Proposta classifica banda larga como serviço essencial de interesse coletivo

Proposta classifica banda larga como serviço essencial de interesse coletivo
Está em análise na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 5319/16 que inclui a internet em banda larga entre os serviços essenciais de interesse coletivo previstos na Lei Geral de Telecomunicações (9.472/97). Com a medida, a autora da proposta, deputada Maria Helena (PSB-RR), espera assegurar a exploração do setor também pelo regime público, além do privado, garantindo sua universalização e continuidade.
Atualmente, a lei só considera como essencial e, portanto, sujeito à exploração em regime público, o serviço telefônico fixo comutado. Maria Helena observa, no entanto, que o avanço tecnológico transformou a internet em banda larga em um serviço essencial.
“Não podemos nos omitir diante de quadro que substituiu a simples comunicação de voz por serviços mais adequados à realidade atual, na qual texto, dados e imagens ganharam importância maior que os tradicionais serviços de voz”, pondera. “A legislação precisa de urgente modificação para adequá-la ao novo mundo das comunicações.”
Tramitação
O projeto tramita em caráter conclusivo e será analisado pelas comissões de Defesa do Consumidor; de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: FNDC

Santos cria canais de comunicação para avisar moradores sobre ressacas

Santos cria canais de comunicação para avisar moradores sobre ressacas

Ação já é utilizada em morros da cidade e é bem sucedida. Ideia é que moradores façam o cadastro e fiquem prevenidos.

Ressaca causou danos em toda a avenida da praia de Santos (Foto: Reprodução / TV Tribuna)
Ressaca causou danos em toda a avenida
da praia de Santos (Foto: Reprodução / TV Tribuna)

A Prefeitura de Santos, no litoral de São Paulo, disponibilizou dois canais de comunicação para os moradores da Ponta da Praia receberem alertas de eventuais de ressacas. A medida foi adotada após a destruição provocada do último domingo (21), por conta da forte chuva e da alta da maré.

De acordo com informações da Prefeitura de Santos, a ideia é que todos os moradores do bairro façam um cadastro. Em casos de emergência, provocados por fenômenos naturais como ressacas de forte intensidade, os moradores irão receber alertas para se prevenir.

A ação já é utilizada em morros da cidade e, segundo a Defesa Civil de Santos, é bem sucedida. Portanto, pode ajudar na prevenção de acidentes como os que atingiram prédios, carros e clubes no último domingo.

Para efetuar o cadastro, os moradores devem ligar para o telefone 3208-1000 ou enviar e-mail para defesacivil@santos.sp.gov.br informando nome completo, endereço e telefone para contato.

Fonte: G1

Jovens deverão ter aulas de cidadania nas escolas

Jovens deverão ter aulas de cidadania nas escolas

A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) aprovou nesta quarta-feira (3) substitutivo ao Projeto de Lei do Senado (PLS) 38/2015, que vai permitir a inclusão do ensino de temas associados à cidadania nos currículos do Ensino Médio nas escolas de todo o país.

Pelo projeto inicial, do senador Reguffe (Sem Partido – DF), o conteúdo poderia ser incluído nos currículos como disciplina obrigatória, com o objetivo de desenvolver e trabalhar nos alunos noções de cidadania, do Estado Democrático de Direito, dos direitos e garantias fundamentais, noções sobre o Código de Defesa do Consumidor, o papel e as atribuições dos parlamentares e dos Chefes do Poder Executivo no Brasil, além de noções de educação fiscal.

Segundo Reguffe, a cidadania deve ser estimulada e alimentada desde cedo, por meio da educação em nossos lares e nas escolas brasileiras, com a conscientização dos direitos e deveres da vida em sociedade, com especial atenção ao papel dos representantes eleitos pela nossa população.

O relator do projeto, senador Cristovam Buarque (PPS-DF), optou pela aprovação da proposta e a rejeição de outros seis projetos que tramitavam em conjunto, mas com ressalvas. Ele considera apropriado que a inserção curricular ocorra de forma transversal, dentro das matérias existentes, sem a criação de nova disciplina.

Cristovam destacou os seguintes aspectos a serem abordados no ensino da cidadania: Direito Constitucional; noções de cidadania e democracia; competências e atribuições de deputados, senadores, prefeitos, governadores e presidente da República; Direito do Consumidor; e noções de educação fiscal.

O projeto prevê que os sistemas de ensino terão 3 anos letivos para se adaptarem às novas exigências. A proposta será analisada agora pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte.

Fonte: Agência Senado

Blogues de Educação juntam-se “pela escola pública” em Portugal

Blogues de Educação juntam-se “pela escola pública” em Portugal

Manifesto defende “mais respeito, atenção e investimento” na escola pública e critica anos de “cortes” e medidas que a “burocratizam de forma doentia”

Manifestação em defesa da escola pública, sábado passado, em Lisboa
Manifestação em defesa da escola pública, sábado passado, em Lisboa

Desde as 14 horas desta terça-feira doze dos mais lidos blogues sobre Educação divulgam nas respetivas páginas um manifesto de apoio à Escola Pública. “Enquanto membros da comunidade educativa e autores de diversos blogues de educação, temos opiniões livres e diversificadas. Porém a Escola Pública sendo um pilar social, merece o nosso esforço para nos unirmos no essencial. Este manifesto é uma tomada de posição pela valorização e defesa da Escola Pública”, lê-se no logo no início do texto. Os autores dos blogues O Meu Quintal, Ar Lindo, Com Regras, Correntes ouAtenta Inquietude estão entre os apoiantes.

