E se eles estivessem no lugar delas?

E se eles estivessem no lugar delas?

Conheça a campanha que faz os homens sentir na pele o que é sofrer um assédio verbal e sexual.

Os homens que navegaram nos últimos dias vídeos dos sites da ESPN, GQ e UOL – que têm público predominante masculino – sentiram na pele o que é sofrer um assédio verbal e sexual. Pode parecer estranho, mas não foi por acaso. Esta foi a campanha que a agência F.biz criou para o Instituto Maria da Penha com o objetivo de fazer os homens entenderem que assédio às mulheres não é, de forma alguma, um elogio.

Na série de anúncios, um homem se dirige ao espectador usando uma linguagem e feições completamente vulgares, causando um enorme desconforto e constrangimento. Exatamente como as mulheres se sentem ao serem assediadas (algo que muitos homens acreditam ser normal e aceitável). Para que o homem não fuja do assédio no vídeo e experimente essa sensação por mais tempo, o anúncio não permite que se use o botão “pular anúncio” e nem que ele diminua o volume. “Esse vídeo não pula, não para, não avança e nem silencia. É como um assédio real que as mulheres sofrem todos os dias nas ruas. Sem poder escapar. Assédio não é elogio. É violência”, diz a mensagem da campanha.

Foi desenvolvido também  o hotsite Cale o Assédio, para recolher adesões ao abaixo assinado do Instituto Maria da Penha por leis com punições mais severas contra o assédio. O Instituto denuncia que que o assédio verbal que as mulheres sofrem diariamente nas ruas não é tratado com o rigor que deveria, como acontece em outros países.

O assédio em números

Segundo o estudo “Mapa da Violência 2015 – Homicídio de Mulheres no Brasil¹”, publicado pela Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres Presidência da República (SPM-PR), em 2014, cerca de 405 mulheres foram atendidas nas unidades de saúde do País todos os dias devido a violência física (48,7%), psicológica (23%) e sexual (11,9%). Veja aqui outros posts que o blog já publicou sobre campanhas contra as diversas formas de assédio às mulheres.

Fonte: Comunica que muda

Pesquisa revela que 86% das brasileiras foram vítimas de ataques em público

Pesquisa revela que 86% das brasileiras foram vítimas de ataques em público

Os dados são publicados no lançamento do Dia Internacional de Cidades Seguras para as Mulheres, uma iniciativa da organização para chamar a atenção para os problemas de assédio e violência enfrentados pelas mulheres nas cidades de todo o mundo.

Pesquisa divulgada pela organização internacional de combate à pobreza ActionAidnesta sexta-feira (20) mostra que 86% das mulheres brasileiras ouvidas sofreram assédio em público em suas cidades.

O levantamento mostra que o assédio em espaços públicos é um problema global, já que, na Tailândia, também 86% das mulheres entrevistadas, 79% na Índia, e 75% na Inglaterra já vivenciaram o mesmo problema.

A pesquisa foi feita pelo Instituto YouGov no Brasil, na Índia, na Tailândia e no Reino Unido e ouviu 2.500 mulheres com idade acima de 16 anos nas principais cidades destes quatro países.

No Brasil, foram pesquisadas 503 mulheres de todas as regiões do país, em uma amostragem que acompanhou o perfil da população brasileira feminina apontado pelo censo populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Todas as estudantes afirmaram que já foram assediadas em suas cidades. Para a pesquisa, foram considerados assédio atos indesejados, ameaçadores e agressivos contra as mulheres, podendo configurar abuso verbal, físico, sexual ou emocional.

Formas de assédio

Em relação às formas de assédio sofridas em público pelas brasileiras, o assobio é o mais comum (77%), seguido por olhares insistentes (74%), comentários de cunho sexual (57%) e xingamentos (39%). Metade das mulheres entrevistadas no Brasil disse que já foi seguida nas ruas, 44% tiveram seus corpos tocados, 37% disseram que homens se exibiram para elas e 8% foram estupradas em espaços públicos.

“É quase uma exceção raríssima que uma mulher não tenha sofrido assédio em um espaço público. É muito preocupante. A experiência de medo, de ser assediada, de sofrer xingamento, olhares, serem seguidas, até estupro e assassinato. Os dados são impressionantes se pensarmos que a metade das mulheres diz que foi seguida nas ruas, metade diz que teve o corpo tocado”, diz a representante da ONU Mulheres, Nadine Gasman.

Desigualdade de gêneros

Para a representante da ONU Mulheres no Brasil, os dados refletem a desigualdade entre homens e mulheres na sociedade. “É uma questão de gênero, de entender que na sociedade, qualquer que seja, as mulheres não são consideradas iguais aos homens. A ideia é que a mulher está subordinada no lar, na casa, no trabalho. Dados [da Organização Mundial da Saúde] apontam que uma a cada três mulheres sofre violência doméstica. Para os homens, os corpos e as vidas das mulheres são uma propriedade, está para ser olhada, tocada, estuprada”, disse.

