O futuro do impeachment

O futuro do impeachment

Mais do que o tema do impeachment, a grande questão é saber o que esperar deste ano eleitoral.

Passado o carnaval é muito comum ouvir “agora sim o ano começa”. Pois bem, o ano de 2016 começa, de fato, com algumas questões difíceis de responder visto a complexidade do cenário que se apresenta. O objetivo é levantar questões e, de certo modo, provocar você que está lendo este artigo para que desde o “início do ano” comecemos um debate que deve se tornar, cada vez mais, consistente com relação ao cenário político brasileiro. Aqui se coloca como pano de fundo a questão do impeachment e seus desdobramentos tanto para os profissionais de Relações Governamentais quanto para os cidadãos.

O segundo semestre de 2015 foi tomado pelo tema do impeachment e vimos surgir várias opiniões que, com raras exceções, eram rasas e traziam muito mais a paixão por algum lado da história do que, de fato, uma analise embasada do importante momento histórico que estamos vivendo.

Acredito que este artigo possa servir para que, utilizando as mídias sociais, possamos construir um debate e que as opiniões sejam embasadas em informações que apesar de disponíveis são pouco consultadas e utilizadas.

Para se ter uma ideia de junho à dezembro de 2015 foram 885 discursos sobre o impeachment feitos na Câmara e Senado Federal. Ou seja, foi um tema importante para a classe política e aqui vem a primeira questão. Será um tema relevante, também, no ano de 2016? A evolução do processo de delação premiada trouxe à luz do debate novos atores que, até então, estava desvinculados diretamente desta situação. E aqui destacamos que seja um membro pertencente à situação ou à oposição foram mencionados novos nomes de pessoas importantes na arena política. E então surge uma segunda questão. A inclusão destes nomes no radar da mídia e da justiça não trará um receio aos parlamentares com relação aos limites que estas delações e investigações podem chegar? Um fato observado não apenas na política brasileira, mas também por estes lados, é que existe um grande empenho em caçar e extirpar a corrupção desde que espada da justiça esteja apontada para o lado do adversário. Quando a justiça começa a diversificar os alvos, em muito casos, a oposição tende a se amansar buscando novas pautas para o debate.

Temos que considerar, também, qual será o impacto que as eleições municipais terão no cenário federal. Com uma eleição de mudanças significativas no sistema de financiamento da campanha a questão que se coloca é: haverá uma reorganização ou até mesmo uma diminuição da pressão contra o governo visando uma estratégia de realização de projetos tendo como objetivo beneficiar os municípios em ano eleitoral? Em outras palavras, com a proibição da doação por empresas nas campanhas restará, como meio legal, para os candidatos buscarem apoio de pessoas físicas. Pode ser que realizando projetos para os municípios fique mais fácil angariar fundos, visto que demonstrar boas relações com o legislativo federal pode acabar por incentivar empresários colocarem a mão no bolso.

Enfim, o tema do impeachment serve como pano de fundo, mas a grande questão é saber dos cidadãos e dos profissionais que se relacionam com a política no dia-a-dia o que esperar deste ano? E mais, desde já iniciarmos um debate para que as questões políticas brasileiras estejam cada vez mais amadurecidas dentro de nossas cabeças e consigamos pensar melhores maneiras de trabalhar com política no país.

Fonte: http://openlex.com.br/2016/02/15/impeachment/ – por Ivan Ervolino. Saiba mais em: http://openlex.com.br/ Título original: “Todo carnaval tem seu fim…falaremos sobre impeachment este ano?”

Openlex é uma empresa responsável pelo sistema SigaLei, plataforma de acompanhamento das atividades e processos do  legislativo. A ferramenta monitora as atividades do Poder Legislativo com o objetivo de identificar propostas e decisões que impactam as atividades dos profissionais de relações governamentais.

 

Governo quer mudar a publicidade

Governo quer mudar a publicidade

Dilma vai trocar agência de publicidade para tentar melhorar comunicação. Uma equipe da Secom prepara novo edital de licitação.

A presidenta Dilma Rousseff e os ministros Marcelo Castro, Gilberto Occhi, Aloizio Mercadante e Jaques Wagner em reunião da Coordenação e Controle da Dengue (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)Diante da crise, o governo Dilma Rousseff decidiu trocar as agências de publicidade responsáveis por sua comunicação. Desde novembro, uma equipe da Secom (Secretaria de Comunicação Social) da Presidência se dedica à elaboração de um edital que será lançado dentro de seis meses.

Hoje sob o comando do ministro Edinho Silva, a comunicação do governo tem sido alvo de críticas de petistas e aliados da presidente.