A promoção do manifesto surge numa altura em que muito se tem discutido a necessidade e a defesa, ou não, de apoios do Estado ao ensino privado. Isto na sequência do anúncio dos cortes nos contratos de associação, com o Governo a eliminar o financiamento de turmas no ensino particular e cooperativo em todos os casos onde exista lugar numa escola pública próxima. No fim de semana houve manifestações a favor e contra.

Apesar de no manifesto não serem feitas referências a estes contratos nem ao ensino privado, é neste contexto que os promotores defendem a necessidade de “centrar o debate público nos seus fundamentos”, nomeadamente em relação à necessidade de assegurar um ensino público de qualidade para todos, desde o pré-escolar ao ensino superior. Sendo que nos últimos anos, dizem os subscritores, o “desinvestimento” e a “deriva de políticas educativas, em matérias como a gestão de recursos humanos ou a organização e funcinamento das escolas têm ameaçado seriamente a qualidade de resposta da Escola pública”.

“Nos últimos anos a Escola Pública, instrumento para que os deveres constitucionais do Estado sejam cumpridos no domínio da Educação, tem sido sujeita a múltiplas dificuldades, com cortes, com lançamento em cascata de medidas que a burocratizam de forma doentia e tentam degradar ou desvalorizar com base em rankings, diversos e dispersos, onde se compara o incomparável, muitas vezes baseados em frágeis indicadores administrativos e funcionais, e não pedagógicos ou educacionais”, critica-se no texto.

Os autores da iniciativa pedem “mais respeito, mais atenção, mais investimento e mais capacidade” para a escola pública, acompanhados de autonomia reforçada e de uma “valorização social e profissional” de professores e funcionários.

Fonte: Expresso

Além das fronteiras

Além das fronteiras

Refugiados são pessoas arrancadas de suas casas e de seus familiares. Mas existe um outro lado. A Anistia Internacional criou uma campanha que mostra os refugiados como pessoas com sonhos, objetivos e histórias.

“Quatro minutos de contato visual ininterrupto aproximam as pessoas mais do que qualquer outra coisa”. Foi a partir desta hipótese do psicólogo Arthur Aron, da Universidade de Nova York, que a Anistia Internacional Polônia criou a sua mais nova campanha contra a xenofobia. Apenas em 2016, mais de 146.000 refugiados e migrantes chegaram à Europa, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM). Desde o inicio de 2015, já são mais de um milhão.

Para mostrar que as fronteiras existem entre países e não entre as pessoas, a campanha Look Beyond Borders (Olhe além das fronteiras, em português) traz o encontro entre refugiados de diferentes idades e origens. E mostra que todo mundo tem uma história para contar e merece ser ouvida. Sentados frente a frente, desconhecidos conversam e reagem de uma forma espontânea diante de relatos de sofrimento, de luta, mas também de superação. A identificação entre eles é visível quando vemos um senhor elogiar o bigode do outro; uma jovem perguntar se o homem chegou sozinho ou com sua família e; duas meninas, que em um primeiro momento não conseguem nem se encarar de tanta vergonha, mas que acabam o dia brincando juntas.

A ideia do projeto é mostrar que os refugiados são muito mais do que os números que destacamos no início deste texto. São pessoas que foram arrancadas de suas casas e de seus familiares pela guerra ou pela miséria. “Quando se trata de refugiados, é usada uma linguagem desumanizada. Isso reduz essa tragédia histórica a números. Mas este é o sofrimento de pessoas reais que, como nós, têm famílias, amigos, suas próprias histórias, sonhos e objetivos ” diz Draginja Nadażdin Verne, diretora da Anistia Internacional na Polônia.

Look Beyond Borders foi lançado nas redes sociais da Anistia Internacional Polônia no dia 17 de maio e viralizou rapidamente. Dias depois de ir ao ar, outras delegações da ONG em todo o mundo aderiram à iniciativa e traduziram o vídeo para o seus respectivos idiomas.

fonte: Comunica que muda

Agência Câmara muda notícia para agradar “chefes”

Agência Câmara muda notícia para agradar “chefes”

Canais institucionais do Legislativo estão cada vez mais distantes das boas práticas de comunicação pública.

Assustei-me na manhã da última terça-feira, 26/04, quando li no portal Comunique-se uma matéria com a seguinte manchete: “Agência Câmara adultera matéria de 2014 e tenta omitir que apenas 36 deputados se elegeram com os próprios votos” [Redação Comunique-se. Agência Câmara adultera matéria de 2014 e tenta omitir que apenas 36 deputados se elegeram com os próprios votos. 2016. Disponível em: http://portal.comunique-se.com.br/destaque-home/80862-agencia-camara-adultera-materia-de-2014-e-tenta-omitir-que-apenas-36-deputados-se-elegeram-com-os-proprios-votos-info, acessado em 26/04/2016]. Abri o portal e fui ver do que se tratava.

Cunha diz que vai recorrer contra seu afastamento e que não renunciará

foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A informação publicada originalmente trata da eleição de 36 deputados com o chamado voto próprio. O nosso atual sistema eleitoral, por ser assim feito e respaldado na lei 9.504 de 1997 [BRASIL. LEI Nº 9.504, DE 30 DE SETEMBRO DE 1997], é, para os cargos de representação no legislativo, baseado no chamado coeficiente eleitoral, com exceção das vagas para senador que, por princípios tanto de quantidade de vagas, 1 ou 2 eleitos por pleito, e pelo seu papel no sistema federalista de representação dos Estados, e não da população, como lemos profundamente nos textos dos federalistas americanos [HAMILTON, A; JAY. J; MADISON, J. The Federalist. Indianapolis: Liberty Fund, 2001. 656 p.], os “pais” desta fundamentação. Trata-se da soma de todos os eleitores aptos àquele pleito, sendo dividido por esta soma o número de vagas para o determinado estado, para chegarmos ao chamado coeficiente eleitoral, numa explicação simplória.