Segundo Nadine, é necessário implementar políticas públicas que garantam a segurança da mulher em espaços públicos, com políticas públicas específicas, como a iluminação adequada das ruas e transporte público exclusivo para mulheres.

“Quando se pensa que quase todas as mulheres têm a experiência com abusos, não se tem a ideia do assédio. Isso tem um impacto, isso limita de andar na rua com segurança e direitos como educação e trabalho”, diz.

Falta repressão

A professora de direito civil da Universidade de Brasília (UnB), Suzana Borges, avalia que não há repressão adequada ao assédio à mulher em espaços públicos.

“É uma questão social porque, em função de uma posição histórica inferiorizada, a mulher foi objeto de repressão, violência, não só nos espaços públicos, mas privados, dentro da família, em casa, no trabalho”, disse.

Suzana Borges diz que há necessidade das mulheres denunciarem as situações de assédio que vivenciam no cotidiano. “Por se tratar de uma questão de gênero, a denúncia é um mecanismo que reforça a proteção”.

Assédio por regiões

A Região Centro-Oeste é onde as mulheres mais sofreram assédio nas ruas, com 92% de incidência do problema. Em seguida, vêm Norte (88%), Nordeste e Sudeste (86%) e Sul (85%).

No levantamento, as mulheres também foram questionadas sobre em quais situações elas sentiram mais medo de serem assediadas. 70% responderam que ao andar pelas ruas; 69%, ao sair ou chegar em casa depois que escurece e 68% no transporte público.

Na comparação com outros países, 43% das mulheres ouvidas na Inglaterra e 62% na Tailândia disseram que se sentiam mais inseguras nas ruas de suas cidades, enquanto que, na Índia, o espaço de maior insegurança era o transporte público, apontado por 65% das entrevistadas.

Campanha

Os dados são publicados no lançamento do Dia Internacional de Cidades Seguras para as Mulheres, uma iniciativa da organização para chamar a atenção para os problemas de assédio e violência enfrentados pelas mulheres nas cidades de todo o mundo.

“É bastante preocupante que não haja uma perspectiva de gênero nas cidades, um planejamento que não leve isso em conta, como horários, transportes e abordagem de ensino nas escolas. Isso gera e perpetua uma cultura de violência, normatizada e normalizada, de fazer parte do desenvolvimento masculino assediar mulheres e isso não é questionado. A pesquisa mostra a naturalização da violência como uma prática bastante arraigada. Há a necessidade urgente e setorial de se enfrentar isso”, disse a coordenadora da campanha Cidades Seguras para as Mulheres no Brasil, Glauce Arzua.

A campanha Cidades Seguras para as Mulheres foi lançada pela ActionAid no Brasil em 2014. O objetivo é promover uma melhoria da qualidade dos serviços públicos nas cidades para tornar os espaços urbanos mais receptivos a mulheres e meninas.

Glauce aponta a educação como aspecto fundamental para que seja possível reverter o quadro de assédio ao redor do mundo.

“A abordagem educacional é uma chave para o enfrentamento. Medidas como acontecem no Brasil, de vagões de trem separados, são paliativas, transitórias. Temos que quebrar essa cultura, que passa por campanhas, treinamento dos gestores, sobretudo criar espaços para que o planejamento das cidades tenha essa perspectiva de gênero”, diz.

Fonte: Comunica que muda

Pesquisa: 51% dizem que TV incentiva desrespeito e assédio à mulher

Pesquisa: 51% dizem que TV incentiva desrespeito e assédio à mulher

 O estudo aponta, também, que a maioria das mulheres brasileiras têm dificuldade de se identificar com os personagens femininos retratados no cinema e na televisão

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Cerca de 51% dos brasileiros dizem que filmes e programas televisivos incentivam o desrespeito e o assédio a mulheres em ambientes de trabalho. Quase metade deles acredita que os programas de entretenimento têm impacto negativo nas práticas de assédio a mulheres nos locais de trabalho. Cerca de 73% acreditam que as mulheres são mostradas de maneira exageradamente sexualizadas no cinema e na TV, “reduzidas a seios e bundas”, com poucas roupas e pouco inteligentes.

Os dados fazem parte da pesquisa Investigação sobre o impacto da representação de gênero no cinema e na televisão brasileira, divulgada no dia 7 de março pelo Instituto Geena Davis, que há mais de dez anos se dedica a estudar e ampliar a presença da mulher no audiovisual no mundo.

