globalização e expansão das mídias sociais traz a necessidade de uma formação contemporânea no perfil do profissional.
Com todas essas transformações ocorridas na Comunicação Social está passando por uma reconfiguração desta área, e assim surge uma nova área, a Educomunicação que é um conceito recentemente implantado no Brasil. Este de trata da educação com a comunicação, multimídia, colaborativa e interdisciplinar. Será apresentado um breve histórico do curso da UFCG, destacando o diferencial do educomunicador e as possibilidades de atuação no mercado de trabalho.

O evento contará com a participação de quatro palestrantes, das áreas de Jornalismo, Educomunicação, Comunicação Social e Marketing, os quais abordarão os seguintestemas:

PALESTRA 1
MÍDIAS DIGITAIS E SUA IMPORTÂNCIA NOS DIAS ATUAIS – FELIPE FÉLIX
PALESTRA 2
JORNALISMO E A RECONFIGURAÇÃO MIDIÁTICA – LUCIELLEN LIMA

PALESTRA 3
EDUCOMUNICAÇÃO: COMUNICAÇÃO QUE EDUCA E APRESENTA CAMINHOS – FELIPE VALENTIM

PALESTRA 4
EMPREENDEDORISMO NO MEIO JORNALÍTICO – MORIB MACEDO

Valor da inscrição
1º lote
Estudante – R$ 35,00
Profissional – R$70,00
Certificação de 10 horas complementares pela UFCG
Fonte: https://www.doity.com.br/simposio-de-comunicacao-social-a-visao-de-um-novo-mundo/

Livro gera polêmica ao propor imprensa sem fins lucrativos

Livro gera polêmica ao propor imprensa sem fins lucrativos

Com muitos veículos jornalísticos atualmente atolados na crise, tornou-se imperativo pensar em novos modelos para a mídia

Nunca existiram tantos produtores de informação quanto hoje. Paradoxalmente, a mídia nunca esteve em situação tão difícil. Alguns observadores afirmam que os próprios meios de comunicação são responsáveis pela situação preocupante em que se encontram devido a seus inúmeros erros e à incapacidade de se adaptarem ao novo mundo. Meu diagnóstico é relativamente diferente: a mídia não conseguiu o modelo econômico adequado porque foi incapaz de compreender a natureza da crise e, consequentemente, continuou a reagir com reflexos desatualizados. A maior parte do debate se dá em torno da “morte do impresso”, mas o que importa não é o meio, e sim, a mensagem. As questões mais importantes – a qualidade do conteúdo e a estrutura organizacional – foram omitidas.

Resumindo: a questão não é se a mídia deveria ser subsidiada, e sim, se lhe deveria ou não ser concedido um status Livro-Saving-the-Media-246x300favorável, em termos legais e de tributação, em reconhecimento à sua contribuição à democracia – um status comparável àquele de que gozam, há muito tempo, muitos outros participantes na economia do conhecimento. Alguns observadores veem o interesse de investidores bilionários – como Jeff Bezos, Pierre Omidyar e John Henry – como o prenúncio de uma nova idade do ouro: os jornais voltariam a contar com recursos e funcionários.

Mas se a mídia do futuro depender de investidores ricos para seu financiamento, há muitos perigos pela frente. Em parte, foi o acordo de propriedade do publisher italiano Carlo Caracciolo que mergulhou o jornalLibération na crise em que se encontra hoje. Por isso é que é preferível que as empresas jornalísticas se organizem como fundações, e não como sociedades anônimas: numa fundação, os herdeiros não podem dispor como quiserem do capital herdado. O investimento é irrevogável e, portanto, permanente.

Com muitos veículos jornalísticos atualmente atolados na crise, tornou-se imperativo pensar em novos modelos para a mídia. Aquele que proponho baseia-se em financiamento coletivo [crowdfunding] e poder compartilhado [power-sharing]. Espero que possa servir como um novo gabarito econômico e legal para a mídia do século 21 – um modelo que combina alguns aspectos de sociedades anônimas com os de fundações. Chamemos a essa nova entidade uma organização de mídia sem fins lucrativos [nonprofit media organization – NMO].