Digamos que um estado hipotético @ tenha 1.000.000 de eleitores. Sendo 10 vagas para deputado federal, por exemplo, para que um partido ou coligação eleja representante, é necessário que o somatório dos votos atribuídos a todos os seus candidatos seja de pelo menos 1.000.000/10 = 100.000 votos. Assim, podemos ver que a força da eleição é do grupo, e não do candidato, já que o sistema é feito para valorizar os partidos. Contudo, a existência do mesmo leva a bons e maus resultados, a depender da visão que colocamos.

Na última eleição, apenas 36 deputados federais conseguiram alçar o coeficiente eleitoral sem a ajuda de outros candidatos de seu partido. O que isto quer dizer? A quantidade de votos que receberam foi suficiente para passar a barreira dos, no caso hipotético do Estado @, 100.000 votos. Somente 36 foram eleitos com “seus próprios votos”.

Os deputados eleitos sem a “ajuda de outros candidatos”

O senso comum social, seja da mídia ou da população leiga em direito, nos diz que o sistema é equivocado e inapropriado. O certo, já que o sistema é de representação, de que os deputados mais votados fossem eleitos e não as vagas destinadas as coligações partidárias. Esta concepção contrapõe diversos autores da ciência política e do Direito, que acreditam que as teses de representação partidária e por coeficiente são mais interessantes para o jogo da democracia e favorecem as, como chamadas pelo federalistas, “facções”, que possuem menos força e menos puxadores de votos. Obvio que o sistema pode ser corrompido, utilizando deste mesmo artifício com a eleição de quadros que não representam o pluralismo e nem as facções de menos força, mas são puxados pelo Tiriricas, Eneias, Russomanos da vida. Mas isto são problemas do jogo político.

A minha questão, após esta introdução é a seguinte: por que cargas d’água a agência Câmara decidiu alterar um texto de 2014, suprimindo relevantes partes do mesmo, para, como disseram no final do texto em uma nota de asterisco em negrito, (*) Esta matéria foi atualizada em 19/4/2016 para garantir uma explicação correta do funcionamento do sistema de eleição proporcional no Brasil. Ao contrário do que dizia o texto anterior, não foi apenas um determinado número de deputados que se elegeu com os seus próprios votos. Todos os deputados são eleitos com os seus próprios votos dentro das regras do sistema proporcional. “Portanto, todos os deputados têm a mesma legitimidade nos seus mandatos.”

A agência Câmara está corretíssima em procurar garantir explicações corretas sobre as coisas que ocorrem no nosso Congresso, os projetos que são apresentados, as falas dos congressistas e o sistema de funcionamento da casa e do seu regimento, das suas resoluções, das suas leis e do seu ingresso. Apresentar de forma clara para que os leigos entendam do jogo jurídico, prolixo e necessário dos negócios parlamentares é de extrema importância. Mas a questão é exatamente esta palavra: negócios.

A matéria originária apresentava uma tabela com os deputados eleitos sem a “ajuda de outros candidatos”, descrevia com exemplos o sistema de ingresso ao poder legislativo, falava como cita o Comunique-se “os outros 477 [candidatos] eleitos foram ‘puxados’ por votos dados à legenda ou a outros candidatos de seu partido ou coligação” etc. o texto originário tinha uma função: tentar mostrar ao eleitor como, efetivamente, o jogo era feito.

O “chefe” da agência é o contribuinte

Como, na prática um deputado era eleito de forma solo e por que causa a maioria não o era. Não o é, pois o sistema não é feito para o ser. Esta ideia tem de estar clara na cabeça de todos nós. A agência Câmara não estava fazendo campanha política, atacando o sistema, jogando contra o mesmo, tentando criar na cabeça do leitor que o sistema é bom ou ruim. A agência e a matéria, originalmente de autoria das jornalistas Lara Haje e Daniella Cronemberger, possuíam uma função clara. Tentar explicar o por quê era daquela forma e quem era eleito sem a necessidade do coeficiente.

Mas o problema aqui, vejo, não foi este. Foi o interesse que se sobrepôs. A alteração foi feita dois dias depois da votação pela admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Lembrei que uma das histórias que saíram durante e após tal acontecimento era exatamente baseada na informação apresentada pelo site da agência Câmara. Só 36 deputados foram eleitos sem precisar, na disputa do coeficiente eleitoral, de votos de outros candidatos para os ajudar. A informação gerou diversos debates e opiniões sobre o nosso sistema e uma possível falha no mesmo. Por uma quantidade tão relevante estar lá pela ajuda do voto de outros, e não apenas dos seus.

Que bom que a discussão nasceu, floresceu e tomou tamanho. É necessário que possamos discutir sobre tais assuntos na esfera pública e repensar nossos negócios e formas de representação. Contudo, a agência Câmara fazer esta alteração à surdina, querendo apagar uma informação que estava disponível há 17 meses é, no mínimo, inapropriado. É necessária, sim, “uma explicação correta do funcionamento do sistema de eleição proporcional no Brasil”, mas que ela seja feita em outra matéria, com este objetivo, com este lide e querendo falar disto. Não alterando algo que estava há 17 meses intocável, para que os “chefes”, caros deputados, não fiquem chateados com a informação verídica que foi passada.