Na semana passada, o secretário-executivo da Secom, Olavo Noleto, manifestou a insatisfação do Palácio com a campanha de combate ao vírus da zika. Em reuniões, queixou-se da falta de entrosamento das equipes.

Procurada, a Secom afirmou que Noleto não fez críticas. ”Nas reuniões com as assessorias de comunicação e secretários-executivos dos ministérios, o secretário reafirmou a importância de manter e fortalecer a coesão e integração na execução da campanha do governo”.

Embora ainda não tenha oficializado a decisão de substituir as responsáveis pela publicidade, o governo deixou clara essa disposição em 15 de janeiro, quando prorrogou por apenas quatro meses os contratos das três agências (Leo Burnett, Propeg e Nova/SB) que hoje atendem a gestão. Em geral, os contratos são renovados anualmente. Como foram assinados em janeiro de 2012, poderiam ser prorrogados por mais um ano, com base no artigo 57 da lei 8.666.

Fonte: Catia Seabra, Folha de S.Paulo, 08-02-2016

Fotos: Roberto Stuckert.

Sites do governo exibem ‘mosquitos’ em campanha contra Aedes aegypti

Sites do governo exibem ‘mosquitos’ em campanha contra Aedes aegypti

Ao tentar clicar, leitor recebe mensagem sobre combate ao mosquito. Campanha direciona para site oficial com orientações.

Quem acessa sites oficiais do governo nesta quinta-feira (4) pode ver imagens de mosquitos “voando pela tela” e o cursor se transformando em um utensílio usado para matá-los. Ao tentar “bater” em um mosquito, o leitor se depara com um aviso sobre o Aedes aegypti e redirecionado para um site com orientações sobre o combate e prevenção da dengue, chikungunya e zika.

Sites exibem imagens sobre o combate ao mosquito (Foto: Reprodução)

Sites exibem imagens sobre o combate ao mosquito (Foto: Reprodução)

A ação pode ser vista no site o Portal Brasil, além das páginas oficiais do Palácio do Planalto, Casa Civil, do Ministério da Fazenda e do Banco Central.

A Secretaria de Comunicação Social informou ao G1 que a previsão é que todos os sites do Governo Federal entrem na campanha, lançada no dia 27. O primeiro a receber a ação foi o Portal Brasil.

Nos primeiros dias da campanha, havia apenas os mosquitos na página, sem a raquete para “bater” sobre eles com o cursor. Mesmo assim, clicando sobre eles, o internauta era redirecionado ao site oficial do governo com orientações sobre o Aedes aegypti, o combateaedes.saude.gov.br. Posteriormente, a figura da raquete foi adicionada.

A mensagem que o leitor recebe após tentar clicar na imagem do mosquito é “não adianta apenas matar o mosquito, não podemos deixar ele nascer. E isso depende de todos nós”.

O combateaedes.saude.gov.br reúne orientações sobre sintomas e prevenção da dengue, chikungunya e zika, causadas pelo Aedes aegypti e também informações para combater o mosquito.

Nas redes sociais, a ação recebeu comentários. “Quando eu crescer quero ser igual esse hacker que colocou mosquitos da dengue no Portal Brasil”, disse uma internauta no Twitter. “Aí você entra no site do Portal Brasil e vê os mosquitos da dengue por lá. Oh zika”, escreveu outro no Instagram.

A Secretaria de Comunicação informou que, desde que a campanha foi lançada, o número de acessos ao Portal Brasil triplicou.

Fonte: http://g1.globo.com/economia/midia-e-marketing/noticia/2016/02/sites-do-governo-exibem-mosquitos-em-campanha-contra-aedes-aegypti.html 04/02/2016 15h28 – atualizado em 04/02/2016 16h01.

 

Os equívocos da Comunicação Pública sob a ótica liberal

Os equívocos da Comunicação Pública sob a ótica liberal

O conceito de comunicação pública, quando parte da premissa de que emissor e conteúdo precisam afastar-se do Estado, é “deslocado, inconsistente e redundante”.

Ao criticar o conceito de comunicação pública apoiado no paradigma liberal, o cientista político Antonio Lassance descarta a noção de que para ser efetivamente aderente aos anseios da sociedade a comunicação social precisa ser “anti-Estado”.

Ex-integrante da equipe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República – Secom, gestão do ministro Luiz Gushiken, e atualmente no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, Lassance produziu um alentado artigo (“Comunicação Institucional do Poder Público”) que rompe com a visão tradicional de comunicação pública e convida para um olhar mais abrangente.