Deveria o poder ser proporcional às ações de capital?

Para começar, é útil relembrar alguns erros do passado, como a experiência de jornais que se tornaram empresas públicas. Tornar-se público provou ser um erro tanto para os jornais quanto para a democracia. Nos primeiros cinco anos depois que o Chicago Tribune se tornou uma empresa pública, os lucros aumentaram 23% ao ano, enquanto a receita bruta tinha um aumento de apenas 9%; esse desempenho foi conseguido cortando as despesas drasticamente. A busca de maiores lucros não afetou apenas jornais, mas também veículos de rádio e televisão (algumas emissoras de televisão têm margens operacionais de 50%) e a obrigação de produzir informação local de qualidade caiu consideravelmente.

Para falar francamente, ações de empresas jornalísticas não deveriam ser negociadas publicamente. Isso é particularmente verdadeiro em se tratando dos Estados Unidos, onde as empresas públicas têm responsabilidade fiduciária para com seus acionistas, para maximizar os lucros. Essa obrigação legal entra em conflito com a responsabilidade moral de “servir o bem-estar geral” (como consta da Declaração de princípios da Sociedade Americana de Editores de Jornais). De forma semelhante, pois as universidades têm uma responsabilidade moral de ensinar e envolver em pesquisa, é difícil imaginá-las como empresas publicamente negociáveis visando a maximizar os lucros.

Nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Irlanda e na Alemanha as empresas jornalísticas vêm experimentando uma porção de fórmulas inovadoras há muitos anos. Surgiram muitas organizações jornalísticas sem fins lucrativos. O maior conglomerado de mídia da Alemanha, a Bertelsmann – maior da Europa e uma das maiores empresas de mídia do mundo –, é propriedade da Fundação Bertelsmann. Essa estrutura não impediu, de forma alguma, o crescimento da Bertelsmann. Com 110 mil funcionários, a Bertelsmann ocupa um espaço significativo na França, na Europa e nos Estados Unidos, onde é a acionista majoritária da Penguin Random House, a maior editora do mundo.

O status de fundação não determina, por si só, como as empresas de mídia são administradas. Deveria o poder ser estritamente proporcional às ações de capital? Se assim fosse, que poderes compensatórios poderiam existir? Numa sociedade anônima típica, quem detém a maioria das ações também tem a parte do leão das ações com direito a voto. Isso é um problema porque um acionista dominante pode pôr a empresa a serviço de seus interesses econômicos ou políticos, e não do interesse público.

Limitações devem-se a uma capitalização inadequada

Examinemos alguns modelos existentes de organizações jornalísticas sem fins lucrativos para ter uma ideia mais clara de suas vantagens e limitações. Um dos mais antigos jornais independentes possuídos por uma fundação é o Guardian, um pilar da imprensa britânica. The Guardian é propriedade do Guardian Media Group que, por sua vez, é controlado pela Scott Trust, uma fundação sem fins lucrativos cuja missão, desde 1936, tem sido a de garantir a independência do jornal. Na França, o Ouest-France, principal jornal em termos de circulação, é propriedade de uma organização sem fins lucrativos desde o início da década de 90. Com esse status legal, o jornal conseguiu evitar qualquer tentativa hostil de assumir seu controle.

Entretanto, é nos Estados Unidos, onde a filantropia é a regra, que encontramos o maior número de organizações jornalísticas sem fins lucrativos. Uma das mais conhecidas é a ProPublica, que Herbert e Marion Sandler criaram em 2008 com a doação de vários milhões de dólares. O site, de jornalismo investigativo, já ganhou dois prêmios Pulitzer. Entre os empreendimentos mais bem-sucedidos encontramos o Tampa Bay Times, que pertence ao Instituto Poynter, uma entidade sem fins lucrativos, o Texas Tribune, o Christian Science Monitor e, naturalmente, a Associated Press, uma das principais agências de notícias do mundo e a mais antiga cooperativa.