Aí está outra palavra que nos é importante. Chefe. O chefe tem convicção, que ordenaram tal ato, foram da esfera política. Tal ordem veio de cima e não foi desejo das repórteres. Estes chefes, como muitos outros, usam da sua força de coação, coerção e de poder para intimidar jornalista e editores, ainda mais em órgãos de informação pública como estes, para que sua imagem não fique manchada. E esta interferência é extremamente perigosa e prejudicial para os negócios da república, para o papel da comunicação pública e da mídia. O chefe verdadeiro da agência Câmara é a nação brasileira. Abstrata, metafísica, imaterial. Mas existente. Ela serve ao povo, que você não vê na rua, porém sabe que existe. Ela serve a pátria mãe e aos preceitos do bom jornalismo e a ele deve servir. Não aos interesses escusos e ante publicitários de alguns chefes momentâneos.

Que venham novos tempos na agência Câmara, na agência Senado, na Voz do Brasil e em todas as mídias públicas de comunicação. O chefe deve ser a verdade, a nação, a informação clara e verídica. E não o homem que veste momentaneamente, o crachá de deputado da República Federativa do Brasil.

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Fonte: Observatório da Imprensa – Por Bruno Henrique de Moura, em 02/05/2016, na edição 901. O autor é jornalista e estudante de Direito.

Agência Câmara muda notícia para agradar “chefes”

Parceria entre EBC e Rádio Brasil Atual reforça a comunicação pública

Parceria entre EBC e Rádio Brasil Atual reforça a comunicação pública

A Rádio Brasil Atual passa a transmitir com exclusividade para São Paulo o programa ‘Nacional Brasil’, comandado pelo jornalista Sidney Rezende, que será apresentado de segunda a sexta, das 7h às 10h

Novo programa Nacional Brasil, com Sidney Resende, reforça a prestação de serviços e o jornalismo cidadão
Novo programa Nacional Brasil, com Sidney Resende, reforça a prestação de serviços e o jornalismo cidadão

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) acaba de fechar parceria com a Rádio Brasil Atual para transmitir conteúdo em rede nacional, em mais uma iniciativa que reforça a democratização da comunicação e fortalece a rede de emissoras públicas de rádio e televisão, da qual a TVT também faz parte. A cerimônia de lançamento da parceria e do novo programa Nacional Brasil, comandado pelo jornalista Sidney Rezende, ocorreu na segunda-feira (25) em São Paulo.

O programa Nacional Brasil estreia na próxima quarta-feira (4), e vai ao ar a partir da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, da EBC, e será apresentado de segunda à sexta, das 7h às 10h. Na Grande São Paulo, a coprodução e a retransmissão do programa serão exclusividades da Rádio Brasil Atual. Brasília e região amazônica também serão contempladas.

Sidney Rezende diz que a sociedade quer o aprofundamento da democracia e que, para isso, é preciso respeitar a pluralidade de pensamentos. “O nosso slogan é respeitar a forma do outro pensar. Ninguém pode mais impor um pensamento a alguém”, falou Sidney ao repórter Jô Miyagui, para o Seu Jornal, da TVT.

Para o diretor-geral da EBC, Pedro Henrique Varone, a parceria com a Rádio Brasil Atual é estratégica e um dos objetivos é trazer um novo olhar para o jornalismo. “É um programa de jornalismo de serviço, com informação, tentando trazer os temas factuais do dia, muitos serviço sobre trânsito, sobre a situação das pessoas, procurando olhar também para as periferias das grandes cidades.”

Paulo Salvador, coordenador da Rádio Brasil Atual, considera que essa parceria vai fortalecer a democratização da comunicação e trará ainda mais qualidade ao jornalismo da Rádio Brasil Atual. “O Brasil e os cidadãos ganham ao produzirmos mais notícias. Será um ganho à democratização da comunicação e, portanto, à cultura, ao conhecimento e à cidadania. Vai fazer com que a gente possa viver melhor.”

Para o presidente da TVT, Valter Sanches, o público da Grande São Paulo e do litoral paulista vai ganhar um jornal com conteúdo diferente das rádios comerciais tradicionais. “Vamos poder fazer chegar mais longe o nosso princípio de dar a notícia que os outros não dão.”

Fonte: Rede Brasil atual

Prefeitura de Bonito lança canal de comunicação instantâneo para turistas e cidadãos

Prefeitura de Bonito lança canal de comunicação instantâneo para turistas e cidadãos
Para turistas estrangeiros, há também uma versão do sistema em inglês no mesmo número. / Divulgação
Para turistas estrangeiros, há também uma versão do sistema em inglês no mesmo número. / Divulgação

A Prefeitura de Bonito acaba de implantar uma nova forma de comunicação entre a Administração, o cidadão e os turistas. Com o Bonito ZAP, a gestão municipal disponibiliza, de forma programada ou por meio de atendentes, informações instantâneas, visualizados diretamente no aplicativo de mensagens WhatsApp.

Para utilizar o sistema, basta cadastrar o número na agenda do celular e enviar uma mensagem para o contato. A partir deste momento, a pessoa passa a fazer parte da nova rede de comunicação da Prefeitura.