Segundo o pesquisador, quando o Estado é encarado quase como um oponente, o conceito de comunicação pública, além de deslocado, “porque não identifica claramente seu emissor”, apresenta-se como grave dissimulação: “a tentativa de maquiar a fonte da informação e os interesses que estão por trás daquela mensagem”.

Para Lassance, a comunicação do Estado deve ser reconhecida e identificada. “Na medida em que o público adquira confiança na mensagem recebida e possa livremente modular sua relevância, pode mais facilmente credenciar sua disseminação”, argumenta.

Além de dissimular ou negar o Estado como emissor de informações, o autor acrescenta que “o conceito de comunicação pública é inconsistente por ter seu núcleo formado por uma transposição incorreta do conceito de esfera pública para dentro da organização do Estado, o que contradiz a própria noção de esfera pública (HABERMAS, 1984). Habermas, por sinal, enfatiza a importância da opinião formada pelos canais informais (não estatais e não organizados burocrática e empresarialmente) de comunicação política (HABERMAS, 1992)”.

O pesquisador faz uma ressalva de que “a discussão até ganharia algum sentido se partisse da teoria da participação, que encontra certa de afinidade com a concepção habermasiana de esfera pública; ou se estivesse associada à teoria da democracia deliberativa (THOMPSON, 2002). Mas não foi assim que a ideia foi recepcionada no Brasil”, conclui.

Ao abordar de forma crítica o conceito liberal de comunicação pública, no qual só há legitimidade quando algo é proposto pela sociedade, o pesquisador do IPEA observa que “trata-se de um conceito redundante, posto que, a rigor, toda comunicação tem alguma dimensão pública. Ainda pior, ressalta, é a expressão “jornalismo público” (conforme alerta KUCINSKI, 2006). Todo emissor se dirige a algum público. Mesmo a comunicação pessoal tem um destinatário, um interlocutor, alguém que se constituiu em receptor daquela mensagem. Na era da autocomunicação de massa, mesmo os sentimentos e os humores mais íntimos tornam-se objeto de “comunicação pública”.

Confira a íntegra do artigo:Comunicação-institucional-do-poder-público

 

Papel do servidor público na interação entre estado e sociedade

Papel do servidor público na interação entre estado e sociedade

Uma análise sob o prisma de redes, por Lidiane Ferreira Sant’ Ana

Esta dissertação reflete acerca da relação entre Estado e sociedade sob o prisma da comunicação pública e da estrutura de redes. Foi analisado o fluxo interno das demandas e sugestões que os cidadãos apresentam nos guichês da Central de Atendimento BH Resolve, criada pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte em 2010 como modelo de relacionamento presencial com os cidadãos. Por meio de entrevista em profundidade, observação direta e questionários com questões abertas e fechadas foram obtidos dados que possibilitaram fazer análises qualitativas e quantitativas na perspectiva da Análise de Redes Sociais (ARS). A metodologia utilizada permitiu traçar a estrutura da rede de relacionamento intrainstitucional da Prefeitura, mapear os fluxos formais e informais das informações e analisar as relações estabelecidas entre os servidores. O objetivo da pesquisa foi avaliar a possibilidade de os cidadãos contribuírem para a adequação ou elaboração de políticas públicas, a partir das demandas, críticas, sugestões e elogios que apresentam aos atendentes. Foram identificados os servidores que mais enviam e recebem informações e a forma como se relacionam. Levou-se em conta que a utilização integrada das informações relativas ao processo de relacionamento com o cidadão pode prover a Prefeitura de conhecimentos novos, importantes para ampliar sua efetividade e legitimidade. Os resultados mostram que o contato direto e individual entre o cidadão e o Estado tem restritas possibilidades de influenciar a execução e elaboração das políticas que regem os serviços. A unilateralidade e a baixa densidade das relações entre os servidores apontam que a permeabilidade da rede à influência do cidadão é reduzida. Apesar de a Central de Atendimento BH Resolve ser fruto de um projeto focado em metas e resultados, as relações tendem a seguir um padrão burocrático, pois quem mais acessa as informações são aqueles que ocupam cargos de maior destaque hierárquico. Diante disso, a efetividade da participação individual requer primeiramente a democratização das relações dentro do próprio Estado. A reconfiguração estrutural da rede de interações pode resultar na democratização das relações dos servidores entre si e com o cidadão.

DOWNLOAD: Papel do Servidor Público na Interação entre Estado e Sociedade – LF_1

 

Lidiane Ferreira Sant’ Ana

 

x Shield Logo
This Site Is Protected By
The Shield →