A apresentação do trabalho foi feita na sede do Sistema Firjan, no centro do Rio de Janeiro, e contou com um painel de discussão sobre gênero na mídia e maior participação da mulher na cadeia produtiva do setor audiovisual. Concluído no ano passado, o estudo ouviu cerca de 2 mil pessoas, e foi dividido em dois momentos. Na primeira etapa, foram feitos grupos para elaboração das perguntas e, depois, uma pesquisa quantitativa por todo o Brasil.

O estudo aponta, também, que aproximadamente 65% das mulheres brasileiras têm dificuldade de se identificar com os personagens femininos retratados no cinema e na televisão. Quase 70% dos entrevistados acham que as mudanças positivas no país para a igualdade de gênero, como conquistas profissionais e mais autonomia financeira, são pouco retratadas no cinema e na TV.

Um dos coordenadores da pesquisa, João Feres, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explicou que a população está mais alerta para os estereótipos dos papéis femininos e masculinos que ainda persistem na mídia brasileira.

“Os entrevistados da pesquisa qualitativa veem os personagens femininos ainda muito presos aos papéis tradicionais de dona de casa, doméstica. As mulheres nunca estão no poder, são sempre os homens”, disse. “Os homens também consideram os papéis masculinos estereotipados, de machão”, afirmou, ao destacar que a glorificação da hipermasculinidade foi uma das críticas feitas pelos entrevistados.

Segundo o estudo, quase dois terços (63%) dos brasileiros demonstram preocupação com os padrões de beleza mostrados no cinema e na televisão, que, segundo eles, são irreais. Por outro lado, mais de 60% da população acham que a exposição da violência doméstica no cinema e na TV pode ajudar a reduzir essa prática nos lares brasileiros, mas que é importante mostrar o fim da impunidade em relação aos crimes de violência.

Fonte: Agência Brasil

O primeiro assédio

O primeiro assédio

Este conteúdo é iniciativa da Nova/SB Comunicação. Saiba mais em cip.ig.com.br. O texto desta edição trata sobre o primeiro assédio que as mulheres recebem.

bandDesde a última quinta-feira (22 de outubro), diversas mulheres compartilham relatos no Twitter sobre os primeiros assédios que sofreram na vida. E levaram a hashtag #primeiroassédio aos trend topicsda rede social durante todo o dia. Criada pela ONG feminista Think Olga, #primeiroassédio é uma reação aos assédio sexual  feito por usuários do Twitter a uma menina de 12 anos que participa do reality show Master Chef Junior.

Estreada na última terça-feira (20), a nova edição do programa para aspirantes a chefs de cozinha agora tem crianças de 8 a 13 anos como concorrentes. E assim como as duas edições anteriores, é um sucesso tanto em audiência quanto nas redes sociais – especialmente no Twitter. Com apenas 12 anos, Valetina, uma das crianças participantes chamou a atenção de diversos usuários que passaram a postar comentários constrangedores e criminosos (a lei brasileira classifica esse tipo de assédio como abuso sexual por se tratar de menor de idade). Alguns homens tuitaram coisas como “se tiver consentimento é pedofilia?” e ”a culpa da pedofilia é de meninas gostosas como a Valentina”. Além disso, muitos justificavam os comentários apontando a aparência “mais desenvolvida” da menina.

A Think Olga  lembra que esse tipo de assédio – agravado pela pedofilia – precisa e deve ser punido. E para chamar a atenção para o que classifica de “cultura do estupro”, a ONG convocou as mulheres a acabar com o silêncio. Já são mais de 30 mil relatos comoventes. Eles mostram que desde criança, as mulheres estão vulneráveis ao assédio. Muitas vezes se calam por medo ou por não encontrarem apoio. São histórias de abusos que ficaram escondidas por anos.

Aproveitando a discussão, a Unicef reforçou sua campanha contra a violência sexual na infância.

Em um artigo sobre a polêmica publicado no Brasil Post, a jornalista Carol Patrocínio alerta que quando uma menina de 12 anos em um reality show desperta o desejo de homens adultos é extremamente necessário falar sobre a cultura do estupro. “A cultura do estupro caminha ao lado da ideia de que homens não conseguem conter seus instintos. Ela está totalmente ligada ao falso consenso que poderia dar uma criança. Ela é reforçada pela infantilização de mulheres adultas. A impunidade é sua melhor amiga e a culpabilização da vítima sua principal arma“, afirma.

Ouvida pela articulista, a gerente de conteúdo da Think Olga, Luise Bello, reforçou a importância de oferecer essa oportunidade de desabafo. “Finalmente ela podem ter voz para falar, ter espaço para mostrar o absurdo que isso é. Falar é mostrar que o problema existe, é usar nossa voz para mostrar que acontece sim, que incomoda sim, e que nenhuma criança merece passar por isso”, diz. Dados oficiais e recentes do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostram que 70% das 500 mil mulheres que são vítimas de estupro por ano no Brasil são crianças e adolescentes – sendo 51% menores de 13 anos.

Veja abaixo alguns dos relatos:

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