Para se informar sobre o setor de turismo, o número é 67 8469.8932. Após cadastrar na agenda do celular, o usuário deve enviar a mensagem “bonitozap”, para começar a receber materiais com informações sobre hospedagem, gastronomia, atrativos, agências de turismo e informações complementares sobre o município. Para turistas estrangeiros, há também uma versão do sistema em inglês no mesmo número.

Já para o cidadão, o número para cadastro é 67 8469.8845 e a palavra-chave “bonitozapcidadão”. Após a mensagem, o participante poderá saber sobre a atuação da administração municipal e informações da área de saúde, educação, obras, assistência social, meio ambiente entre outras informações para o desenvolvimento do município.

O sistema é uma via de mão dupla e o usuário pode participar enviando sugestões, críticas, elogios e questionamentos. O aplicativo envia e recebe informações por meio de áudios, vídeos, imagens e textos. Os atendentes encaminham as solicitações diretamente para as Secretarias responsáveis, permitindo que pequenos problemas que vierem a ocorrer sejam sanados rapidamente, dando mais agilidade e conforto ao cidadão.

“Bonito novamente está um passo à frente, somos o primeiro órgão público brasileiro a lançar este tipo de canal para comunicação, que aproxima turistas, cidadãos e o município. Eu sempre falo que a participação da população é fundamental para o desenvolvimento de Bonito e estamos investindo cada vez mais em um governo participativo e democrático”, destacou o prefeito de Bonito, Leonel de Souza Lemos (Leleco).

Yuri Borowsky, diretor da empresa Social Chatter, desenvolvedora do sistema, afirma que Bonito foi a primeira entidade pública a se preocupar em oferecer uma solução de comunicação que integre órgão e população. “A Prefeitura acreditou em uma forma inovadora de comunicação. Com a plataforma, turistas e cidadãos ficam sabendo instantaneamente das novidades do município e das potencialidades turísticas. Veja você mesmo, cadastre o número do turismo e saiba tudo o que Bonito tem a oferecer”.

Fonte: a crítica

Para além do noticiário: comunicação alternativa como elemento para ampla formação cidadã. Entrevista especial com Ermanno Allegri

Para além do noticiário: comunicação alternativa como elemento para ampla formação cidadã. Entrevista especial com Ermanno Allegri

“Um dever absoluto nosso é construir meios alternativos de comunicação”, frisa o idealizador da Adital

“Uma coisa é querer fazer a cabeça oferecendo informações idiotas, outra coisa é oferecer para as pessoas o tipo de material que as faz pensar”. É assim que Ermanno Allegri, ao mesmo tempo, defende veículos de informação alternativa e critica a chamada mídia tradicional. Para o italiano, que está no Brasil há mais de 40 anos, em momentos de ebulição como o que vive o país é que se evidencia a necessidade de fazer circular a chamada informação alternativa. “A palavra alternativa quer dizer diferente e, às vezes, até em contraposição, porque, de fato, o tipo de informação que trabalhamos é completamente diferente daquilo que a mídia oficial trabalha”, destaca, ao se referir ao trabalho que vem fazendo junto à Adital – Agência de Informação Frei Tito para América Latina.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, Ermanno informa que a Adital entra em um outro momento. É uma nova fase em que busca associação com o Instituto Humanitas Unisinos – IHU para manter viva essa missão de trazer informação alternativa. A partir de segunda-feira, 04-04-2016, o IHU assume definitivamente a veiculação dos conteúdos da Adital. “Percebo que é uma parceria que pode garantir que a Adital não desaparecerá, porque o tipo de informação que nós fornecemos vai ao encontro da filosofia de informação que o IHU trabalha”, destaca.

Ermanno não dissocia a ideia de informação da de formação. Para ele, só é possível ter uma compreensão ampla da realidade em que se vive quando se é alimentado por notícias que complexifiquem o debate, e não apenas defendam um lado. “Devemos nos convencer de uma coisa: esses grandes veículos da imprensa nacional e internacional não são veículos que se colocam dentro de uma crise política, eles são parte essencial da crise”, pontua. “Eu não quero fazer a cabeça de ninguém com a Adital, mas quero que as pessoas tenham em mãos não só a informação que vem dos grandes meios”, completa.

Ermanno Allegri é idealizador da Adital. Padre italiano, naturalizado brasileiro, foi coordenador nacional da Comissão Pastoral da Terra – CPT. Criou uma agência de notícias chamada AnotE (Agência de Notícias Esperança) com o intuito de inserir nas grandes mídias notícias sobre as atividades sociais realizadas no estado do Ceará.

Confira a entrevista.

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Foto: Cristina Guerini / IHU

IHU On-Line – Como surgiu a Adital? Qual seu propósito?

Ermanno Allegri – A Adital começou de uma conversa com Frei Betto, que conheceu um empresário italiano que se ofereceu para financiar a Adital por algum tempo. Iniciamos os trabalhos no ano 2000, no mesmo período do Fórum Social Mundial. Tivemos que partir praticamente do zero, buscando as fontes e também o destino para a informação que produzimos. Iniciamos articulações com as pessoas que poderiam contribuir de um jeito ou de outro com aAdital, e ali foi andando. Hoje, chegamos a mais de 100 mil endereços de pessoas que recebem nosso material. Contamos ainda com alguns milhares de pessoas como fontes que nos enviam notícias e artigos. São textos escritos por pessoas de certo destaque em seus países.

Podemos dizer que esse espírito da Adital já existia numa iniciativa pequena, que era uma agência de notícias local. Foi assim que Frei Betto veio com a proposta dessa agência paraAmérica Latina.