Poderia ser dito que as entidades sem fins lucrativos seriam uma solução para a atual crise da mídia? Apesar dos casos excepcionais acima citados, a maioria das empresas jornalísticas sem fins lucrativos é muito pequena. A maioria dessas organizações se envolve num tipo de jornalismo segmentado, especializando-se em áreas de assuntos estritamente definidos.

Embora esse tipo de publicações traga uma lufada de ar fresco bem-vindo ao debate democrático e, até certo ponto, preencha a lacuna deixada pelos cortes de custos na mídia tradicional, elas não parecem capazes de substituir os atuais jornais, principalmente porque a maioria delas é de sites na internet, que sofrem das mesmas limitações dos websites dos jornais. Em média, a visita ao website de uma publicação sem fins lucrativos dura menos de dois minutos, metade do tempo, em média, de uma visita a um jornal tradicional norte-americano e muito menos do que o tempo gasto para ler um jornal impresso tradicional. Essas limitações não estão intrinsecamente vinculadas ao status de fundação das organizações em questão, mas devem-se, em grande parte, a uma capitalização inadequada.

Ampliação da redução de impostos seria um passo em frente

As fundações merecem crédito por terem colocado os leitores novamente no centro do quadro… No entanto, não foram capazes de envolver os leitores em seu financiamento. Com exceção doVoice of San Diego, que lançou uma das maiores campanhas de financiamento coletivo conhecidas até hoje (a Bigger Voice Fund), as empresas jornalísticas levantaram pouco dinheiro dessa maneira. Em geral, as fundações dão preferência a grandes doações por parte de pessoas ricas, empresas ou outras fundações – e não a pequenas contribuições individuais. Isso cria dois tipos de problema. Em primeiro lugar, tornam-se vulneráveis à excessiva influência de um pequeno número de pessoas, criando um risco para a democracia. E em segundo lugar, tornam-se igualmente vulneráveis a uma recessão econômica e, portanto, financeiramente frágeis.

Um outro ponto merece ser enfatizado: as leis tributárias que dizem respeito às fundações são extremamente complexas nos Estados Unidos e na França e isso coloca limites rigorosos para o desenvolvimento de mídias alternativas com base em fundações. Para uma operação jornalística sem fins lucrativos, é muito difícil, nos Estados Unidos, atender aos critérios da Seção 501(c)3  do código tributário (1) , que deve ser atendido por qualquer organização que procure a isenção de impostos e evitar o pagamento do imposto de renda empresarial.

Atualmente, as autoridades francesas estão avaliando a possibilidade de ampliar o status de fundação para as organizações jornalísticas e espera-se que isso seja aprovado. Uma possibilidade seria declarar a manutenção do pluralismo da imprensa como missão no interesse público. De qualquer maneira, é extremamente importante que comecemos a pensar na mídia como parte de um ecossistema muito maior, o setor da economia que produz conhecimento.

Meu objetivo não é propor melhoramentos específicos na legislação francesa ou norte-americana. Ao invés disso, é argumentar que a ampliação da redução de impostos concedida aos fundos para doações na França e às organizações enquadradas na Seção 501(c)3 do código tributário norte-americano significaria um importante passo em frente. A simplificação do atual sistema de contribuições para a mídia incentivaria doações privadas e tornaria a assistência do Estado mais eficiente. Mais importante ainda, a reorganização das empresas jornalísticas como fundações tornaria possível estabelecer doações de capital permanentes. As doações a fundações são irrevogáveis e o sistema de investimentos irrevogáveis tornaria possível garantir a independência das empresas jornalísticas no longo prazo.

Alívio de impostos e democratização de capital

O tipo de organização jornalística sem fins lucrativos que estou propondo combina as virtudes de vários tipos legais. Goza das vantagens de uma fundação (estabilidade de financiamento e capacidade de ter como objetivo a informação como bem público, e não como maximização do lucro às custas da qualidade) e das de uma sociedade anônima (propriedade diversificada, reposição da categoria das lideranças e tomada de decisões democrática, desde que o poder dos maiores acionistas seja adequadamente restrito). A organização de mídia sem fins lucrativos que estou propondo é um modelo híbrido. Em parte, é inspirado no modelo das grandes universidades internacionais, que combinam atividades comerciais e não comerciais.