O propósito

A finalidade da Adital era fornecer informação à América Latina e ao mundo sobre aquilo que se está construindo emsetores sociais na América Latina. Por setores sociais entendemos todas as organizações desde partidos de esquerda até pequenas comunidades locais. O objetivo era o de ajudar o mundo a conhecer este trabalho continuado, de formiga.

A finalidade era exatamente esta: fazer com que nós, na América Latina, em primeiro lugar, e depois o mundo conhecesse todo o trabalho que estava acontecendo. Trabalho que, muitas vezes, estava escondido, mas que visava construir cidadania e democracia na América Latina, para sair daqueles 500 anos de dependência que nós conhecemos muito bem.

IHU On-Line – Como se dá a parceria entre Adital e o Instituto Humanitas Unisinos – IHU?

Ermanno Allegri – Houve um período em que tínhamos algum apoio de entidades que financiavam e de pessoas que tinham simpatia com o trabalho da Adital. Só que as entidades financiadoras, depois de um tempo, pedem que os grupos se articulem para se tornarem autônomos. E em uma agência de notícias da América Latina isso é bem complicado. Por isso, já há uns seis ou sete anos, trabalhamos num projeto que pudesse garantir a continuidade para o trabalho da Adital.

Dentro desse leque de possibilidades que estávamos analisando, apareceu o nome do IHU. Em primeiro lugar, porque conhecíamos o tipo de informação que circula pelo Instituto e, depois, por conta da proximidade que tínhamos com algumas pessoas da instituição. Assim, a ideia da aproximação foi se estruturando até chegarmos à concretização da parceria. Percebo que é uma parceria que pode garantir que a Adital não desaparecerá, porque o tipo de informação que nós fornecemos vai ao encontro da filosofia de informação que o IHU trabalha. Então, esse é o motivo principal da parceria: confiança no tipo de informação e na competência que o IHU demonstra.

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IHU On-Line – Como o senhor entende o conceito de mídia alternativa? Como o trabalho da Adital se insere nesse contexto?

Ermanno Allegri – Essa ideia de mídia/informação alternativa surgiu há vários anos. A palavra alternativa quer dizer diferente e, às vezes, até em contraposição, porque, de fato, o tipo de informação que trabalhamos é completamente diferente daquilo que a mídia oficial trabalha. Por quê? Porque as nossas fontes vêm daquelas atividades, grupos e movimentos que estão preocupados com uma construção de democracia e participação. São movimentos que também têm a finalidade de demonstrar aquilo que entende que deve ser o trabalho de qualquer governo, em qualquer país. É olhar para as camadas que atualmente estão ainda na miséria, na pobreza, que precisam de desenvolvimento em educação e formação.

Assim, alternativa para nós quer dizer conteúdos diferentes, conteúdos de fato ligados aos interesses populares. Isso também inclui o trabalho de Igreja, por exemplo. Eu me refiro ao trabalho dos teólogos da libertação, dasComunidades Eclesiais de Base – CEBs, toda essa reflexão que vem de Igrejas que estão mais inseridas nas lutas populares. Percebíamos que todas essas atividades eram de fato um diferencial. Assim, passamos a contar com fontes que viviam e que sofriam a realidade, que muitas vezes eram perseguidos, e que não estavam nos veículos tradicionais. Dessa forma, o trabalho da Adital foi sustentado por esta ideia e, ao mesmo tempo, sustentou esse tipo de informação.

IHU On-Line – Quais os desafios para se manter enquanto mídia alternativa? Como garantir recursos financeiros para o funcionamento de veículos de comunicação alternativa? E como assegurar que a forma de financiamento não interfira na orientação editorial, permitindo a manifestação independente?

Ermanno Allegri – Do ponto de vista editorial, sinceramente, nunca tivemos dificuldades no sentido de alguém falar que determinada matéria deve ou não ser publicada. Acredito que seja porque as entidades que financiaram a Aditalaté hoje, entidades da Europa, Estados Unidos, Brasil, já têm por praxe o apoio aos movimentos sociais que também são alternativos. Somos encorajados também por nossos leitores, pois eles contribuíam financeiramente para mantermos esse tipo de produção.

Porém, é claro que o financiamento para nós se tornou algo complicado, como referi antes. Até porque na internet é difícil convencer as pessoas a financiar completamente um tipo de produção como da Adital. Chegamos a fazer várias campanhas de financiamento para a auto-sustentação, mas nunca passamos de 20% daquilo que de fato precisávamos para manter a Adital — uma estrutura mínima com três ou quatro jornalistas, com custos de 500 mil Reais por ano. Além disso, ultimamente têm surgido muitos sites como o da Adital. Antigamente, esses espaços não existiam.

Apesar disso, os nossos acessos aumentam continuamente, em um universo de cerca de 100 mil endereços que recebem a Adital em casa [via Newsletter], embora esse número nem sempre corresponda a compromisso financeiro.

“Uma coisa é querer fazer a cabeça oferecendo informações idiotas, outra coisa é oferecer para as pessoas o tipo de material que as faz pensar”

IHU On-Line – Qual é o papel da imprensa alternativa no atual contexto político do Brasil?

Ermanno Allegri – Há uma articulação grande e ampla de sites que nós chamamos de alternativos, porque nós queremos fornecer a informação verdadeira. Acompanhando a imprensa “oficial”, sentimos nojo, ficamos enjoados com certo tipo de informação que não tem nada de verdadeiro e é pior ainda em termos de jornalismo. Diante disso, podemos reparar que o sucesso da informação dos meios alternativos está crescendo muito. Outro dia, um blogueiro dizia: no dia da passeata dos “coxinhas” de São Paulo, havia mais leitores no meu site do que gente na Paulista.

Busca de novas vozes

Tenho uma folha em que listei uns 12 sites e blogs alternativos. Certo dia, estava em uma escola da periferia onde me chamaram para fazer uma análise de conjuntura. Levei essa folha e lá eu falei aos jovens: se vocês querem se informar da situação, escutem outras vozes. Não vejam só a televisão, a imprensa tradicional. Assim, forneço essa possibilidade de ter uma imprensa e uma informação alternativa. Acredito que isso é essencial, porque senão ficamos ligados a uma série de mentiras que querem fazer a nossa cabeça.

Uma coisa é querer fazer a cabeça oferecendo informações idiotas, outra coisa é oferecer para as pessoas o tipo de material que as faz pensar. Eu não quero fazer a cabeça de ninguém com a Adital, mas quero que as pessoas tenham em mãos não só a informação que vem dos grandes meios. É preciso ter outros elementos para que se possam criar as próprias ideias e pensamentos e, a partir disso, tomar decisões que sejam amadurecidas em uma base ampla de informação, e não em uma base única de informação.

IHU On-Line – Como avalia o papel que vem sendo desempenhado pelos grandes veículos da imprensa nacional na cobertura da atual crise política do Brasil?

Ermanno Allegri – Devemos nos convencer de uma coisa: esses grandes veículos da imprensa nacional e internacional não são veículos que se colocam dentro de uma crise política, eles são parte essencial da crise. A Globoé testa de ferro de todo esse trabalho, faz parte do comitê do golpe. Eles participam e discutem formas de enganar e noticiar para que a ação deles — que eles sabem mais do que nós que é ilegal, inconstitucional — seja encoberta, apareça como algo natural e normal. Assim, seu objetivo é que as pessoas tenham uma adesão a esse tipo de ação. Desse modo, os meios de comunicação hoje são tão responsáveis por fomentar o golpe quanto os militares de 1964.

“Grandes veículos da imprensa nacional e internacional não são veículos que se colocam dentro de uma crise política, eles são parte essencial da crise”

IHU On-Line – Quais os riscos que se corre quando a imprensa, enquanto instrumento social de comunicação, torna-se refém de um sistema capitalista financeiro?

Ermanno Allegri – Em primeiro lugar, há meios de comunicação que são concessões do Estado. Eu acredito que o Estado — no caso do Brasil — deve cortar essas concessões e o financiamento de propaganda, isso em nome da democracia. É claro que, se eles lerem isso que defendo, dirão que se trata de censura. Mas a maior censura é aquela que esses meios “oficiais” de comunicação estão exercendo hoje, quando eles cortam toda uma série de informações — eu diria que 80% das informações que eles teriam obrigação de colocar para o público são omitidas.

Informação como mercadoria

Esses veículos de comunicação tradicionais dependem de financiamento, que entra por meio da venda de espaços publicitários. É assim que o capital financeiro e seus interesses entram nos meios de comunicação. Por exemplo, eles não podem falar mal das empreiteiras que expulsam famílias na periferia ou em um bairro central para poderem construir uma série de apartamentos, porque, se colocarem uma notícia dessas no ar, as imobiliárias podem dizer: “não coloco mais em seu jornal a propaganda de empreendimentos imobiliários”. Então, é lógico e claro que eles abafam um tipo de informação porque vende outro tipo de informação. Hoje, mais do que nunca, isso parece claro. E é algo que não ocorre só no Brasil, mas em nível internacional.

IHU On-Line – Em que medida a lógica do jornalismo dos veículos de comunicação de massa, aquela que busca a grande manchete e o grande espetáculo, influencia na formação das pessoas? Como assegurar que a mídia alternativa não caia apenas nessa lógica?

Ermanno Allegri – Isso faz parte do esquema, por exemplo, no Brasil, de um golpe que está sendo construído. Então, esse tipo de informação [que busca manchete, o espetáculo] é necessário para os golpistas porque de outro jeito eles não teriam como fazer a cabeça das pessoas. O que interessa, de fato, nesse tipo de informação é ridicularizar, mentir e mostrar algumas pessoas, como Lula e Dilma, por exemplo, como desprezíveis. Assim, pessoas que sempre tiveram uma postura pessoal ética de repente aparecem como vilão da história, aquele que no final das contas enganou os outros.

Apenas olhando as manchetes de alguns jornais é possível perceber que são manchetes em um sentido único, mão única. Nunca as manchetes, por exemplo, da Folha de São Paulo, trazem qualquer coisa que possa parecer positiva ou que possa sustentar o contragolpe ou a honestidade. A presidente Dilma, por exemplo, nunca foi acusada formalmente de corrupção. Mas o clima que se cria ao redor da pessoa é absolutamente falso e tem a finalidade de derrubar um governo e uma pessoa. É assim que se tem diariamente um bombardeio de revistas, diários e televisão com informação de mão única. Logo, se alguém lê essas coisas tem a impressão de que só há essa informação. Eu também, às vezes, dou uma olhada nessas manchetes, mas é claro que tem que ter um filtro. E um filtro bom.

IHU On-Line – Qual o papel da mídia alternativa frente aos veículos de comunicação de massa? Qual a sugestão para que possamos acompanhar as notícias destes veículos, mas para uma formação cidadã?