O modelo de organização de mídia sem fins lucrativos encaixa-se entre os dois extremos de uma fundação e uma sociedade anônima. Assim como uma fundação, pode aceitar doações ilimitadas. Em meu modelo, essas doações deverão ser isentas de impostos, como são atualmente as doações às fundações. Mas também deverão ser compensadas pelo direito de voto numa empresa: uma doação a uma organização de mídia sem fins lucrativos é uma contribuição ao seu capital e, portanto, traz direitos “políticos”, como qualquer outro investimento.

Em países como os Estados Unidos, onde os subsídios à mídia são insuficientes, o modelo da organização de mídia sem fins lucrativos também poderia fornecer uma maneira nova e extremamente eficiente para o governo aumentar sua contribuição para a saúde da mídia. O modelo da organização de mídia sem fins lucrativos oferece inúmeras vantagens. Combina os benefícios do modelo sem fins lucrativos com a governança democrática, trazendo um maior número de pequenos acionistas e permitindo os grandes investimentos muitas vezes necessários. Os grandes investidores abrem mão de seu poder de tomar decisões, mas em contrapartida recebem milhões em reduções de impostos.

Alívio de impostos em troca de democratização e estabilização de capital: este sistema resolve as contradições inerentes envolvidas em conceder subsídios aos meios de comunicação de propriedade de empresas altamente lucrativas ou em permitir que a imprensa seja controlada por pessoas ricas.

Capitalismo, crowdfunding e democracia

A solução que estou propondo pode parecer radical. Mas esta nova entidade legal – a organização de mídia sem fins lucrativos – é tudo ou nada. Uma simplificação drástica do atual sistema de subsídios à imprensa na França, uma estrutura legal e fiscal mais acomodada para a mídia nos Estados Unidos, uma ampliação do valor agregado da redução de impostos para jornais online na Europa (onde atualmente a redação de impostos só é disponível para jornais impressos) e, de uma maneira mais geral, uma concessão às empr3esas jornalísticas do mundo inteiro de um acesso mais fácil ao status de fundação e aos benefícios das contribuições privadas – todas essas medidas ajudariam.

O que deve ser reconhecido é que a mídia jornalística fornece um bem público, assim como o fazem as universidades e outros contribuintes à economia do conhecimento do século 21. Por esse motivo, ela merece um tratamento especial por parte do governo. Pouco a pouco, os governos avançaram no sentido de permitir que as empresas jornalísticas funcionassem como entidades não lucrativas e, consequentemente, pudessem solicitar doações. Ao mesmo tempo, tornaram mais difícil adquirir o status de entidades não lucrativas porque ainda não adotaram completamente a ideia da informação como um bem público.

No atual panorama da mídia não é difícil encontrar um bom número de organizações em dificuldade que poderiam ser salvas se adotassem o modelo da organização de mídia sem fins lucrativos. Na França, por exemplo, o modelo da organização de mídia sem fins lucrativos poderia ter permitido que os funcionários do diário regional Nice Matin (então sob administração judicial) comprassem o jornal sem ter que ceder os direitos de propriedade ao Corse-Matin ou delegar a administração do jornal a outras pessoas (o que foi feito por ordem do tribunal em novembro de 2014).

Se o jornal nacional Libération fosse uma organização sem fins lucrativos, uma terça parte dos funcionários não teria que ter saído em 2015 devido a problemas vinculados às propriedades do barão de imprensa Carlo Caracciolo. Uma vez que os investimentos numa organização de mídia sem fins lucrativos são irrevogáveis, os herdeiros de Caracciolo não teriam podido vender suas ações e, dessa forma, pôr em perigo todo o sistema, ao transferirem o controle para investidores externos, com pouco interesse em informação de qualidade.