Ermanno Allegri – Eu falo de filtro, e filtro quer dizer o quê? As pessoas devem ter a capacidade crítica de perceber o que é informação séria e real e o que é uma informação construída. Se olharmos nos últimos meses a capa de certa revista, nos revoltamos. As bancas de jornal estão cheias dessas capas e desses títulos. É preciso buscar uma base diferente de informação para que se tenha a capacidade crítica para ler o jornal e ver um noticiário.

Eu sempre digo que a pior mentira é a meia verdade. E quando você coloca essa meia verdade fingindo, inclusive, isenção, objetividade, você sonega um tipo de informação para a pessoa entender o que está de verdadeiro naquele acontecimento. Falta uma informação completa e isso colabora para construção de uma sociedade que se sustenta e toma decisões em cima de mentiras e inverdades.

“Uma vez que percebemos que o que está em jogo é a democracia, a América Latina, a liberdade do mundo e do capital, podemos também perceber o grande engano que está por baixo dos grandes meios de comunicação”

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Ermanno Allegri – Eu acho que um dos grandes erros dos governos anteriores — Lula e Dilma — foi ter se descuidado da questão da comunicação. Um dever absoluto nosso é construir meios alternativos de comunicação. Aqui noCeará, temos três perspectivas: uma, vinda de uma revista semanal, que está quase pronta, já está sendo editada em várias capitais; a segunda, de um programa de rádio do Movimento pela Democracia Participativa, um programa de uma hora diária, que faz duas ou três semanas que está no ar; e um programa de televisão de meia hora.

Nós devemos construir esses meios alternativos e nos articular com esses outros meios alternativos, afinal temos um monte de boletins de programas de rádio. Um esforço que estamos tentando fazer aqui no Ceará é exatamente articular esses meios ao redor de alguns programas, revistas e sites que possam se tornar uma referência segura de informação, inclusive para, em alguns momentos, ter um tipo de informação mais unificada. Não é que isso desvirtue os vários meios de comunicação. Não, cada um teu seu rosto, a sua capacidade de comunicar, o seu esquema. Mas devemos ter em alguns momentos a “tropa de choque” alternativa também da comunicação, no sentido de ajudar a pessoa a formar a informação e, ao mesmo tempo, a formação, para produzir um esquema mental.

Uma vez que percebemos que o que está em jogo é a democracia, a América Latina, a liberdade do mundo e do capital, podemos também perceber o grande engano que está por baixo dos grandes meios de comunicação. E, do outro lado, acreditamos que nós podemos, se nos articularmos com inteligência, competência e profissionalismo, ter uma força até maior que os outros.

Por João Vitor Santos

Fonte: Unisinos

A Corrupção da Opinião Pública

A Corrupção da Opinião Pública

“A mãe de todas as corrupções é a corrupção da opinião pública pelos meios de comunicação”, analisa Venício Lima, especialista em política de comunicações no Brasil.

Com o auge da crise e das disputas em torno do futuro governo Dilma, fervilham pelo País seminários e fóruns em busca de compreender os acontecimentos recentes que alvoroçam a política brasileira.

Em um desses eventos, ontem, o professor Venício Lima afirmou que “a mãe de todas as corrupções é a corrupção da opinião pública praticada pelos meios de comunicação”. Estudioso da estrutura midiática no Brasil e especialista em comunicação e política, Lima explicou que a natureza da corrupção pela imprensa se dá quando o leitor, ouvinte, telespectador e internauta é privado do contraditório e de uma visão abrangente da realidade. “Omissões de fatos, ênfases em outros, enquadramentos, seletividade, acabam por privar o cidadão de informações corretas”.

A crítica de Lima – na mesa-redonda “Política, Economia, Direito e Mídia: os fundamentos da crise”, organizado pelo “Fórum 21” e realizado no Teatro dos Bancários – encontrou eco no ator brasiliense Murilo Grossi.

Na sua fala, o ator contou a cena de hostilidade e quase violência física que enfrentou, ao lado dos dois filhos, no Ki-filé, tradicional restaurante que fica na quadra 405 Norte, no Plano Piloto. Ao conversar com jovens que distribuíam panfleto convocando para o ato contra o golpe e em defesa da democracia, alguns frequentadores do restaurante partiram para provocações e xingamentos. Só não houve confusão porque a turma do deixa disso foram os garçons do restaurante, estabelecimento que o ator frequenta há mais de 20 anos. Para Grossi, que confessou ter tido uma crise de choro após o episódio, o clima de intolerância e o incitamento ao ódio tem sido estimulado pela mídia.

O jornalista Bernardo Mello Franco (Folha de SP, 21/03/2016) também captou o clima de raiva que se expande pelo Brasil afora. Na sua análise, o colunsta da Folha comenta o “chilique” do ato Cláudio Botelho em um teatro de Belo Horizonte quando, ao improvisar, num musical baseado em obras de Chico Buarque, chamou a presidente Dilma de ladra e foi interrompido pela plateia. Sob vaias, protestos e gritos de “não vai ter golpe”, a peça foi suspensa.

Existe “um clima de raiva e intolerância no ar –que hoje se volta contra o PT, mas poderá atingir outras forças políticas. Basta ver o que ocorreu no dia 13 de março, quando os tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin foram hostilizados e enxotados da avenida Paulista”. E conclui: “o chilique de Botelho expõe uma face da nova direita verde-amarela que muita gente (e boa parte da mídia) prefere fingir que não vê”.

Fonte: Armando Medeiros – Conexão Pública.

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