Nos Estados Unidos, quantas demissões de jornalistas poderiam ter sido evitadas se seus empregadores tivessem sido uma organização de mídia sem fins lucrativos do tipo daquela que estou propondo? Quantos jornais poderiam ter sido comprados, ao invés de terem sido obrigados a fechar as portas? O jornal Sentinel, de Milwaukee, que até o ano 2000 era propriedade de seus empregados, poderia ter optado por ser uma organização de mídia sem fins lucrativos, ao invés de se ter tornado público. Poderia ter atraído junto a seus leitores – dedicados à qualidade amplamente reconhecida de seu jornalismo investigativo – o apoio financeiro necessário, assim como junto a seus empregados, que poderiam ter recebido reduções de impostos em contrapartida a seus investimentos, ao invés de terem sido obrigados a ver suas ações despencarem na Bolsa de Valores. E.W. Scripps, que comprou o jornal em 2015, já fechou outros jornais que também comprou, como o Cincinnati Post, The Albuquerque Tribune e o Rocky Mountain News.

O modelo da organização de mídia sem fins lucrativos também incentivaria a criação de jornais e de sites de notícias online. Sob o novo modelo, seria mais fácil para eles levantar financiamentos junto a seus leitores, ao mesmo tempo que pediriam investimentos de investidores externos sem medo de perder o controle (porque o direito de voto desses grandes investidores externos seria limitado). Os veículos jornalísticos sem fins lucrativos já existentes também poderiam ser ampliados.

As dificuldades que a mídia enfrenta são tão grandes que não há tempo para esperar. Uma opção tem que ser feita. Novas tecnologias, como a internet, abriram o caminho para a democratização do capitalismo – da qual, o financiamento coletivo [crowdfunding] é um indício. Mas meras doações não bastam: os contribuintes deveriam receber direitos de voto e poder político como incentivos ao investimento e como meio de reafirmar o controle sobre o nosso destino coletivo. Capitalismo, crowdfunding e democracia: essas são as palavras de ordem para o futuro.

(1) Os interessados em detalhes dos critérios da legislação norte-americana relativa a instituições sem fins lucrativos podem obtê-los aqui

Fonte: Observatório da Imprensa

 

Uma análise da saúde na mídia a partir do Zika vírus

Uma análise da saúde na mídia a partir do Zika vírus

As emergências do vírus Zika aportam uma oportunidade ímpar para observar a saúde na mídia brasileira

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Duas profissionais da Fundação Osvaldo Cruz, Raquel Aguiar e Inesita Araujo, fizeram uma análise para verificar como a imprensa tratou o Zika vírus. Elas analisaram capas de nove jornais impressos publicados nos meses de novembro e dezembro de 2015, período em que o Ministério da Saúde admitiu a possível correlação do vírus com o aumento de casos de microcefalia no país.

Entre os resultados do trabalho, propuseram sobre a relação entre a mídia e a saúde, a partir das especificidades da epidemia do vírus Zika e seu principal desdobramento, a epidemia de microcefalia.

Elas propuseram 10 temas de reflexão e deixam muitas e muitas perguntas: se o vírus Zika e os casos de microcefalia não tivessem surgido inicialmente no Nordeste, mas no eixo Rio-São Paulo, a atenção e o tratamento da mídia teriam sido diferentes? A mídia apenas reflete a ausência de equidade que se verifica na saúde? A visibilidade das capas de jornais interessa aos visibilizados? Produz algum efeito em suas vidas? Quais são os interesses que estão por trás de informações que desmoralizam a saúde pública? Quais os interesses da mídia ao dar espaço para notícias que claramente estão situadas no campo do consumo?

Ao final, perguntam: O que acompanhamos sobre o tema do vírus Zika em 2015 terá sido muito barulho por nada? Briga contra moinhos de vento? Apenas o começo? E afirmam: O tempo dirá. O que já podemos dizer é que as emergências do vírus Zika aportam uma oportunidade ímpar para observar a saúde na mídia brasileira.

Para fazer o download do estudo clique no link a seguir A mídia e o Zika Virus

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